Mini Índice e Dólar Futuro

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus Pinheiro…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

 

Mini Índice e Dólar Futuro

Hildebrando Matheus [i]

 

O Mercado Futuro é uma ferramenta essencial para a economia de um país, uma vez que sua principal função é auxiliar produtores, cooperativas, torrefadoras, agropecuárias, indústrias e demais envolvidos do setor em conseguir se proteger das oscilações dos preços das commodities (As commodities – ou commodity, no singular – é uma expressão do inglês que se difundiu no linguajar econômico para fazer referência a um determinado bem ou produto de origem primária comercializado nas bolsas de mercadorias e valores de todo o mundo e que possui um grande valor comercial e estratégico. Elas são produzidas em grande quantidade sem diferenças entre marcas e podem ser estocadas sem perda de qualidade como o petróleo, o trigo etc.)

A primeira referência sobre negociações a futuro da história ocorreu entre 625 – 558 a.C. com Tales de Mileto – matemático, astrônomo e filósofo grego. Bastante questionado sobre a utilidade de sua profissão, Tales previu com nove meses de antecedência uma excelente colheita de azeitonas.

Tendo pouco dinheiro para investir no plantio de azeitona, Tales decidiu reservar todos os depósitos de azeitonas existentes em Mileto. Tales também procurou todos os donos de prensas de azeitonas, utilizadas para transformar azeitonas em azeite de oliva, e fazer uma oferta pela exclusividade de uso dessas prensas durante a próxima colheita. Estabelecendo um paralelo com o mercado de futuros moderno, Tales celebrou um contrato futuro para utilizar os depósitos e as prensas de azeitona durante a colheita da próxima safra. Apesar da população pensar o contrário, Tales – como bom astrônomo – previu a chegada de uma ótima safra de azeitonas.

Como ninguém acreditava que Tales pudesse prever a próxima colheita com tanta antecedência, os donos das prensas e dos depósitos aceitaram sua oferta, pois, assim, também poderiam se proteger e garantir algum lucro caso a próxima colheita fosse fraca. Tales conseguiu pagar taxas bem baratas porque não havia outros interessados no mercado de azeitona durante o inverno. Sob os olhos do mercado, Tales estava especulando. Os donos das prensas e dos depósitos, por sua vez, executaram uma operação de hedge.

Uma colheita abundante e uma grande demanda por depósitos e prensas de azeitonas provaram que as previsões de Tales estavam corretas. Tales alugou os depósitos e as prensas pelo preço que desejou, obtendo um grande lucro. Utilizando a terminologia do mercado de futuros, Tales depositou uma margem de garantia pelo uso das prensas e dos depósitos de azeitona e, revendeu sua posição, obtendo um grande lucro no futuro.

A criação da Chicago Board of Trade (CBOT) em 1848 marcou o desenvolvimento e o profissionalismo da atividade de negociação de contratos futuros. No Brasil, a história do mercado futuro só teve início em 1917, quando foi criada a Bolsa de Mercadorias de São Paulo para a negociação de contratos futuros de algodão. Em 1991, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo fechou um acordo com a Bolsa Mercantil & de Futuros, que tinha sido fundada em 1985 e negociava contratos financeiros. EM 1997, com a celebração de um acordo com a Bolsa Brasileira de Futuros (BBF), a BM&F consolidou-se como o principal centro de negociação de derivativos da América do Sul.

Definições:

O Minicontrato Futuro de Ibovespa busca viabilizar com que os investidores, em especial, pessoas físicas e pequenas empresas possam iniciar suas atividades no mercado de derivativos listados administrados pela B3, sendo possível devido a criação de um contrato de valor nacional e lote mínimo de negociação diferenciado se comparado ao contrato padrão do Futuro de Ibovespa.

O Ibovespa tem como critério o retorno total (total return) das ações, refletindo assim as variações dos ativos ao longo de sua vigência e a distribuição de proventos das empresas que as compõem. Por ser um indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro, o Ibovespa tornou-se a referência para rentabilidade de fundos de ações e para o desempenho da bolsa.

