Desconstrução…

Janaina Chiaradia


In loco: transmitindo informações e compartilhando experiências

 Da série “A Bíblia e a Gestão de Pessoas”

 A série de hoje, do In Loco, vai nos proporcionar mais uma das lições do mestre, Paulo de Araújo, portanto, aprecie a lição e aprimore seus conhecimentos:

Desconstrução

De vez em quando algumas palavras parecem entrar na moda. Basta alguma celebridade “soltá-las” na mídia e os milhares (talvez milhões) de fãs passam a replicála como se fosse uma espécie epifania.

Grande parte das pessoas, muitas vezes, não sabe o que a palavra significa, mas como foi dita por alguém famoso e rico, ganha contornos de importância inquestionável.

A falta de informação, conhecimento e, por conseguinte, a formação de senso crítico fazem as pessoas se comportarem como papagaios; não pensam, não fazem análises, não articulam ideias nem formulam conceitos – apenas repetem.

Uma dessas palavras, que parecem estar na moda, é desconstrução.

Tenho ouvido tanta gente aplicar este termo para qualquer situação. É bonito falar igual àquela pessoa famosa – pensam alguns.

Dá a impressão de que o sujeito está sabendo das coisas, que está antenado, ligado, plugado e que aprendeu uma palavra nova que todo mundo está falando.

Nada pior do que deixar que os outros pensem pela gente!

Grande parte dos famosos que habitam os espaços da mídia, tornando-se formadores de opinião, não são exemplos a serem imitados.

No entanto, muita gente pensa que somente os inteligentes alcançam fama e riqueza, portanto o que eles dizem deve ser adotado por aqueles que não chegaram lá, mas almejam chegar.

A palavra desconstrução, objeto deste comentário, tão mal aplicada em muitas situações, aponta para uma triste realidade.

A partir do momento em que ela entrou na moda, muitos passaram a acreditar que precisam descontruir alguma coisa.

Seria bom se desconstruíssem a ignorância por intermédio da busca do sabe.

Esta influência está fazendo com que nossa sociedade acabe por desconstruir valores humanos indispensáveis.

Há uma vontade explícita de romper com todo e qualquer limite, porque eles pressupõem impedimentos à disposição de fazer qualquer coisa que alguém julgue como certo.

Para estabelecer o novo é preciso desconstruir o velho, pensam alguns; mas para não chamá-los de velho vamos chamá-los de tabu.

Neste embalo, infelizmente, estamos desconstruindo a família, por exemplo.

Querem nos fazer acreditar que desconstruindo o modelo considerado conservador, necessariamente estaremos provando que evoluímos para uma concepção avançada e a caminho do ideal.

Se você concorda com esta aplicação da desconstrução, pergunte:

Estamos formando cidadãos melhores?

Nossos jovens estão superando as drogas mais do que antes?

Nossas crianças têm sido mais amadas e melhor educadas do que no modelo dito tradicional?

Nossos idosos têm recebido mais atenção e cuidado?

A violência doméstica diminuiu drasticamente?

Estamos descontruindo a própria identidade humana!

Querem nos fazer acreditar que ser diferente é a mesma coisa que ser desigual.

Portanto, não há diferença entre homem e mulher; presunçosamente estão querendo ir contra a ordem natural das coisas, pois até aquilo que Deus construiu não é bom o suficiente e, por isto, também deve ser incluído na lista de coisas que devem ser descontruídas.

O exagero é tanto que promove mais a incoerência do que o bom senso.

Há pouco tempo a mesma legislação que instituiu a “lei da palmada”, estava querendo liberar o uso de cocaína em quantidades reguladas por lei. Ou seja, dar uma palmada em uma criança é crime, mas liberar uma droga comprovadamente destruidora, que tem escravizado e destruído a vida de tanta gente, não o é.

A falta de instrução tem feito muita gente desconstruir o conceito de democracia. Há aqueles que usam este termo para justificar atos pessoais em detrimento da obediência às leis e o respeito pelo outro.

Imaginam a democracia como uma autorização para fazer ou deixar de fazer o que bem entenderem, estribados unicamente em suas concepções pessoais. Inconsequentemente estão descontruindo o conceito de ética e tentando estabelecer uma nova moral.

Os pretensos intelectuais estão empenhados em desconstruir concepções religiosas. Se pudessem baniriam de uma só vez a crença em Deus. Para eles a religião é um engano, é o ópio do povo – uma espécie de droga entorpecedora dos sentidos. A Bíblia Sagrada tem sido tratada com desprezo. É provável que muitos desconheçam o fato de que ela é o maior best-sellers que o mundo conhece. Talvez ignorem que ela é fonte de pesquisa de várias ciências como o Direito, a Administração, a Sociologia. Fonte, também, de pesquisa histórica; manual de conduta moral e ética.

É possível questionar muitas coisas a respeito da Bíblia, porém uma coisa é inquestionável: ela é um compêndio de livros que oferece valores e princípios altamente desejáveis.

E, não é justamente disto que mais estamos precisando? A própria língua portuguesa parece, também, estar passando por este processo de desconstrução. Nunca falamos e escrevemos tão mal como nos últimos tempos. Sou professor do ensino superior e conheço bem esta realidade.

Acredito que nossa língua é um dos elementos essenciais de nossa identidade nacional. Se transigirmos em excesso, sem critério, poderemos estar permitindo a desconstrução de algo levou séculos para se formar. Será que modernizar significa, necessariamente, mudar tudo, qualquer coisa?

Para finalizar, gostaria de dizer que não sou contra a desconstrução de algumas coisas. Como toda e qualquer pessoa preciso, vez por outra, rever meus conceitos, meus valores, minhas ideias e outros aspectos que formam minha cultura pessoal. Porém, uma coisa entendo que não devo desconstruir: meus fundamentos, meus alicerces, minhas raízes, ou seja, meu cerne, aquilo de que sou formado e originado.

Creio que toda pessoa deve ser original e autêntica, mesmo que esteja fora de moda.

Paulo Roberto de Araujo – www.gentecompetente.com.br

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.