Caderneta de Poupança, Tesouro Direto e CDB. O que é? Como funcionam?

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus Pinheiro…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

Caderneta de Poupança, Tesouro Direto e CDB. O que é? Como funcionam?

Hildebrando Matheus[i]

João Pedro Kowalski[ii]

No Brasil, a caderneta de poupança, ou simples poupança, é o meio mais tradicional para se guardar dinheiro, famosa por muito tempo pela sua segurança e resgate diário.

A caderneta de poupança[iii] foi criada pelo Imperador Dom Pedro II em 1861 com o decreto que instituiu a Caixa Econômica Federal, que tinha na época o único objetivo de remunerar depósitos com juros de 6% ao ano sob a garantia do governo imperial. Desde aquele tempo, seu objetivo era “receber, a juros de 6%, as pequenas economias das classes menos abastadas e de assegurar, sob garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que pertencer a cada contribuinte, quando este o reclamar. ” Desde o início, a finalidade da poupança foi socorrer as camadas menos favorecidas da população para que poupassem dinheiro! No período em análise, aos escravos também foi dado o direito de ter uma caderneta de poupança.

A poupança foi um dos poucos lugares seguros para se deixar dinheiro, no longo período inflacionário brasileiro. Entre agosto de 1964 e junho de 1994, a caderneta de poupança entregava a inflação do período e ainda mais juros de 0,5% ano/mês. Ou seja, naquele período, quem tivesse dinheiro na poupança estava protegido da inflação.  Porém, nem tudo são flores. A credibilidade da poupança foi arranhada com a redução da correção monetária durante o Plano Cruzado. E depois, pelo duro golpe do congelamento da liquidez durante o Plano Collor, assim, seu benefício da segurança ficou manchado.

Antes de 2012, a poupança era tida como um investimento com rentabilidade anual de pouco mais de 6% ao ano. Em 2012, a legislação brasileira determinou que os depósitos na caderneta de poupança realizados até 3 de maio de 2012 (que passaram a ser conhecidos à época como poupança antiga), continuem recebendo remuneração adicional de 0,5% ao mês (além da remuneração básica); e os depósitos realizados a partir de 4 de maio de 2012 (a então nova poupança), receberiam uma remuneração adicional, variável, de acordo com a meta da taxa Selic. Com essas alterações, a rentabilidade adicional da caderneta de poupança passou a ficar sujeita às variações da taxa SELIC, porém se mantinha limitada a 0,5% ao mês durante períodos de altas taxas de juros.

Muitos adquirem cadernetas de poupança para os filhos, acreditando que é a melhor forma de poupar dinheiro para eles. Prova disso é que, de acordo com o Banco Central, em 2020 a poupança teve recorde nas suas aplicações, alcançando o valor de 166,3 bilhões de reais[iv].

Entendendo de juros e inflação, percebe-se que a poupança não é a melhor opção para guardar dinheiro, visto que existem alternativas melhores e mais seguras como veremos a seguir.

Para ilustrar de uma maneira mais clara, vamos ao exemplo disponibilizado pelo site Mercado Financeiro:

Na poupança, a regra é a seguinte:

  • Se a taxa Selic (a taxa básica de juros da economia) estiver acima de 8,5% a.a.: a poupança rende 0,5% ao mês sobre o valor depositado + Taxa Referencial (que hoje é de 0%)
  • Se a taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% a.a.: a poupança rende 70% da Selic + Taxa Referencial (que hoje é de 0%)

Por outro lado, se você investir no Tesouro Selic, que tem resgate em 1 dia útil e segurança, o seu dinheiro vai render 100% da taxa Selic.

  • Se o resgate acontecer durante os 180 primeiros dias, você vai pagar 22,5% de IR sobre o rendimento. Ou seja, seu dinheiro vai render aproximadamente 77,5% da taxa Selic. Esse é o “pior” dos cenários.
  • Agora, se o resgate acontecer acima de 720 dias, você vai pagar 15% de IR sobre o valor. Nesse caso, no melhor dos cenários, seu dinheiro vai render 85% da taxa Selic.

Moral da história: A mesma segurança, porém o Tesouro Selic rendendo mais, o que você prefere? E mesmo a poupança sendo isenta de IR, não compensa deixar seu dinheiro lá. O Tesouro Selic, por exemplo, é muito mais vantajoso[v]

Vamos para outra modalidade muito parecida, e podendo ser ainda melhor.

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a B3 para a venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, de forma 100% on-line e segura. Lançado em 2002, o programa surgiu com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos, permitindo aplicações a partir de R$30,00.

Comprando esses “papeis”, o governo passa a ser seu devedor e se compromete a pagar o empréstimo mais os juros decorrentes dele na chamada data de vencimento ou resgate do título. Essa é uma forma da União regular a oferta da moeda no mercado e de conseguir recursos para financiar atividades do governo federal, como educação, saúde e infraestrutura.

