Como Gerir os Riscos na Escolha dos Investimentos

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus Pinheiro…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

Como Gerir os Riscos na Escolha dos Investimentos

Hildebrando Matheus[i]

O risco é definido no dicionário como probabilidade de perigo. No mundo financeiro podemos dizer que o risco de investimento pode ser definido como a probabilidade de ocorrência de perdas em relação ao retorno esperado de um determinado investimento. Simplificando, é uma medida do nível de incerteza de alcançar os retornos de acordo com as expectativas do investidor. É a extensão dos resultados inesperados a serem alcançados.

O risco é um componente importante na avaliação das perspectivas de um investimento. A maioria dos investidores, ao fazer um investimento, considera menos risco como favorável. Quanto menor o risco do investimento, mais lucrativo é o investimento. No entanto, a regra de ouro é quanto maior o risco, melhor será o retorno.

Cada tipo de investimento está exposto a algum grau de risco de investimento, como o risco de mercado, ou seja, a perda no valor investido ou o risco de inadimplência, que significa que o dinheiro investido nunca é devolvido ao investidor.

Vejamos alguns dos principais riscos que podem afetar seus investimentos:

Risco de Mercado: Risco de mercado é definido como o potencial de resultado negativo, devido a mudanças nos preços ou parâmetros de mercado. Como exemplos desse risco têm-se a compra, venda e fixação do preço de commodities, o fechamento de câmbio, o embarque de mercadorias, os contratos a termo, contratação de empréstimos etc.

Risco de patrimônio: Este risco pertence ao investimento em ações. O preço de mercado das ações é volátil e continua aumentando ou diminuindo com base em vários fatores. Assim, o risco patrimonial é a queda do preço de mercado das ações.

Risco de taxa de juros : O risco de taxa de juros está associado a uma mudança no valor de mercado de ativos e passivos ou no resultado da companhia em decorrência de um movimento adverso nas taxas de juros do mercado. Devido à dinâmica das suas atividades, de maneira geral, empresas possuem prazos de giro distintos entre os seus ativos e passivos ou possuem diferentes fatores de correção das suas aplicações e obrigações. Assim, ao aceitar esse descasamento de ativos e passivos, seja entre prazos ou indexadores, a companhia assume o risco de taxa de juros

Risco cambial:  Refere-se a investimentos em moeda estrangeira. O risco de perder dinheiro em investimentos em moeda estrangeira devido ao movimento nas taxas de câmbio é o risco da moeda. Por exemplo, se o real se desvalorizar para o dólar dos USA, o investimento em reais será de menor valor em dólar.

Risco de liquidez: Podemos definir como o risco de não conseguir vender os títulos a um preço justo e convertê-los em dinheiro rapidamente trazendo prejuízo na negociação.

Risco de concentração: É o famoso ditado de que não se pode colocar todos os ovos na mesma cesta. O Risco de Concentração é o risco de perda do valor investido por ter sido alocado em apenas um título ou tipo de título. No risco de concentração, o investidor perde quase todo o montante investido se o valor de mercado do ativo investido cair. Diversifique sempre!

Risco de crédito: O risco de crédito se aplica pela perda econômica potencial que uma empresa pode sofrer se a contraparte devedora não liquidar sua obrigação financeira no prazo estipulado pelo contrato.

Risco de reinvestimento: Como o próprio nome sugere, o risco de não conseguir reinvestir o dinheiro, em condições iguais ou melhores que antes. Considere que um título com um retorno de 9% tenha vencido e o principal tenha que ser investido a 6%, perdendo assim uma oportunidade de obter retornos mais elevados.

Risco de inflação: É o risco de perda de poder de compra porque os investimentos não geram retornos maiores do que a inflação. A inflação corrói os retornos e reduz o poder de compra do dinheiro. A grande parte das pessoas ao verificar o retorno do investimento esquecem de descontar a inflação o que pode distorcer o valor do retorno. Se o retorno do investimento for menor do que a inflação, o investidor corre um risco maior de inflação. O investimento em caderneta de poupança encontra-se nesta situação atualmente.