Para facilitar o acesso de pessoas físicas a esse tipo de mercado a Bolsa de Valores brasileira, a B3, criou os minicontratos de índice e de dólar, que seguem os moldes dos contratos padrões, mas com o valor de apenas 20% do contrato cheio. Resumindo, Minicontratos nada mais são do que “frações” de um contrato futuro, que podem ser financeiramente muito grandes. Com base em informações de março/2021, 42% de operações desse ativo são realizadas por pessoas físicas na B3.

Uso do Ativo:

Os contratos futuros são utilizados tanto para a proteção (hedge) quanto para a especulação. Por exemplo, se um investidor possui um passivo em dólar, e teme que a cotação da moeda vá aumentar, pode comprar contratos futuros à cotação atual, de forma que o que ele perderia ao ter uma dívida maior a pagar, ganha ao ter um contrato a um preço maior a vender (devido à valorização da moeda), ficando sem lucro nem prejuízo. Da mesma forma, se a cotação cair, o que ele ganharia na redução da dívida, perde no mercado futuro devido à desvalorização do contrato, ficando, de qualquer forma, sem prejuízo. Do outro lado da operação está o especulador, que aposta em uma cotação futura com o intuito de ter lucro no mercado de futuros, sem um passivo associado – desta forma, o especulador é necessário para aquele que quer proteger-se, e vice-versa. Além da cotação de moedas, são negociados ainda futuros de índice, preços da saca de café, de soja etc., e produtores destes insumos comumente usam os mercados futuros para se proteger das variações de preço.

Características do Produto:

  • Objeto de negociação: Ibovespa
  • Código de negociação: WIN
  • Tamanho do contrato: Contrato Futuro de Ibovespa multiplicado pelo valor em reais de cada ponto sendo que, cada ponto será de R$0,20.
  • Cotação: Pontos de índice.
  • Variação mínima de apregoação: 5 pontos de índice
  • Lote padrão: 1 contrato
  • Último dia de negociação: Quarta-feira mais próxima do dia 15 do mês de vencimento.
  • Data de vencimento: Quarta-feira mais próxima do dia 15 do mês de vencimento. Caso não houver sessão de negociação, a data de vencimento será a próxima sessão de negociação.
  • Meses de vencimento: Meses pares.
  • Liquidação no vencimento: Financeira

 

Vantagens:

  • Instrumento para estratégia de proteção (hedge) contra exposição em renda variável.
  • Possibilidade de replicar o comportamento do índice sem ter o desembolso financeiro e os custos de transação do mercado à vista.
  • Utilizando-se o fator de correlação das ações com o próprio índice futuro, é possível realizar operações de proteção contra a volatilidade do mercado de ações, mesmo em quantidades diferentes da composição do índice.
  • Por meio de uma única operação, o investidor pode manter posições altamente líquidas sem negociar ações individualmente no mercado a vista.
  • Permite arbitragem entre o mercado à vista com ações ou ETFs.

 

Desvantagens:

 

O mini índice Bovespa é considerado um investimento de alto risco e de caráter especulativo, recomendado para investidores de perfil mais agressivo. Isso porque, ao investir nesses ativos, seus ganhos ou perdas dependem unicamente da variação do Ibovespa dentro do período do contrato — o que é totalmente imprevisível.

 

A quem é destinado?

Conforme já mencionado em outros artigos, para realizar operações no mercado financeiro, as corretoras e bancos solicitam o preenchimento de um cadastro para saber o perfil do investidor (suitability). Geralmente os três tipos são: conservador, moderado e agressivo. Como operações com minicontratos demanda um alto nível de conhecimento e envolvem riscos nas operações, ele é indicado para o perfil agressivo.

Onde operar?

