Clube de investimento: quer entender melhor?

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

 

Do escritor do instituto PMIF Hildebrando Matheus…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir.

Vamos aos diálogos da semana:

CLUBE DE INVESTIMENTO: entenda melhor…

Certamente você já deve ter ouvido a expressão popular “A união faz a força”. Uma modalidade de investimento que vamos discutir hoje pode comprovar tal ditado, são os chamados Clubes de Investimento.

Investidores mais experientes e gestores de recursos já concluíram que o investimento através de Clubes de Investimento apresenta-se como uma das alternativas mais práticas e vantajosas para quem deseja formar uma reserva financeira para o futuro e conquistar a tão almejada independência financeira.

                     Considerados a porta de entrada para o mercado de capitais, os Clubes apresentam diversas vantagens em relação à possibilidade de investir individualmente. Quem quiser ser cotista de um Clube de Investimento pode iniciar com valores pequenos, sem comprometer grande parte de seus recursos, e a partir de sua própria vivência no mercado ir fazendo aportes adicionais, que a médio e longo prazo poderão fazer toda a diferença em seu futuro financeiro.

                   Comprovadamente, a rentabilidade dessas carteiras tem sido superior às alternativas mais tradicionais, como cadernetas de poupança, fundo de renda fixa ou investimento em imóveis. O processo de ingresso é muito simples, mediante cadastro e cópia dos documentos pessoais, não havendo prazo de carência, isto é, o investidor pode resgatar seus recursos a qualquer momento.

                   Através da participação em um clube de investimento, o cotista tem oportunidade de ser sócio das melhores empresas brasileiras, como por exemplo: Petrobras, Banco Itaú, Vale, Gerdau e Votorantim. E serão essas empresas, reconhecidas pela sua liderança de mercado, solidez financeira, potencial de crescimento e geração de lucros, que formarão o lastro de segurança ao investidor, pois além de contar com a valorização de suas participações, também receberá parte do lucro desses negócios sob formas de dividendos. Existem muitos clubes já em funcionamento, com um longo histórico de rentabilidade a apresentar e que são abertos a novos cotistas. Também é possível formar novos grupos, de colegas de trabalho, amigos, ou familiares, sendo necessário nesse caso três cotistas iniciais.

                 Os Clubes de Investimento devem sempre ser administrados por corretoras de valores, devidamente credenciadas pela CVM, estando elas através de seus consultores, habilitadas a orientar o investidor para que ele participe do mercado de forma consciente, segura e rentável.

Segundo Mauro Halfeld (2003)[i], trata-se de uma aposta na prosperidade do homem e em particular, do Brasil. Se você acredita que a nova geração será mais rica que a sua, invista na bolsa. Isso tem dado certo há muitos séculos.

Os primeiros clubes de investimento de que há registro, tiveram origem nos Estados Unidos da América. O clube de investimento mais antigo de que se tem conhecimento começou a operar no Texas em 1898, em um momento em que o mercado de capitais se encontrava em plena ebulição e que todos queriam uma fatia do grande mercado em expansão.

No Brasil, desde a década de 1970 há registros que indicam a formação de clubes de investimentos na B3[ii] quando pegaram o embalo do “milagre econômico”.

Trata-se de uma aplicação financeira criada por um grupo de pessoas que desejam investir seu dinheiro em ações das empresas, ou seja, tornar-se sócio delas. Outra grande diferença entre clubes de investimento e fundos de investimentos é que o clube pode ser composto por pessoas conhecidas como familiares e amigos sendo todas pessoas físicas, o que garante melhor relacionamento entre os investidores.

Não basta apenas reunir um grupo de pessoas para montar um clube, é preciso seguir algumas exigências da bolsa de valores para que o clube passe a operar.

Há certa preocupação sobre a denominação do clube, precisando que antes do nome, exista a denominação “Clube de Investimento”, antes mesmo da abertura, a B3 avaliará se o nome pode ser usado ou não, a consulta geralmente é feita pela administradora do clube. Depois é feito todos os procedimentos de registro na bolsa de valores, como também, o cadastro do gestor do clube na CVM. A Instrução CVM Nº 494 de abril de 2011 regula os clubes de investimentos no Brasil.

O clube de investimento é formado por no mínimo três pessoas e no máximo 50, cada membro não pode ter o percentual maior que 40% das cotas totais. Caso o clube não complete o número total de 50 pessoas, novos membros podem ser aceitos.

Na constituição dos clubes de investimento haverá, respectivamente, um administrador, um gestor e um custodiante, caso não seja o próprio administrador – além dos cotistas.

Deve-se deixar clara a ideia de que cada clube de investimento realiza suas operações de acordo com a intenção dos membros. Se membros querem operações mais arriscadas, devem deixar bem claro para outros membros como, com certeza, os membros que aderiram a esse clube já saibam antes de entrar que tal clube faz operações arriscadas. Como também, se um clube de investimento possui membros que são avessos a riscos maiores, com certeza suas operações terão certa cautela, como por exemplo, aplicação apenas em ações de blue chips.[iii]

Isto é tão importante que a bolsa coloca em seu tratado que a atuação do clube de investimento nos mercados requer a concordância de todos os quotistas, fundadores ou não, manifestada formalmente no termo de adesão ao clube.

Os clubes de investimento apresentam uma série de vantagens em relação aos Fundos de Investimentos, oferecidos pelos bancos, seguem algumas delas:

Carteira do Clube: É obrigatório que o clube de investimentos invista no mínimo 67% da carteira em ações ou semelhantes. Os 33% restantes devem ser investidos em ativos de renda fixa, como títulos públicos, e cotas de fundos de investimento de renda fixa.