O Tesouro Direto é uma excelente alternativa de investimento pois oferece títulos com diferentes tipos de rentabilidade (prefixada, ligada à variação da inflação ou à variação da taxa de juros básica da economia – Selic), diferentes prazos de vencimento e diferentes fluxos de remuneração. Os investimentos em títulos públicos, por meio do Programa Tesouro Direto, são 100% garantidos pelo Tesouro Nacional, ou seja, são os investimentos mais seguros do país.

Para adquirir títulos públicos no Tesouro Direto é necessário possuir Cadastro de Pessoa Física (CPF) regular e conta corrente em qualquer instituição habilitada no programa. Primeiramente, o investidor deve se cadastrar em um dos Agentes de Custódia habilitados. Há uma lista disponível no site do Tesouro Direto com o nome de todos os agentes cadastrados. O limite mínimo de compra por investidor é R$ 30,00 e o máximo de R$ 1 milhão por mês. Não há limites quanto à manutenção de estoque de títulos públicos, ou seja, o investidor pode acumular o valor referente à aquisição do limite máximo de R$ 1 milhão todos os meses. Nos meses de pagamento de juros e resgate dos títulos públicos adquiridos no Tesouro Direto, o valor resgatado ou pago em juros é somado ao limite máximo mensal de R$ 1 milhão por mês.

Tipos de Títulos Ofertados: Existem dois tipos de títulos públicos, de acordo com a rentabilidade oferecida: os prefixados e os pós-fixados.

Prefixados
Os títulos prefixados possuem rentabilidade definida no momento do investimento. Ou seja, o investidor sabe exatamente o valor que irá receber se ficar com o título até a data do vencimento.

Pós-fixados
Os títulos pós-fixados possuem seu valor corrigido por um indexador. Assim, a rentabilidade da aplicação depende do desempenho deste indexador (inflação ou juros, por exemplo), e da taxa contratada no momento da compra.

Tesouro Prefixado 20XX* (LTN)

Prefixado, com rentabilidade definida no momento da compra.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 20XX (NTN-F)

Prefixado, com rentabilidade definida no momento da compra e com pagamento de juros semestrais.

Tesouro Selic 20XX (LFT)

Pós-fixado, com rentabilidade vinculada à variação da Taxa de Juro Selic.

Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 20XX (NTN-B)

Pós-fixado, com rentabilidade vinculada à variação da inflação medida pelo IPCA, acrescida dos juros definidos no momento da compra e com pagamento de juros semestrais.

Tesouro IPCA+ 20XX (NTN-B Principal)

Pós-fixado, com rentabilidade vinculada à variação da inflação medida pelo IPCA, acrescida dos juros definidos no momento da compra, sem pagamento de juros periódico.

*O XX indica o ano de vencimento de cada título.
Além dos títulos citados, há também a Nota do Tesouro Nacional Série C (NTN-C), pós-fixada, vinculada à variação da inflação medida pelo IGP-M. No entanto, não está autorizada para investimento, apenas para resgate de quem já as possui como aplicação.[vi]

 

Vale salientar que os títulos do tesouro, exceto o Tesouro Selic, possuem marcação a mercado, isso significa que suas taxas flutuam de acordo com a expectativa de juros futuros e que as taxas são inversamente proporcionais aos preços dos títulos, ou seja, quando a taxa de um determinado título sobe, seu preço cai e quando a taxa cai, seu preço sobe. Isso abre margem para um certo tipo de especulação no tesouro direto, onde muitos investidores se aproveitam das oscilações das taxas por conta da marcação a mercado para obterem lucros maiores sem terem de levar os títulos até o vencimento.

O Tesouro Selic, por não possuir marcação a mercado é considerado o título mais conservador. Além disso, pelo fato de possuir liquidez em D+1 esse título serve como uma boa porta de entrada para novos investidores que buscam alternativas mais rentáveis à poupança e pode ser considerado na composição da reserva de emergência.

Vantagens:

  • Os títulos públicos são considerados investimentos de baixíssimo risco pelo mercado financeiro, pois contam com garantia do Tesouro Nacional.
  • Opção inteligente para poupar dinheiro, ao optar por títulos remunerados por índices de preços, fazendo assim seu dinheiro acompanhar a inflação;
  • Possibilidade de diversificar os investimentos, obtendo variadas rentabilidades, como pós-fixadas(pela taxa básica da economia), prefixadas e remuneradas por índices de preços como o IPCA;
  • Os investimentos podem ser gerenciados com comodidade, segurança e tranquilidade;
  • A liquidez é garantida pelo Tesouro Nacional;
  • Excelente opção em termos de rentabilidade;
  • Taxas de custódia muito baixas;
  • O investidor tem maior poder de tomada de decisão e controle do patrimônio;

 

 

Para conhecer e simular valores de aplicação no Tesouro Direto, acesse o site oficial: https://www.tesourodireto.com.br/

 

CDB:

O que acha de emprestar seu dinheiro para um grande banco? Os Certificados de Depósitos Bancários (CDB) são títulos emitidos pelos bancos, que pagam taxas de juros no vencimento. Comprar o CDB é como se você estivesse emprestando dinheiro ao banco. O banco paga determinada taxa de juros para você e usa esse dinheiro para conceder empréstimos para outras pessoas, cobrando uma taxa de juros maior delas. A taxa de juros pode ser pré ou pós-fixada.

