BITCOIN: bolha ou futuro das transações?

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.
Da série: pare, olhe, invista!
Por Hildebrando Matheus Pinheiro…
Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.
Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

BITCOIN: BOLHA OU FUTURO DAS TRANSAÇÕES?

Hildebrando Matheus1

Atualmente o termo bitcoin tem ganhado notoriedade na internet e nos noticiários, seja por sua alta cotação, ou até mesmo por sua exigência em ataques cibernéticos efetuados por hackers em escala global. Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, sistema ou rede de pagamento online baseado em protocolo de código aberto independente chamado de “sistema eletrônico de pagamento peer-to-peer”, inaugurada em 2009. Diferente da maioria das moedas, a bitcoin não depende da confiança de um emissor centralizado ou uma instituição financeira. Usa um banco de dados distribuídos, espalhados pelos nós da rede P2P (usuários) para registrar as transações. Por sua facilidade nas negociações e sem cobrança de taxas e impostos vem atraindo muitos adeptos. Por ser autônomo, o Tesouro dos Estados Unidos classificou-a como primeira moeda digital descentralizada do mundo2. A topologia peer-to-peer da rede Bitcoin, e a ausência de uma entidade administradora central torna inviável que qualquer autoridade financeira ou governamental manipule a emissão e o valor de bitcoins ou induza inflação “imprimindo” mais notas. No entanto, grandes movimentos especulativos de oferta e demanda pode fazer com que o seu valor sofra oscilação no mercado de câmbio, sendo o maior de seu tipo em termos de valor de mercado. O bitcoin, também chamado popularmente de moeda virtual ou criptomoeda, é uma inovação tecnológica criada para facilitar as transações comerciais realizadas através da internet, e considerada por seus maiores entusiastas, a maior invenção tecnológica deste século.

A CRIAÇÃO: Satoshi Nakamoto (中本哲史 Nakamoto Satoshi) é o pseudônimo utilizado pela pessoa ou pessoas que criaram a moeda virtual bitcoin. Em 2008, Nakamoto apresentou o conceito bitcoin no grupo de discussões chamado The Cryptography Mailing3. Em 2009, lançou a rede bitcoin que começa a funcionar com o lançamento do primeiro cliente bitcoin open source e a emissão das primeiras bitcoins4. Nakamoto disse ter continuado a contribuir com o lançamento do software Bitcoin com outros desenvolvedores, até que o contato com sua equipe e sua comunidade gradualmente começou desvanecer-se em meados de 2010. Nessa época, ele entregou o controle do repositório de código fonte e funções-chave de alerta do software para Gavin Andresen. Também em torno deste mesmo tempo, ele entregou o controle do domínio Bitcoin.org e vários outros domínios para vários proeminentes membros da comunidade Bitcoin.

O bitcoin funciona com uma rede de pagamentos peer-to-peer e moeda virtual que opera essencialmente como o dinheiro online, é open source e não depende de

nenhum tipo de autoridade central, esse fato é o principal atrativo do bitcoin por fazer do mesmo o primeiro sistema de pagamento global totalmente descentralizado. Por ser uma criptomoeda o bitcoin utiliza-se de criptografia de chave pública e privadas para registrar todas as transações efetuadas pelo usuário, todas as transações que ocorrem na economia bitcoin ficam registradas em um “blockchain” simplesmente o grande banco de dados da rede bitcoin. Bitcoin pode representar várias coisas para diferentes pessoas, por exemplo, para um simples usuário que bitcoin é uma simples forma de dinheiro assim como o dólar, ou o real, só que puramente digital. Já para um usuário perito em TI podemos dizer que bitcoin é simplesmente dados de uma rede P2P que utiliza de criptografia para gerar dados que são utilizados com moeda. São infinitas as formas de se explicar e varia de acordo com cada ramo de atuação e realidade de cada pessoa, mas sem dúvida é uma tecnologia revolucionária e isso independe de qualquer interpretação5.