Custo mais baixo: Com menos exigências de controles, os custos dos clubes são reduzidos. A manutenção também é barata e simples. Além disso, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão que regulamenta e audita as operações de mercados de capitais no Brasil, exerce um bom controle sobre operações dos clubes, exigindo que o administrador seja um profissional certificado e com no mínimo cinco anos de experiência, o que diminui a possibilidade de erros e fraudes.

Tributação: O imposto de renda dos clubes de investimentos é de 15% sobre ganho, semelhante aos fundos de investimento em ações. A cobrança é feita somente no resgate das cotas. Outra vantagem é que se o clube compra uma ação, e a revende posteriormente com lucro, não há necessidade de pagar imposto sobre o ganho, diferentemente como acontece a um investidor pessoa física.

Acessibilidades: Qualquer pessoa pode aplicar, mesmo que não tenha grandes recursos (muitos exigem como aplicação mínima de R$100,00), através de um clube de investimento.

Tranquilidade: Aplicando-se em clubes, cria-se o hábito de investir mensalmente. Dessa forma, esses investidores conseguem fazer com que suas aplicações mantenham-se teoricamente na média, o que é importante quando não é possível prever o melhor momento de investir. Além disso, muitos não têm tempo de acompanhar o mercado e querem apenas deixar o dinheiro rendendo por um longo período.

Diversificação: Uma grande vantagem é que com o volume maior, originado pela soma dos recursos de cada integrante do Clube, é possível diversificar a carteira de ativos, investindo em ações de diferentes empresas e setores da economia, com custos de transação proporcionalmente menores.

Participação Direta: Os clubes de investimento permitem, em princípio, que os envolvidos participem diretamente da sua gestão, o que, embora demande tempo e exija certa disciplina, constitui excelente forma de aprender como funciona o mercado. Essa pode ser uma excelente forma de analisar como os melhores atuam antes de se arriscar em grandes investimentos sozinho.

Transparência: A prestação de contas de um clube é uma das tarefas da instituição administradora, pois ela dispõe de todos os dados sobre as operações realizadas, composição da carteira, custódia dos títulos e participação dos sócios no clube. É ela quem vai remeter, mensalmente pelo correio ou por meio eletrônico (dependendo do que definir o estatuto), os números relativos ao desempenho das aplicações e
à posição patrimonial de cada participante. Pelo menos uma vez por ano, a administradora também deve divulgar as demonstrações financeiras do clube relativas ao exercício.

Riscos: A falta de legislação em muitos países que ampare e regule a constituição, objetivos e principalmente a gestão do fundo comum, é uma preocupação séria na medida em que facilmente o clube de investimento pode ser utilizado como veículo a atividades de consultoria ou intermediação financeira não autorizada. Para além de que, pela falta de limites legais na gestão do fundo comum, esta poderá ser gravemente descuidada e traduzir em elevados prejuízos para todos os membros.

Um grupo grande pode tornar mais difícil as decisões conjuntas devido aos diferentes perfis. Não é indicado para quem gosta de investir de maneira independente, e não aceita pessoa jurídica, somente física.

A lógica dos clubes de investimento pode ser resumida pelo ditado popular “a união faz a força”.

Ao compor um clube, os investidores conquistam um poder de negociação na Bolsa que não teriam se estivessem operando sozinhos. Juntos, eles conseguem formar uma carteira de ativos diversificada sem a necessidade de dispor de volumes muito alto de recursos – e ainda têm a vantagem de adquirir os papéis em lotes, a preços inferiores aos cobrados no mercado financeiro.

Vale ressaltar que investir em clubes também requer disciplina e disposição para participar das decisões. Um dos principais diferenciais em relação aos fundos é a gestão. Enquanto nos fundos a estratégia de alocação dos recursos fica a cargo somente do gestor, nos clubes, os participantes têm voz ativa, podendo interferir na escolha das ações e títulos que irão compor a carteira de investimentos.

O aprendizado é uma das maiores vantagens dos clubes de investimento pelo debate que pode proporcionar entre os integrantes. No entanto é crucial que os integrantes tenham os mesmos objetivos, ou, que no mínimo sejam parecidos, para obter um desempenho na bolsa favorável.

Pode-se observar que o investimento através dos clubes tem forte caráter social, por ser um investimento em longo prazo, pois a maioria das pessoas opta por não querer ter grande risco em investimentos. Estudos realizados com cem investidores apontaram que aqueles que investem sozinhos se mostram mais perdidos e fragilizados com a crise do que aqueles que investem em conjunto, cuja persistência foi maior em continuar com as ações obtidas.

Umas das melhores maneiras de se expandir o mercado de ações para pessoa física será através dos clubes de investimento por sua forma transparente, menor custo e dinâmica de ser.

E assim foi a matéria de hoje, sobre a arte de saber investir…

Sensacional!!!

Afinal, todos os dias…

Abraços,

Janaina Chiaradia

 

 

[i] Mauro Halfeld é autor do livro Como Administrar Melhor Seu Dinheiro, engenheiro, mestre pela Universidade de São Paulo e doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT).

[ii] B3 é a bolsa de valores oficial do Brasil, sediada na cidade de São Paulo.

[iii] Blue Chips: Ações de primeira linha são aquelas de empresa de grande porte de alcance nacional e internacional e de comprovada lucratividade, principalmente em longo prazo.

 

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.