Entre a espada e a balança, a honra de saber advogar…

Janaina Chiaradia

Um dos grandes desafios que tenho percorrido nos últimos anos, me remete a “arte de saber advogar”, um dilema, uma escolha, um amor…

Sim, uma mistura de sentimos acaba por me envolver quando faço a menção do art. 133, da Constituição Federal de 1988, qual seja, “O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

Por vezes, uma justiça tão desacreditada, um direito desiludido…por uma sociedade que clama o mover, por algo concreto, por um mundo diferente, por igualdade de condições…

O agir da advocacia pode se encontrar dificultado por legislações limitantes, por morosidades alheias, ou até por fatos controvertidos, que tornam nossa profissão desafiadora, mas não deve encontrar como obstáculo, a falta de ética profissional, e até mesmo, moral.

Minha advocacia é voltada em buscar a verdade dos fatos, minimizar prejuízos, impulsionar a sociedade, e ainda, contribuir para a solução mais adequada para cada situação analisada.

Repudio o uso dos meios fraudulentos, ou unilaterais, para beneficiar apenas uma das partes… Defendo quem merece ser defendido, e por vezes, tenho que me defender e defender a própria classe… Mas certamente, busco, a cada dia, desvendar a verdadeira função social da advocacia…

Somos diferentes em valores, princípios, e posicionamentos… Uma classe que sempre poderá olhar para os dois lados… E não buscar somente uma vitória processual… Mas sim, lutar pela dignidade a ser usufruída de forma igualitária, justa, e fraterna… Por todos, e para todos…

Uma utopia? Não, metas que devem ser implementadas a cada manifestação, em cada momento jurídico, e nos ensinamentos do bem precioso chamado “Direito”… Afinal, como bem afirmava Rui Barbosa, nós devemos “estremecer a justiça, viver no trabalho, e não perder o ideal”.

Respeitando o Estado laico, onde cada cidadão pode optar pela crença ou descrença, e para aqueles que em Cristo encontram seu mair defensor, basta tirar as vendas da figura literária de Themis, e seguindo os pensamentos de Damásio de Jesus:

Minha Justiça não é cega. É uma Lady1 de olhos abertos, ágil, acessível, altiva, democrática e efetiva. Tirando-lhe a venda, eu a liberto para que possa ver.

Por não ser necessário ser cego para fazer justiça, minha Justiça enxerga e, com olhos bons e despertos, é justa, prudente e imparcial. Ela vê a impunidade, a pobreza, o choro, o sofrimento, a tortura, os gritos de dor e a desesperança dos necessitados que lhe batem à porta. E conhece, com seus olhos espertos, de onde partem os gritos e as lamúrias, o lugar das injustiças, onde mora o desespero. Mas não só vê e conhece. Age.

A minha, é uma Justiça que reclama, chora, grita e sofre.

Uma Justiça que se emociona. E de seus olhos vertem lágrimas. Não por ser cega, mas pela angústia de não poder ser mais justa.

Pela honra de saber advogar, vamos as batalhas, em prol de um mundo melhor!

Uma ótima semana a todos,

Deus abençoe,

Janaina Chiaradia

1 Os americanos a chamam de Lady Justice, Senhora Justiça (Lady Justice thanks and summary, nov.2001. Disponível em: <http://lawlibrary.ucdavis.edu>).

Previous ArticleNext Article
Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.