A importância de elaborar um plano de negócios

Janaina Chiaradia


In loco: transmitindo informações e compartilhando experiências

Nas entrelinhas do Direito, por André Cesar de Mello

Como de costume, a matéria reservada para sexta-feira, é destaque no dia de hoje, da série “nas entrelinhas do Direito”, afinal, precisamos refletir:

Falar, pensar e refletir, em prol de muito trabalho:

 A importância de elaborar um plano de negócios

Por Nádia Kelli Dietrich[1] e André Cesar de Mello[2]

 Queridos(as) leitores e leitoras do nosso “Nas Entrelinhas do Direito”, hoje o tema é absolutamente relevante e interessante para todo e qualquer empresário: o famigerado plano de negócios. O que é? Para que serve? Posso fazer um ou preciso de um profissional para isso? Para falar sobre o tema, trouxemos a grande amiga Nádia Kelli Dietrich, que tem uma empresa de consultoria no assunto.

Temos vivido nos últimos meses fortes impactos em todos os âmbitos de nossas vidas. Sejam nos negócios para quem já era empreendedor e não sabe como irá reagir a esta crise, se terá como se manter e pagar as despesas quando a economia retomar, para os empregados são os cenários de incertezas trazidos pelas grandes empresas que estão se vendo obrigadas a reduzir produção e, consequentemente, reduzir quadro de funcionários para conter despesas ou para quem estava planejando nos últimos meses abrir seu tão sonhado negócio próprio. Para estes a pergunta é: vale a pena abrir, manter ou ampliar um negócio?

Independentemente de um cenário otimista ou pessimista na economia, um plano de negócios é sempre recomendado com o intuito de responder a esta pergunta essencial para tomadas de decisões.

O plano de negócios é um documento confeccionado por profissionais com experiências em desenvolvimento de negócios que tem como principal função apontar o objetivo do negócio a ser criado, especificando detalhadamente os passos a serem seguidos para chegar a estes objetivos, diminuindo riscos e incertezas para o investidor.

Esse documento pode ser desenvolvido para um empreendedor que esta pensando em abrir seu negócio próprio e deseja detalhar de maneira organizada e estruturada o planejamento de todas as etapas e de tudo que será necessário para isso acontecer, incluindo investimento total e tempo estimado de retorno do investimento, assim como pode ser usado por empreendedores que já possuem um negócio próprio e desejam atrair investidores para captação de recursos para ampliarem os seus negócios como, por exemplo. uma pequena indústria que produz determinada quantidade de produtos e precisa de um investimento significativo para aumentar sua linha de produção e comprar matéria-prima em grandes quantidades ,  para isso, precisa fortalecer seu fluxo de caixa.

Na prática, quando prestamos serviços de consultoria para empresas que estão à procura de melhorar seus resultados operacionais e financeiros, o que sempre escutamos é: se eu soubesse que abrir uma empresa era tão complicado e demandaria tantas atividades teria feito um plano de negócios melhor ou até mesmo me preparado financeiramente para suportar os aportes financeiros durante mais tempo. Outras vezes também ouvimos: Não tenho mais vida; tenho que fazer tudo dentro da empresa.

O que acontece é que na maioria das vezes, na ânsia pela abertura do próprio negócio, as pessoas se precipitam e começam as operações antes de ter uma preparação e avaliação de todos os requisitos necessários para uma empresa funcionar, seja ela de pequeno, médio ou grande porte. Nos deparamos com profissionais que trabalharam durante muito tempo como funcionários em uma empresa e desenvolveram know-how na área técnica, mas esquecem ou não tem o conhecimento de que, por detrás de uma operação, existem setores de suporte administrativos que são essenciais para que uma empresa se desenvolva de maneira estruturada e organizada.

Dentro desses setores, por exemplo, existe a área financeira que demanda preparação do fluxo de caixa para os primeiros meses de vida de uma empresa, período este em que certamente não haverá entrada de faturamento, mas apenas os aportes dos empreendedores. E, para que estes aportes aconteçam dentro do previsto, é necessário o levantamento correto de informações e variáveis do segmento do negócio. É fundamental também que as atividades do fluxo operacional sejam detalhadas, pois muitas vezes o próprio empreendedor é obrigado a se colocar a fazer diversas atividades pois não possui verba para contratar pessoas qualificadas para exercerem estasoklç,. funções. É quando se vê dedicando todo seu tempo ao negócio sem ter mais tempo para sua vida pessoal. E isto complica mais quando o negócio é aberto por pessoas da mesma família, de modo que vivem o dia todo no negócio e quando, voltam para casa, levam o trabalho junto. Talvez não seja o melhor cenário.

