A importância da Educação Financeira na Infância

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus Pinheiro…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

POR ANDRESSA BAILÃO [1] E HILDEBRANDO MATHEUS [2]

A importância da Educação Financeira na Infância

Ensina a criança no caminho em que deve andar e, ainda quando for velho, não se desviará dele. Você, possivelmente, já deve ter visto esta frase.  Ela, geralmente, é vista em muros de escolas, parques infantis e, originalmente, é bíblica.  Ser bons pais, embora às vezes seja muito desafiador, é algo que oferece grande potencial de felicidade. Os pais podem ter grande alegria criando um ambiente amoroso e estável no lar e ensinando princípios que podem ajudar os filhos a levar uma vida justa, feliz e produtiva. Os pais devem incluir os filhos nas reuniões familiares sobre finanças e ajudá-los a compreender a importância desse tema para seu futuro.

“Pai, gastamos demasiadamente com coisas desnecessárias esse mês” ou “Mãe, precisamos reavaliar nosso orçamento, pois há algo aqui que não está batendo” são frases que fazem parte do nosso cotidiano, certo? Errado! O filho ideal para muitos pais é aquele que tira as mais admiráveis notas no colégio, apresenta um invejado relacionamento social proveniente de uma primorosa desenvoltura e habilidades ímpares.  Contudo, apresenta dificuldade em compreender temas ligados a finanças pessoais. Seria ele tão perfeito assim?

A educação faz parte de nossas vidas desde o momento em que nascemos. É através dela que aprendemos as normas de nos interagir socialmente e como agiremos em todos os sentidos de nossa vida. Através da educação secular, podemos conquistar e realizar todos nossos desejos e sonhos. E a educação financeira? O dinheiro também faz parte de nossas vidas desde o momento em que nascemos, e é essencial que aprendamos a conviver com ele de modo equilibrado. Uma pessoa aprende a melhor a lidar com dinheiro quando é ensinada desde criança do que quando se torna um adulto e tem que aprender com os próprios erros, pois a base do modelo financeiro é construída na infância (em torno dos cinco anos de idade). Nesta fase, ela vai absorvendo as impressões que serão levadas para toda vida.  É necessário ressaltar que a educação financeira vem de casa, como qualquer educação. A família é a primeira responsável por esses ensinamentos. À escola, cabe apenas a função de fortalecer esse ensinamento.

Certa garotinha de sete anos expressou aos seus pais o desejo em ir para Orlando conhecer os parques da Disney. Nesse momento, a menina foi questionada por sua mãe: “Certo, minha querida! É um desejo justo, mas como você pretende conseguir isso?” A pequena, sem compreender de imediato a pergunta, respondeu: “Com o seu dinheiro, é claro!”. O pai, que estava a ouvir toda a conversa, respondeu: “Certamente, não será com nossas economias.” A família sentou ao redor de uma mesa e contabilizou o valor da viagem, apresentando à filha os custos desse evento e o quanto ela desembolsaria para realizar esse sonho.  A mãe tinha habilidades culinárias, enquanto o pai era um portentoso vendedor. Após um tempo, ponderando sobre estratégias para levantar esse montante, a pequena disparou: “Mamãe fará aqueles deliciosos geladinhos ‘gourmet’ e papai sairá comigo para vendê-los. Agora precisamos comprar os ingredientes e uma caixa térmica para que eles não derretam!”

Teria sido mais fácil dizer: “Quando ganharmos na loteria, nós iremos!”, ou “Quando seu pai ficar rico”, ou até “Quando você for maior, pois aproveitará mais a viagem”. Entretanto, ao direcionar, sabiamente, os sonhos e anseios daquela criança, os pais ensinaram um princípio fundamental, que indubitavelmente, ajudá-la-á na vida adulta: A Educação Financeira.