Após definir o perfil e compreender os riscos, avalie qual corretora irá oferecer as melhores vantagens, tanto em sistema, como em custo da operação. Um alto volume de operações pode render valores de taxas altas, por isso é importante ficar atento a essas cobranças. Após a escolha da corretora, basta abrir a conta e transferir o dinheiro que será utilizado para a operação.

Margem de Garantia:

A margem de garantia é um mecanismo da Bolsa para reduzir o risco de operações alavancadas ou de mercado futuro. Trata-se, nesse caso, de um valor que o investidor deve depositar para poder realizar essas operações. O investidor deposita um valor para pagar os seus compromissos caso tenha prejuízo e fique inadimplente. É necessário o depósito de uma margem de garantia para o mini índice de no mínimo 15% do valor total dos minicontratos negociados. Como garantia é possível usar títulos públicos, CDBs ou mesmo ações.

Operando com uso de robôs:

Operações com robô são utilizadas para operações com mini índice, dólar futuro com mini dólar. Esses robôs passam o dia todo ligados, pegando pequenas distrações e ajustando o mercado. Os robôs são softwares nos quais cadastramos nossos parâmetros e eles executam, caso o mercado dê oportunidade.

Robôs de estratégia fechada

Você deve escolher o robô que mais se enquadra em seu controle de risco x capital. O robô possui estratégia pré-fixada e não há a possibilidade de alteração dos parâmetros, assim como não exige experiência do usuário no mercado financeiro. O investidor irá receber o robô e as instruções para colocá-lo em ação.

Robôs de estratégia customizada

Se você tem uma estratégia vencedora e gostaria de automatizar, esse é o seu robô. Ao contratar irá receber as instruções para configurá-lo e colocá-lo em operação, de acordo com os seus parâmetros escolhidos.

Uma empresa que está a frente na questão de oferecer os serviços de robôs de investimento de excelente qualidade para essa modalidade é a OWNT IT. A OWN IT é uma empresa de tecnologia especializada em robôs de investimento na Bolsa de Valores. A empresa desenvolve um sistema único e exclusivo no mercado, que é entregue pronto para operar sem a necessidade de configurações complexas. A grande missão é oferecer um robô de investimento com tecnologia inigualável e acessível a todos, fácil de ser usado, de simples instalação, e que opera para você mitigando os riscos da bolsa de valores brasileira (B3) e internacional (Forex). Maiores esclarecimentos podem ser consultados no site da empresa: https://ownittrade.com.br e no canal: Análise Descomplicada no YouTube.

Para todas as modalidades de investimento existe algo que deve ser levado em consideração: a ganância. É muito comum as pessoas começarem a investir buscando ganhos exorbitantes e irreais. Ao investir, é preciso haver um limite de ganho e perda e seguir à risca essa definição. A ganância surge quando a pessoa não consegue avaliar suas metas, querendo cada vez mais. O dinheiro então vira o único fator pelo qual o indivíduo se move, tornando-se o fim, em vez de representar um meio para viver melhor e mais feliz. Faz-me lembrar do final da fábula da galinha dos ovos de ouro de Esopo: “(…) pensando em conseguir de uma só vez todos os ovos de ouro que a galinha poderia lhe dar, ele a matou e a abriu apenas para descobrir que não havia nada dentro dela.”

[i] Administrador; Formação em CFO (Chief Financial Officer) IBEF-PR / Universidade Positivo, possui MBA em Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós-graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formação em Specialist: Financial Advisory (Proseek), e especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

 

Fontes:

PAZ, Leandro, Mercados Futuros: como vencer operando futuros/ Leandro Paz e Marcos Bastos; supervisão Maurício Bastter Hissa. Rio de Janeiro: Elsevier,2012.

 

B3. Futuro Mini de Ibovespa. Disponível em: http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/futuro-mini-de-ibovespa.htm. Acesso em: 30 maio de 2021.

 

ADVFN.  A História dos Contratos Futuros. Disponível em: https://br.advfn.com/investimentos/futuros/historia. Acesso em 30 de maio de 2021.

 

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Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.
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