UNIDADE MONETÁRIA:A unidade de conta do sistema Bitcoin é o “bitcoin”. Os símbolos usados para representar o bitcoin são BTC, XBT e .6 Pequenas quantidades de bitcoin usadas como unidades alternativas são o milibitcoin (mBTC), microbitcoin (µBTC) e satoshi. Nomeado em homenagem ao criador do bitcoin, um satoshi é a menor quantidade do sistema, representando 0,00000001 bitcoin, um centésimo de milionésimo de um bitcoin. Um milibitcoin equivale a 0,001 bitcoin, que é um milésimo de bitcoin.7 Um microbitcoin equivale a 0,000001 bitcoin, que é um milionésimo de bitcoin. Um microbitcoin às vezes é chamado também de um bit. Em sete de outubro de 2014, a Fundação Bitcoin divulgou um plano para inscrever o bitcoin para um código de moedas ISO 4217, e mencionou o BTC e XBT como os candidatos principais.

A MINERAÇÃO: Pelo fato de não ser emitido por uma autoridade central, o bitcoin é obtido por um processo denominado “mineração”. E, para esse procedimento, é necessário ter um computador poderoso, dotado do software adequado para extrair bitcoins e ligado em rede a um conjunto de outros computadores pertencentes a outros proprietários ou organizações que realizam esta atividade. A “mineração” é a base do sistema bitcoin, tornando-se importante para a estratégia de crescimento da moeda, desenhada pelos primeiros programadores a dominarem seu código. Contudo, a estratégia de conseguir bitcoins por meio da mineração tende a render menos justamente devido ao crescimento da rede.

 

PARES DE CHAVES: O sistema bitcoin funciona de maneira completamente diferente ao sistema bancário tradicional. Muitas pessoas assumem erroneamente, por analogia, que endereços bitcoins são equivalentes a contas bancárias tradicionais e que

as carteiras bitcoin equivalem à carteira de bolso. No entanto, a base para o entendimento do sistema bitcoin é o conhecimento da criptografia de chave pública, na qual duas chaves criptográficas, uma pública e uma privada são geradas. Uma das chaves é secreta (a chave privada) e a outra é pública (a chave pública, distribuída na forma de um endereço bitcoin). Apesar de diferentes, as duas partes desse par de chaves são matematicamente ligadas.

Chave Privada: Um endereço bitcoin sempre é criado em conjunto com a sua chave privada. Ou seja, a criação de endereços bitcoin sempre envolve a geração de um par de chaves, uma pública (o endereço público) e uma privada (a chave privada). Para cada endereço criado, existe uma única chave privada associada a ele, que seria o equivalente a uma “senha”. A chave privada é obrigatória para que se possa fazer (assinar) transações gastando os bitcoins associados ao endereço associado a ela. As chaves privadas dos endereços geralmente são representadas através de uma sequência aleatória de números e letras maiúsculas e minúsculas. Uma chave privada tem 51 a 52 caracteres de comprimento, e inicia com 5 (cinco), L ou K.

Exemplo de chave privada (de um endereço bitcoin):

5KGLdkfgmngkgj5gtdd9fhhuj8ghjkkd2sttyhiuyfbmlp6dsti

Tendo em posse a chave privada, é fácil descobrir-se o endereço público associado. No entanto, tendo em posse o endereço público, é extremamente difícil descobrir-se a chave privada associada.

Chave Pública: A chave pública corresponde à chave que é distribuída abertamente para receber os pagamentos. Ela pode ser não comprimida ou comprimida.

Exemplo de chave pública:

022THTOhtyuopRT5268POIKGMGFKLDLROkyjh69GKRJS5GJGHAFLV8G6EWS3ITG63GFDE

Para facilitar a distribuição e leitura, os endereços bitcoin são derivados de chaves públicas. Eles servem como identificação do remetente e destinatário para as transações (pagamentos). Eles geralmente são representados através de uma sequência aleatória de números e letras maiúsculas e minúsculas. Um endereço tem geralmente 33 caracteres de comprimento, mas esse número pode variar para mais ou para menos. Os endereços não são equivalentes a contas bancárias. Cada endereço contido na cadeia de blocos tem ou já teve, pelo menos alguma vez, alguma quantidade de bitcoins associado a ele. Em sua forma mais simples (criptografia simétrica) a ideia básica consiste em converter uma informação em algo que não faça qualquer sentido,

usando um alvitre conhecido tanto pelo remetente quanto pelo destinatário (chave) de modo que este último possa reconstituir a mensagem original, usando a mesma chave. É coisa antiga. A forma mais simples foi empregada por Júlio César para se comunicar com suas tropas usando mensagens escritas portadas por mensageiros.

A criptografia de chave pública garante que todos os computadores na rede tenham um registro constantemente atualizado e verificado de todas as transações dentro da rede Bitcoin, o que impede o gasto duplo e qualquer tipo de fraude.

