Entre a violência armada, a fé no sobrenatural, e o trabalho policial…

Janaina Chiaradia


Foi no final da tarde de segunda-feira, entre as atividades profissionais, as idas e vindas da correria do cotidiano de quem trabalha, cumpre com suas responsabilidades, e se dedica a ter uma vida digna, em prol de uma sociedade melhor…

Estava entrando no veículo, quando inesperadamente, quatro cidadãos me abordaram violentamente… anunciaram o assalto… ato instintivo tentei evitar a situação… mas as frases “saia do carro agora”, ainda “entrega a chave”, “sai, sai, sai”… impediram qualquer forma de reação… Uma cena que restou gravada em minha memória: dois homens com as armas na cintura (inclinando em minha direção), e dois no outro veículo (observando, não sei dizer se armados ou não, mas agravando a tensão do momento).

Uma sensação de impotência tomou conta do meu ser… uma vontade de fazer como nos filmes, e revelando a identidade secreta, me transformar em uma heroína, fazendo com que esses delinquentes fossem mobilizados e, conduzidos aos seus destinos…

Voltando a realidade, com o desespero do momento, meus joelhos foram ao chão, e o agradecimento a Deus pela vida, pela sobrevivência, pelo bem estar, deu lugar a vontade de fazer justiça com as próprias mãos… e aos poucos, a calmaria do coração, permitiu com que as diligências devidas fossem adotadas: registrar B.O., avisar aos amigos atuantes na segurança pública, comunicar os mais próximos do ocorrido, e após, concluir as atividades acadêmicas.

Ainda no momento em que estava em oração, fiz um pedido ao Senhor, que protegesse a todos os que fossem se envolver com a situação, que ninguém saísse lesionado, e que, na questão material, o que fosse para retornar, se desse por meio de mãos abençoadas. O restando, por livramento, se restitui com o passar do tempo.

Como jurista que sou, várias questões me fizeram refletir: onde estão os meus direitos humanos? E o princípio da dignidade? O abalo moral? O dano material?

Durante a noite, logo após uma conversa amiga, o telefone toca, e agora, era da delegacia… O investigador que estava de plantão, noticiando que meu carro havia sido encontrado… e que um dos responsáveis estava detido… de imediato, questionei se meu computador também havia sido encontrado, afinal, minha vida profissional lá se encontrava, porém, naquele momento, a resposta foi negativa… em seguida, o delegado responsável, afirmando que, iria até a delegacia, e com a sua equipe, buscaria localizar meu instrumento de trabalho.

Passei boa parte da noite em oração, por todos os que estavam trabalhando em prol dos meus bens, da devolução do que me pertencia.

Logo pela manhã, ao chegar na delegacia, qual não foi a minha surpresa, ao me deparar com a missão cumprida pelo delegado e sua equipe, e meu computador (apreendido na “boca de fumo”) de volta as minhas mãos…

Naquele momento, conheci pessoas comprometidas com seu trabalho, dedicadas a fazer o que estivesse ao seu alcance, e que não mediram esforços para fazer com que o que me foi tirado violentamente, a mim retornasse.

Pessoas que passaram parte da noite resgatando meus pertences.

Me reporto, tanto aos Policiais Militares do Estado do Paraná (os quais me atenderam logo após o ocorrido e os que participaram dos resgates dos bens, cujos nomes, em parte não chegaram ao meu conhecimento), quanto aos profissionais atuantes na Delegacia da Polícia Civil de Quatro Barras, e que agora, faço questão de honrá-los, através da menção de seus nomes:

Delegado: Dr. Luiz Carlos de Oliveira. Profissionais atuantes: Adalberto Nunes, Alisson Rodrigues Santos, Antoni Tadeu Pansardi, Bruna Leticia Costa Matozo, Emilly Comunello Cordeiro da Silva, Gabriela Gracia Ceccon, Mayara Fernanda da Silva Rodrigues, Mariza Torres de Almeida, Pedro Marcelo Silveira Pires, Rosemare Sartore Skiba e Wagner Gatti.

Fatos lamentáveis, que me fizeram aproximar de pessoas admiráveis, aumentando meu ciclo de conhecimentos, e me fazendo enxergar o quanto são importantes para sociedade…

Parabéns aos profissionais envolvidos! Que Deus abençoe a todos! Vocês sabem fazer a diferença na sociedade!

E nessa situação, a música que desde domingo fez parte do meu cotidiano, a qual, ganhou ainda mais intensidade com todo o ocorrido, compartilho com vocês:

 

Abraços,

Até amanhã,

Janaina Chiaradia

 

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.