No Brasil, as estatísticas do IBGE apontam que 21% das empresas abertas quebram após o primeiro ano de atividade, seis em cada dez empresas fecham em cinco anos de atividades. Estes números são de pesquisas feitas até o final de 2019, mas certamente teremos um percentual muito maior após a crise da Covid-19. São dados desanimadores para quem está pensando em colocar em prática o sonho de ter uma empresa, mas nós sempre instruímos as pessoas a verem estes dados com outros olhos, ou seja, estes números mostram o quanto é importante você estar preparado para abrir o seu negócio. Esta preparação exige tempo, estudos, determinação, conversas com outros empreendedores para fazer um relatório de lições aprendidas de experiências que não deram certo e também das que foram positivas para impulsionar o negócio, cursos, estudo dos seus concorrentes. Aliás, saber quem são seus concorrentes é parte fundamental da elaboração do plano de negócios. O que futuros empreendedores precisam ter em mente é que abrir um negócio para dar certo exige determinação, o que significa muitas vezes abrir mão de outros sonhos para colocar em prática um sonho maior de abrir seu próprio negócio.

Dentre todos os investimentos possíveis, como imóveis, aplicações financeiras, bolsa de valores, o investimento em um negócio próprio é o investimento com maior risco, mas é o investimento com maior retorno financeiro se o negócio alavancar.

Durante muitos anos participei da administração de um negócio familiar, uma pequena empresa que se tornou uma grande empresa até ser vendida para uma transnacional. Lembro-me bem dos momentos de dificuldade da empresa em que no dia do pagamento do mês vigente já estávamos pensando em como iríamos pagar o próximo mês. Ser empreendedor no Brasil demanda coragem; não é como quando as pessoas decidem se matricular em uma academia e acham que só de fazer a matrícula o processo acontece sozinho e, mesmo que você não vá nenhum dia, não tem problema, pois não acontece nada. Decidir empreender é um caminho que precisa ser muito bem pensado e planejado. Abrir um negócio significa ter responsabilidade por pessoas, assumir compromissos com clientes, colocar tudo o que você construiu em risco. Ou seja, exige responsabilidade. Ter o seu próprio negócio exige que você saiba um pouco de tudo: finanças, recursos humanos, gestão de equipes, marketing, vendas … e se você realmente souber pouco precisará se capacitar para saber cada vez mais e este conhecimento que você possui não impedirá que você erre no caminho, mas certamente o que você aprendeu com esses erros será o maior aprendizado.

Para as pessoas que tem interesse em abrir seu próprio negócio, o SEBRAE disponibiliza em seu site modelos de plano de negócios padrões para determinados segmentos. Estes modelos auxiliam as pessoas a terem uma ideia do negócio, mas eu recomendo que você faça algo específico para o seu negócio, algo mais completo e detalhado. Recomendo o plano de negócios do SEBRAE para as pessoas que não tem condições financeiras, e mesmo para estas oriento que façam uma reserva para futuramente fazer algo mais específico para seu negócio.

Empreender é sempre um risco, mas empreendedor sem planejamento é um risco que pode ser evitado. O plano de negócio, apesar de não ser a garantia de sucesso, irá auxiliá-lo a tomar decisões mais assertivas, assim como a não se desviar de seus objetivos.

[1] Nádia Kelli Dietrich é graduada em Engenharia de Produção Mecânica pela PUC-PR, pós graduação em Engenharia Econômica pela FAE, e MBA em Gestão de Projetos na FGV. Trabalhou durante 18 anos na área financeira de sua empresa familiar na área de óleo e gás. Em 2016 com a venda de sua empresa para uma multinacional atuou dois anos na área de operações gerenciando equipes em refinarias e plataformas de petróleo. Em 2018 abriu sua consultaria de negócios e hoje é instrutora do Curso Artha – O Poder da Riqueza Material e Espiritual da Mente Ronin.

[2] André Cesar de Mello é advogado nas área tributária-empresarial, escritor de livros, artigos e professor nas referidas áreas.

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.