Evite o Efeito Manada

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Do escritor do instituto PMIF Hildebrando Matheus…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

 

Evite o Efeito Manada

 

Você certamente já deve ter ouvido a expressão “Maria vai com as outras”. Quando você fala isso para uma pessoa, está simplesmente afirmando que a pessoa não tem opinião própria e prefere seguir os demais do grupo. De acordo com o pesquisador Brasil Gerson, autor de História das Ruas do Rio, a expressão tem origem no início do século 19, com a vinda da família real portuguesa para o Rio de Janeiro. A mãe do rei João VI, a rainha Maria I, costumava passear as margens do rio Carioca, no antigo bairro de Águas Férreas. Acontece que Maria I era conhecida por sua insanidade mental (manifestada após a morte do filho e da Revolução Francesa), tanto que era tratada como “A Louca”. Como ela ia passear levada pelas mãos de suas damas de companhia, o povo dizia: “Maria vai com as outras”.

No mundo dos investimentos classificamos essa relação de Efeito Manada, e geralmente é estudada na área de Finanças Comportamentais. Uma forma comum de simplificar o processo decisório é simplesmente seguir o grupo. Fazer o que todos fazem. Temos uma necessidade inata de agir em conformidade com os demais membros do grupo do qual estamos inseridos. Agir de tal forma traz conforto e segurança, mesmo porque errar na companhia dos outros é menos constrangedor. Seja qual for o grupo em que um indivíduo esteja, no escritório, em família ou simplesmente andando na rua com outros pedestres, temos a tendência de agir em conformidade com as atitudes e os pensamentos predominantes. Para se ter uma ideia, o grupo exerce natural e inconscientemente uma pressão para a conformidade, ao ponto de que um indivíduo inserido em tal grupo chega a mudar sua opinião e atitudes, não por acreditar em algo distinto, mas simplesmente para não destoar dos demais. É muito mais simples alterar a atitude ou opinião do que desafiar o pensamento reinante.

Nos investimentos pessoais vemos corriqueiramente esse tipo de comportamento influenciando negativamente decisões de investimento. Uma das formas mais simples de verificar tal afirmação é fazer uma busca na internet. Se você digitar “como ganhar dinheiro” no Google, encontrará milhões de registros. Existem muitos esquemas fáceis para enriquecer. Acredite em mim quando digo que eles funcionam. Não adianta protestar, pois é verdade. Eles dão resultado, porém não para você nem para os ingênuos que caem em suas malhas, mas somente para aqueles que os criam. Mas geralmente quando vemos as pessoas próximas a nós entrarem em esquemas de “dinheiro fácil” ficamos tentados a seguir e então vamos junto com a manada, porém quando a manada cai, geralmente os mais fracos e frágeis são os primeiros a sofrer.

Para demonstrar até onde esse efeito pode levar um grupo de pessoas, temos o caso clássico do incêndio na loja de departamentos Woolworth, em Manchester, na década de 1970. O incêndio tomou toda a loja, porém todas as vítimas fatais estavam no restaurante.

Nessa circunstancia, agimos segundo um roteiro. Entramos no restaurante, fazemos o pedido, comemos, pagamos a conta e vamos embora. Quando o alarme tocou, ninguém quis ser o primeiro a agir de forma diferente da esperada para aquele grupo, naquela situação. Ao postergarem a reação por alguns minutos foram alcançados pela fumaça tóxica e morreram asfixiados. Essa é, provavelmente, a demonstração mais dramática e clara da relevância que o comportamento do grupo exerce sobre nossa própria capacidade de julgamento, atitude e reação.

Temos sempre que ter em mente nosso perfil de investidor e saber o momento certo de entrar e sair de um determinado investimento. Se em momentos de alta compramos no mercado o mesmo que todos estão comprando para não ficarmos de fora do que parece ser um ganho certo, e se isso é feito de maneira indiscriminada por todos ou pela maioria dos participantes, que via de regra nesses momentos de valorização são tomados pela ganância, o preço de mercado do ativo em questão tende a desviar-se do valor justo desse ativo. Pode configura-se então uma sobrevalorização e, em casos extremos causar bolha especulativa. Assim tem origem os crashes nos mercados. O tal medo de “ficar de fora” é o principal combustível que alimenta os movimentos de manada. O receio da maioria não é a perda em si, mas o risco de ver suas aplicações terem um desempenho pior que o dos demais.

Lembre-se que para os investimentos assim como para a maioria de nossos sonhos, precisamos ter um foco e não se desviar dele. Não é porque a maioria das pessoas está caminhando numa direção que este é o melhor caminho a se seguir. Que tenhamos a coragem de seguir o caminho previamente traçado por nós mesmos e sejamos diferentes da manada, afinal, ser normal é a meta dos fracassados!

 

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.