Remuneração pré-fixada

Os CDBs com remuneração pré-fixada são títulos cuja rentabilidade final pode ser determinada no momento da aplicação. Tal rentabilidade normalmente é descrita indicando a remuneração do título em intervalos comuns de tempo, como uma taxa de juros a ser aplicada mensal ou anualmente sobre o montante aplicado (por exemplo, 1% ao mês, 15% ao ano etc.). Assim, a rentabilidade final do título pode ser determinada no momento da aplicação calculando os juros compostos da taxa acordada considerando o período em que o dinheiro permanecerá aplicado.

Remuneração pós-fixada

Os CDBs com remuneração pós-fixada são títulos cuja rentabilidade não pode ser determinada com momento da aplicação, pois sua remuneração está associada ao desempenho de indicadores da economia, como o CDI, SELIC, IPCA, IGPM, entre outros.

A rentabilidade desses títulos normalmente é descrita apresentando a fórmula que será utilizada para o cálculo da rentabilidade final em função de um indicador econômico previamente selecionado (por exemplo, IPCA + 5% a.a., 110% do CDI etc.).

Como o desempenho dos indicares econômicos dependem de análises que serão realizadas no futuro, não é possível determinar com precisão o valor da remuneração final desses títulos, sendo possível apenas estimá-lo através de previsões de mercado.

O investimento mínimo para aplicação em CDB pode variar conforme o título. Em alguns casos, podem existir títulos que aceitem a partir de R$ 1,00. Em outros, o investimento mínimo pode ser R$ 100,00 ou valores bem maiores, como R$ 3.000,00 a depender do emissor.

Para adquirir um CDB, você pode verificar diretamente em sua agência bancária ou nos canais de comunicação do seu banco e em outras instituições financeiras que ofereçam essa modalidade de investimento.

Vantagens:

Para os investidores, os principais atrativos do CDB estão na possibilidade de contratação do ativo com liquidez diária e o fato do instrumento ser elegível à cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O risco de quem adquire um CDB está diretamente associado à solidez de seu emissor, uma instituição financeira.

Desvantagens:

Quem investe em CDB está sujeito ao pagamento do Imposto de Renda conforme tabela regressiva que varia entre 22,5% para resgate em até 180 dias para 15% acima de 720 dias.  Existe também a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Contudo, ela incide apenas sobre investimentos inferiores a 30 dias e a alíquota diminui a cada dia.

Moral da história:

Como podemos ver existem várias modalidades de investimentos além da famosa caderneta de poupança que como explicado, acaba por não dar maiores rendimentos se comparado ao índice de inflação. O que acontece no Brasil é a chamada cultura enraizada, visto que a maior parte da população tem essa modalidade de investimento por ser passada de geração em geração como algo bom e rentável. Para se ter uma ideia, a maior rentabilidade já registrada na poupança foi de 51,9962% no mês, para aplicações realizadas em 4 de abril de 1994, com resgate em 4 de maio de 1994. No entanto, desde a implementação do Plano Real em 1994, a remuneração mensal da poupança vem sofrendo quedas devido à instauração de políticas públicas de controle da inflação e sua remuneração não ultrapassa a margem de 1% ao mês desde 2003, quando registrou pela última vez rentabilidade de 1,0011%. Então o conselho que fica é que se algo em sua vida não está sendo bom, porém foi passada em gerações em sua família, é seu dever quebrar esse ciclo.

O dinheiro é um meio para viver – que não deve ser confundido com a razão da vida. Ninguém vive para comer, mas é necessário comer para viver. Por isso, é fundamental a preocupação com o que comeremos amanhã e com a comida que nossos descendentes terão no futuro. Assim deve ser com o dinheiro. Em uma sociedade moderna, dinheiro é essencial para a vida.

Assim, devemos guardar um pouco quando temos, para podermos consumir se um dia faltar e por esta razão ele deverá estar investido em uma modalidade de maior rentabilidade. Os juros são considerados a maior força do universo, e uma coisa é fato: Juros: quem conhece recebe, já quem não conhece, paga.

[i] Administrador; Pós-graduação em CFO (Chief Financial Officer) IBEF-PR / Universidade Positivo, possui MBA em Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós-graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formação em Specialist: Financial Advisory (Proseek), e especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

[ii] Graduando em Ciências Econômicas; SDR na EQI Investimentos; Certificado ANCORD AAI, CPA-20 (ANBIMA), Contabilidade Empresarial (Fundação Bradesco), Inbound Marketing (HubSpot), Inside Sales (RD University).

[iii] https://pt.wikipedia.org/wiki/Caderneta_de_poupan%C3%A7a

[iv] https://www.istoedinheiro.com.br/poupanca-tem-captacao-recorde-de-r-16631-bi-em-2020/

[v] https://www.mundofinanceiro.com.br/sera-que-vale-a-pena-investir-poupanca/

[vi] https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/tesouro-direto/informacoes-tecnicas.htm

 

Previous ArticleNext Article
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.
[post_explorer post_id="794228" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]