Entre os direitos culturais, o estilo bossa nova, e as melodias de João Gilberto…

Janaina Chiaradia

Chega de saudade…”, foi a primeira música que invadiu meus pensamentos no dia de ontem, quando me deparei com a notícia de que o inspirador, músico, poeta, dentre outros quesitos, João Gilberto, teria partido, deixando entre nós, a saudade…

De um tempo que não vivi, mas que refletiu nas minhas leituras e preferências musicais, impulsionando os sentimentos norteados pelos direitos culturais…

Me recordo que, antes de iniciar o curso de Direito, ainda quando escolhia minha profissão, e todos os testes vocacionais me direcionavam para tais estudos, não imaginava o quanto a “bossa nova” contagiaria meu cotidiano…

Ao iniciar os estudos jurídicos, fui diretamente envolvida com esse movimento cultural, com o qual, consegui sincronizar o agito dos estudos com a visão romantizada de cada amanhecer e entardecer…


Como bem enaltecia Cazuza, um estilo meio “bossa nova e rock’n roll”, afinal, as músicas dos anos 80 e 90, também tem um lugar bem especial em meus estilos musicais.

Sentimentos, entre alegrias e tristezas, vitórias e decepções, romances e desencontros, inícios e términos, estão registrados nas letras escritas por João Gilberto, Vinícius de Moraes e Tom Jobim.

As vezes incompreendidos, mas com uma profundidade inigualável…

Expressões, por vezes polêmicas, mas nas constâncias da vivência de cada um, de cada momento, de cada ideal.

Percebo que nos dias de hoje, com algumas abençoadas exceções, nos falta qualidade musical, cultural e sentimental… por isso, João Gilberto e seus parceiros, nos deixam muitas saudades.

Para não perder o costume, nossa carta magna (Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), em seu artigo 215, especifica que “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.

E é esse direito que quero efetivamente vivenciar “do pleno exercício dos direitos culturais”, mas uma cultura digna, que esteja expressando o respeito, a igualdade, o amor, a justiça, e a busca por um mundo melhor, e não as letras distorcidas, incoerentes e com um viés interligados aos piores sentimentos possíveis de serem expressados.

Realmente, hoje, sou invadida por “saudades”…

De tempos bons, de bons compositores, de cultura de qualidade…

Contudo, creio nas boas melodias atuais, nos artistas que devem invadir a sociedade com suas canções motivadoras, na geração que poderá deixar, igualmente o seu legado…

Enquanto isso, compartilho algumas das minhas preferências, desse eterno “João Gilberto”, o qual, impulsionou tantos momentos de nossa cultura e referência musical:

E a minha predileta:

Coisa mais linda…

Coisa mais bonita é você, assim, justinho você
Eu juro, eu não sei por que você
Você é mais bonita que a flor, quem dera, a primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza, que é o amor
Perfumando a natureza, numa forma de mulher
Porque tão linda assim não existe, a flor, nem mesmo a cor não existe,
E o amor, nem mesmo o amor existe
Porque tão linda assim não existe, a flor, nem mesmo a cor não existe

Um ótimo domingo, que Deus abençoe a todos,

Abraços,

Janaína Chiaradia

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.