AS CARTEIRAS: Uma carteira bitcoin armazena as informações que são necessárias para se fazer transações com bitcoin. Embora as carteiras frequentemente sejam descritas como um lugar para guardar, carregar ou armazenar bitcoins, uma melhor maneira de se descrever uma carteira de bitcoins seria a de armazenar as credenciais digitais que permitem que o usuário use os seus fundos bitcoin. Como a tecnologia Bitcoin usa criptografia de chave pública, na qual duas chaves criptográficas, uma pública e uma privada, são geradas, a melhor analogia para uma carteira seria a de um chaveiro, ou seja, uma coleção das chaves privadas secretas (e seus respectivos endereços bitcoin). Existem vários tipos de carteiras, que geralmente são dívidas nos subgrupos.

Carteiras de software podem conter todas as transações gravadas na blockchain ou apenas um subconjunto. As carteiras em nuvem criam um login criptografado após seu registro, que deverá ser devidamente guardado, pois será solicitado a cada novo acesso à sua carteira, podendo confirmar seu acesso por e-mail, celular ou keycode. Dentro da carteira é fornecido um endereço codificado para que envie suas moedas digitais. Existem muitas carteiras em nuvens; entre elas, a Blockchain, Dogechain, Bitcoin Wallet, Bitcoin Core., entre outras. Qualquer uma delas é utilizada como se fosse um banco que guarda seu dinheiro, porém existe um valor a ser cobrado por elas a cada nova operação; estas taxas são cobradas em moeda bitcoin de acordo com a operação a ser realizada, e o valor passa a ser transferido em cada transação.

A vantagem da carteira em nuvem é que, após o envio de suas moedas para que sejam guardadas, estas não perdem os valores, porque ficam armazenadas em nuvem e podem ser acessadas em qualquer local que tenha conexão com a internet. A desvantagem é justamente a cobrança de taxas em cada operação realizada para a retirada de suas moedas, e não se deve nunca as acessar em outros computadores ou mobile que não sejam seus, pois estes podem ser facilmente hackeados.

BLOCKCHAIN: No âmbito da moeda virtual Bitcoin, um blockchain é a estrutura de dados que representa uma entrada de contabilidade financeira ou um registro de uma transação. Cada transação é digitalmente assinada com o objetivo de garantir sua

autenticidade e garantir que ninguém a adultere, de forma que o próprio registro e as transações existentes dentro dele sejam considerados de alta integridade. O banco de dados blockchain consiste em dois tipos de registros: transações individuais e blocos. Um bloco é a parte atual da blockchain onde são registradas algumas ou todas as transações mais recentes e uma vez concluído é guardado na blockchain como banco de dados permanente. Toda vez que um bloco é concluído um novo é gerado. Existe um número incontável de blocos na blockchain que são linkados uns aos outros – como uma cadeia – onde cada bloco contém uma referência para o bloco anterior. Sendo a base tecnológica das criptomoedas, a blockchain tem recebido o interesse de bancos, empresas e organizações governamentais. Desde então, modificações têm sido feitas a partir da versão original e novas aplicações têm sido atreladas à blockchain. A verdadeira mágica vem, contudo, através do fato dessas entradas digitais de registro serem distribuídas entre uma implantação ou infraestrutura. Esses nós e camadas adicionais na infraestrutura servem ao propósito de fornecer um consenso sobre o estado de uma transação a qualquer momento, pois todos esses nós e camadas têm cópias dos registros autenticados distribuídos entre eles. Quando uma nova transação ou uma correção de transação existente é recebida, geralmente grande parte dos nós dentro de uma implementação de blockchain deve executar alguns algoritmos e, essencialmente, avaliar e verificar o histórico do bloco do blockchain individual que é proposto e, assim, chegar ao consenso de que o histórico e a assinatura são válidos, para depois permitir que a nova transação seja aceita no registro e um novo bloco seja adicionado à cadeia de transações. Caso a maior parte dos nós não reconheça a adição ou modificação da entrada de registro, tal entrada é negada e não é adicionada à cadeia. Esse modelo de consenso distribuído é o que permite que o blockchain funcione como um registro distribuído sem a necessidade de que uma autoridade central diga quais transações são válidas e (talvez mais importante) e quais não são.