Risco de Investimento Estrangeiro: É o risco de investir em países estrangeiros. Se o país como um todo estiver sob risco de queda do PIB, inflação alta ou agitação civil, o investimento perderá dinheiro.

Agora que já abordamos alguns dos principais riscos nos resta saber como podemos gerir esses riscos no momento de montarmos nossa carteira de investimentos:

Primeiramente é preciso fazer sempre a análise de risco x retorno, para avaliar se o risco assumido é valido ou não. Alguns fatores na hora de alocar seus investimentos podem ser verificados.

Conhece-te a ti mesmo: Cada um consegue mensurar a que grau de risco está disposto a correr, tanto na vida como nos investimentos. Se o investidor tem um grande medo de perder dinheiro o ideal não seria arriscar tanto no mercado de renda variável (ações) por exemplo. Ter bem definido a exposição de risco que considero correr é fundamental na hora de investir em qualquer ativo financeiro.

Diversificar sempre: A diversificação inclui a distribuição do investimento em vários ativos, como ações, títulos de renda fixa, título público federal, imóveis etc. A diminuição da concentração da carteira ajuda a manter o equilíbrio de retorno do investimento caso um segmento do mercado (exemplo: imóveis, ações…) sofra uma queda momentânea.

Mantenha a constância: Ao investir de forma consistente, ou seja, investindo pequenas quantias em intervalos regulares de tempo, o investidor pode fazer a média de seu investimento. Acredito que, quanto mais firme você for no acompanhamento da sua vida financeira mais depressa reagirá a mudanças; menores serão as probabilidades de que as coisas deem errado drasticamente sem que você perceba; mais concentrado ficará em atingir seus objetivos financeiros e mais interesse sentirá por suas finanças. Muitas vezes você poderá comprar ativos na alta e às vezes na baixa e manterá o preço de custo inicial do investimento. Porém, se o investimento subir no preço de mercado, poderá ganhará com todo o investimento.

Investir a longo prazo: Pensar em longo prazo é como pensar de forma acelerada enquanto todos ao redor estão em câmera lenta. A paciência é a alma do negócio! Os investimentos a longo prazo proporcionam retornos mais elevados do que os investimentos a curto prazo. Embora haja volatilidade de curto prazo nos preços dos títulos, eles geralmente ganham quando investidos em um horizonte mais longo (5,10, 20 anos). Em termos de prosperidade financeira, onde você estará daqui a 10,15,20 anos? E depois disso? Lembre-se que como disse Paul Samuelson “Investir deve ser mais como ver a tinta secar ou assistir a grama crescer. Se você quer adrenalina, pegue $ 800 e vá para Las Vegas.”

O grande investidor Warren Buffett soube definir o risco no conceito financeiro da seguinte forma: “O risco vem de não saber o que você está fazendo.”  Agora que você já sabe quais são os principais riscos e como minimizá-los, acredito que seus investimentos estarão em um caminho mais seguro rumo a sua independência financeira.

A vida é feita de escolhas e correr o risco é uma delas. Em tudo na vida temos o risco. Rir é correr risco de parecer tolo. Chorar é correr risco de parecer sentimental. Estender a mão é correr risco de se envolver. Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu. Defender seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de perder pessoas. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de fracassar. Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada. Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não tem nada e não são nada. Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem. Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre risco é livre! E uma coisa é certa: Se você tem disposição para correr o risco, a vista do outro lado é espetacular.

[i] Administrador; possui MBA em Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós-graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formação em Specialist: Financial Advisory (Proseek), e especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

 

Fonte:

Templar, Richard. As regras da riqueza – Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

FERGUSON, Niall. A ascensão do dinheiro: a história financeira do mundo. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2009

Robbins, Tony. Dinheiro: Domine este jogo – 7 passos para a liberdade financeira – 3º ed. Rio de Janeiro, Best-seller, 2019.

Previous ArticleNext Article
Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.
[post_explorer post_id="757643" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]