Quanto mais cedo uma criança for exposta a situações como essa – na qual ela passa de mero consumidor à protagonista de suas finanças, mais cedo aprenderá o valor do dinheiro e meios de valorizá-lo. Nossos filhos logo se tornarão adultos, pois o tempo é inexorável; e sem a educação financeira alicerçada no lar, eles verão os sonhos serem transformados em frustrações, tornando-se escravos do trabalho; e sua única conquista será o endividamento, um império alicerçado na areia. Há muitas coisas importantes a serem ensinadas às crianças e adolescentes, mas Educação Financeira é a cereja do bolo que trará o bem-estar e a qualidade de vida. Elementos tão ausentes hoje em nossa sociedade.

As crianças devem ser ensinadas que atos simples como apagarem as luzes e fechar a torneira quando escovar os dentes, ajuda a poupar dinheiro para comprar brinquedos e tomar sorvete. Quem nunca ouviu que luz apagada é luz que não se paga?

Veja as fases da compreensão financeira em diferentes idades:

Educação Infantil (05 anos completos)

A criança precisa saber que o dinheiro existe, mas que não pode satisfazer todas suas necessidades. A criança tem condições de ter um cofrinho e poupar para comprar um brinquedo mais custoso.

Ensino Fundamental (1ºe 2ºAno) 06 aos 08 anos

Alfabetização e as quatro operações matemáticas básicas permitem desenvolver racionalidade ao gastar o dinheiro. Podem ser usadas as semanadas (dinheiro dado por semana). O ideal nesse caso é que os pais ou responsáveis peçam um pequeno relato de como foi gasto os valores, a chamada prestação de contas.

Ensino Fundamental (3ºe 4ºAno) 09 aos 10 anos

Pode se introduzir noções de emprestar algo, como o brinquedo de um colega, que deve ser devolvido no tempo acertado e em bom estado. Nessa fase,  semanada pode virar quinzenada.

Ensino Fundamental (5ºe 6ºAno) 11 aos 12 anos

Fica mais claro que o dinheiro vem por meio do trabalho. É impossível introduzir noções de previdências e aposentadoria. Semanada ou quinzenada pode ser substituída por mesada. A mesada não pode ser dada como recompensa para atividades e tarefas cotidianas.  Sendo assim, quando a criança ou jovem fizer algo que não estiver de acordo com as regras, o ideal é sempre o diálogo ao invés da suspensão da mesada como forma de punição.

Ensino Fundamental (7ºao 9ºAno) 12 aos 15 anos

A criança começa a entender que existem diferentes classes sociais, que algumas profissões pagam mais que outras e que cada país tem uma moeda. Ela tem condições de se planejar para comprar bens pessoais.

Existem livros e jogos que podem ajudar na educação financeira de forma criativa como o Banco Imobiliário, por exemplo. Hoje, esse jogo, acompanhando a modernidade, conta com os cartões de créditos e moedas digitais como Bitcoin. Há também o Cashflow, um jogo de tabuleiro criado por Robert Kioyosaki, autor do best-seller ‘Pai Rico Pai Pobre’. O objetivo é desenvolver a inteligência financeira com soluções financeiras para transformar um real em milhares de reais. Fábulas como “A Cigarra e a Formiga” ajudam a compreender a importância da reserva financeira de emergência, afinal, todos podemos ter momentos difíceis.

Os pais são o recurso que mais contribui para a competência financeira. Parafraseando uma afamada frase do roteirista Ryan Coogler: Aquele que não prepara o seu filho para o mercado financeiro, falhou como pai. As lembranças da infância são eternas, a infância se vai, mas as lembranças ficam. O grande conselho é: Faça seu orçamento pessoal e familiar junto com seus filhos, afinal, a palavra empolga, porém o exemplo ensina.

[1] Andressa Bailão é professora de gramática, literatura, redação e escritora.

[2] Hildebrando Matheus é administrador; pós-graduado em Administração Internacional pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); Pós-graduado em Business and Economic Strategies pela University of Califórnia San Diego (UCSD). Possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); MBA Mercado Financeiro pela Faculdade de Educação Superior do Paraná (FESP) e Especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

 

 

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.