AS VANTAGENS DA NOVA MOEDA: Como Bitcoin facilita transações diretas sem um terceiro, ele remove cobranças custosas que acompanham as transações com cartões de crédito. O Founders Fund, um fundo de venture capital encabeçado por Peter Thiel, do PayPal e Facebook, recentemente investiu 3 milhões de dólares na companhia de processamento de pagamentos BitPay, por causa da habilidade do serviço em reduzir os custos no comércio online internacional. De fato, pequenos negócios já começaram a aceitar bitcoins como uma forma de evitar os custos de operar com empresas de cartões de crédito. Outros adotaram a moeda pela sua velocidade e eficiência em facilitar as transações. O Bitcoin provavelmente continuará a reduzir os custos de transações das empresas que o aceitam à medida que mais e mais pessoas o adotem. Aceitar pagamentos com cartões de crédito também sujeita as empresas ao

risco de fraude de estorno de pagamentos (charge-back fraud). Há muito que comerciantes têm sido infestados por estornos fraudulentos, ou reversões de pagamentos iniciadas por clientes, baseados no falso pretexto de que o produto não foi entregue8 . Comerciantes, portanto, podem perder o pagamento pelo item vendido, além do próprio item, e ainda terão de pagar uma taxa pelo estorno. Como um sistema de pagamentos não reversível, o Bitcoin elimina a “fraude amigável” acarretada pelo mau uso de estornos de consumidores.

MAIORES DESVANTAGENS: Quem investe em criptomoedas pode sofrer com a especulação, além de hoje possuir poucas empresas e comércios no mundo que aceitam essa forma de pagamento. Vale ressaltar também a questão da não regulamentação por autoridades federais sobre o tema.

QUANTIDADE LIMITADA: Existe uma quantidade de bitcoins a serem criados: 21 milhões, sendo que, 18,5 milhões já estão sendo utilizados e outros 2,5 milhões ainda serão minerados.

É CRIME USAR? No Brasil, temos o que chamamos de princípio da legalidade. Ou seja, podemos fazer tudo aquilo que a lei não proíbe. E, como não existe nenhuma lei que proíba transações com moedas digitais no país, é possível usá-las sem ter grandes problemas com a justiça. Vale destacar que o Banco Central emitiu parecer dizendo que a princípio não irá regulamentar a moeda nem para garantir regras claras para seu uso, e muito menos para eliminá-la. Porém é preciso lembrar que o uso da criptomoeda não pode estar associado com crimes previstos na legislação local.

 

PERDI! ONDE VOU RECLAMAR? Quem utiliza bitcoins deve estar muito atento para não os apagar (chave privada) em caso de armazenagem em disco rígido, esquecer senhas e códigos secretos que protegem a carteira virtual. Ainda não é possível fazer cópias de segurança das moedas digitais para outros computadores (da mesma forma que não podemos fazer cópias de nosso dinheiro em vários bancos). Se perder, não há proteção de nenhum órgão estatal que possa exigir a restituição de suas moedas pela rede, tendo em vista que a moeda digital não é regulamentada.

 

A RECEITA FEDERAL QUER SABER: Desde 2014, a Receita Federal passou a disponibilizar um campo em seu formulário de declaração do Imposto de Renda no qual é possível declarar a posse de criptomoedas e eventuais lucros provenientes de transações com elas. E, se for o caso, pagar o valor do imposto equivalente. Mesmo quem não obteve nenhum ganho de capital está obrigado a informar o saldo em bitcoin.

 

RELAÇÃO COMPRA E VENDA: O Brasil estipula o curso forçado da moeda nacional, e, por conta da falta de regulamentação do bitcoin, ao pagar por um bem ou serviço utilizando o dinheiro virtual, o que está acontecendo de fato é uma permuta ou uma doação em pagamento e não uma relação de compra e venda.

 

ONDE COMPRAR E VENDER? Embora não fosse inicialmente muito conhecido, o Bitcoin atraiu muita atenção no mundo financeiro nos últimos anos.9 Com esse novo número de interessados, investir em bitcoins hoje em dia está muito mais fácil do que nos primórdios de sua criação.

Não há bancos que aceitam bitcoins em suas transações ainda, e para a movimentação de bitcoins é necessária à utilização de empresas chamadas Bitcoins Forex ou Exchanges. No entanto, é válido ressaltar que esse não é um tipo tradicional de investimento, como ações no mercado financeiro, onde o investidor pode consultar o histórico e balanços financeiros de uma empresa antes de fazer a aplicação do dinheiro. Na verdade, o bitcoin é uma moeda extremamente instável e é fundamental que o investidor entenda todos os riscos envolvidos antes de decidir pelo investimento. Recentemente, várias grandes empresas começaram a aceitar BTC como forma de pagamento. Embora elas ainda sejam minoria, alguns dos maiores varejistas online já aderiram a essa nova tendência.10 Para os profissionais mais experientes no mercado digital é possível fazer os bitcoins disponíveis em suas carteiras renderem mais os comprando quando a cotação estiver baixa e gastando-os quando ela estiver alta. Depois disso, pode vender os itens comprados para obter um lucro ou simplesmente guardá-los.

Um comerciante que aceite bitcoin em forma de pagamento por seus produtos tem duas opções: ficar com a criptomoeda e esperar ela se valorizar, ou pode receber em reais, utilizando o serviços de algumas empresas que fazem a conversão para a conta do comerciante parecida com as transações feitas com cartões de débito e crédito. Normalmente, há uma pequena taxa associada ao uso desses serviços. É importante ressaltar que esse processo não costuma ser muito rápido. Na verdade, existem vários relatos de casos em que esses sites demoraram muito tempo para concluir a transação, principalmente se comparados às demais alternativas.

ONDE USAR MEUS BITCOINS: O TagCity é o primeiro aplicativo de buscas que mostra locais em todo o mundo que aceitam Bitcoin como forma de pagamento. Disponível para Android e iOS, o app foi lançado nos Estados Unidos no início de setembro de 2019 e agora chega ao Brasil e a Europa.

O projeto, na verdade, é brasileiro. Desenvolvido com tecnologia nacional, o TagCity foi criado pela empresa homônima que é a primeira da América Latina a ser escolhida para fazer parte da maior aceleradora de startups do mundo no que diz respeito à IoT, que é o laboratório Read and Write. O app tem download gratuito e é fácil de usar, permitindo que qualquer pessoa descubra rapidamente um local que aceite Bitcoins. Outro site com várias informações sobre a nova moeda e a verificação de lugares onde é aceita é o coinmap.org.

OS CONCORRENTES DA NOVA MOEDA: Desde que Satoshi Nakamoto criou a moeda em 2008, uma proliferação de empresas e desenvolvedores vem tentando criar algo parecido, e novas moedas vêm surgindo onde são denominadas de altcoins. Portanto altcoins são moedas digitais que surgiram a partir da bitcoin, que foi a primeira das criptomoedas. Em sua maioria, as altcoins surgiam a partir de modificações de código-fonte da bitcoin e com o objetivo de alterar alguns parâmetros internos da rede bitcoin, trazendo melhorias ao adicionar novas características. As altcoins têm funcionalidades muito similares às da bitcoin, porém apresentam algumas vantagens em relação à bitcoin, como por exemplo, o tempo de realização de transações, e a criptografia, que é melhor. Algumas criptomoedas surgiram com finalidades diferentes e inovações tecnológicas, como é o caso do Etherum. O objetivo principal do empreendimento era programar acordos vinculativos dentro da própria blockchain. Isso encarnou no agora popular recurso de contrato inteligente (smart contract). Curiosamente, Ethereum não é apenas uma moeda. É uma plataforma blockchain movida pela criptomoeda Ether. O New York Times descreve a tecnologia como “um único computador compartilhado que é executado pela rede de usuários e em que os recursos são parcelados e pagos por Ether”. Apesar de o etherum ser o maior rival do bitcoin, atualmente existe mais de cinco mil moedas digitais; muitas não têm um valor de mercado alto ou mesmo próximo ao da bitcoin, mas algumas já estão ganhando notoriedade no mercado, que tem aumentado seu valor gradativamente.

O FUTURO: Em sua curta existência até aqui, o dinheiro 2.0 demonstrou um potencial enorme para facilitar as transações pela internet. E, mais ainda, reduzir os custos de quem precisa comprar vender ou simplesmente enviar dinheiro a um parente do outro lado do mundo. Além disso, abre caminhos para que o usuário decida por si próprio como vai movimentar seu patrimônio e o que vai fazer com ele, uma vez que não tem nenhuma autoridade monetária impondo regras para o uso dos valores depositados numa carteira de bitcoin ou da maioria das moedas digitais que surgiram inspirados em seu conceito.

Contudo, a própria natureza das criptomoedas e toda a complexidade que envolve seu funcionamento dificultam que se chegue a uma definição sobre se ela deve ou não ser tratada como dinheiro convencional, meio de pagamento eletrônico ou apenas uma nova forma das pessoas fazerem trocas pela internet. É possível acreditar que, em algum momento, legisladores e outras autoridades chegarão a termos que permitam formalizar e regular a criptomoeda e duas descendentes. As discussões na maioria dos países ainda parecem incipientes, mas tão logo essa tendência comece a impactar as economias ao redor do mundo, especialmente as mais importantes, é bem provável que esse processo regulatório seja acelerado.

Muitos especialistas questionam se o bitcoin seria uma bolha ou futuro das transações. Essa é uma resposta definitiva, e apesar dos inúmeros palpites sobre o futuro do bitcoin, é possível acreditar que a grande contribuição do bitcoin foi cultural. E mesmo que a moeda e seu conceito libertário não se mantenham, ela terá deixado um legado importante para o futuro do dinheiro digital. O bitcoin conseguiu unir uma enorme rede de pessoas, envolvê-las em uma causa, interconectando-as em uma comunidade de usuários e desenvolvedores da nova economia digital. Mesmo assim, o bitcoin assim como as suas derivadas, está restrito a um nicho bem pequeno de usuários, e para se chegar ao patamar das principais moedas convencionais, como dólar e euro, terá que vencer obstáculos tanto no campo tecnológico, quanto regulatório.

E por fim, precisará conquistar a confiança de milhões de pessoas e empresas que transacionam todos os dias por meio do sistema financeiro convencional. Um dos maiores desafios a serem vencidos nesse percurso é resolver o problema da alta volatilidade da moeda. Há uma grande suspeita de que milhares de chineses estejam especulando o bitcoin. Outra questão importante para que a economia baseada na criptomoeda se consolide é resolver os problemas de uso do seu sistema por criminosos virtuais. Por todos esses motivos, há quem defenda a tese de que o bitcoin seguirá o caminho trilhado por muitos outros produtos de sucesso: o pioneiro raramente se torna líder do mercado, mas abre caminho para sucessores que ocupam essa posição.

Assim como a Coca-Cola não inventou o refrigerante o Google não foi o primeiro buscador da web, e nem é o único, essas e outras empresas de sucesso não inventaram seus produtos, mas tiveram sucesso em um mercado após alguém fomentar aquele nicho. Assim, uma das apostas mais fortes entre especialistas na moeda digital é que ela seja ultrapassada por uma nova criptomoeda, e mesmo que sobreviva, é bem provável que passe por regulações em diversos países e mude tanto seu conceito original que se torne uma nova moeda. Mas uma coisa é fato: o bitcoin pavimentou uma estrada que parece sem volta para que seu dinheiro, em um futuro muito próximo, seja formado por uma combinação de zero e um.

1 Hildebrando Matheus é administrador; possui MBA Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós-graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formado em Financial Advisory (Proseek), Especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

2 Relatório do Conselho de Supervisão de Estabilidade Financeira Americana 2016.

3 Satoshi’s posts to Cryptography mailing list.

4 SourceForge.net: Bitcoin.

5 ULRICH, Fernando. BITCOIN – A moeda na era digital. Disponível em: http://mises.org.br/files/literature/MisesBrasil_BITCOIN_BROCHURA.pdf Acesso em: 26 de setembro de 2017.

6 Regulation of Bitcoin in Selected Jurisdictions.

7 Bitcoin your way to a double espresso.

8 MALTBY, Emily. Chargebacks Create Business Headaches. Wall Street Journal, 10 fev. 2011.

9 Basics For Buying And Investing In Bitcoin.

10 Who Accepts Bitcoins As Payment? List of Companies, Stores, Shops. Guia Mundo em Foco Especial Atualidades: Bitcoin. 2ºEdição São Paulo, 2017. NAKAMOTO, Satoshi. Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System. Disponível em: Acesso em 07 de setembro 2017. SILVA, Simone F – Descobrindo a Bitcoin. 1º ed. São Paulo: Novatec, 2017. JUNIOR, Osman Ximenes Torres. Tecnologia de suporte ao conceito de criptomoeda. Disponível em http://bitcoin.org/bitcoin.pdf Acesso em: 22 de agosto de 2017.

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Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.
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