Na Hora de Comprar: Você Quer ou Você Precisa?

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus Pinheiro…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

Na Hora de Comprar: Você Quer ou Você Precisa?

POR ANDRESSA BAILÃO [1] E HILDEBRANDO MATHEUS [2]

O consumismo é a busca de uma felicidade que nunca é encontrada. Pode ser definido como um estilo de vida orientado por uma crescente propensão ao consumo de bens ou serviços, no geral, supérfluos em razão do seu significado simbólico (prazer, sucesso, felicidade); frequentemente atribuído pelos meios de comunicação social. São muitos os motivos que levam ao consumismo compulsivo, mas entre eles está a busca pela aceitação social pela mera aparência ou uma válvula de escape para alguma frustração e ansiedade. Tais sensações podem ser descritas por frases como:  “Sabe quando você encontra alguém bonito e ele sorri e seu coração fica igual manteiga derretida em cima da torrada? É assim que eu me sinto quando vejo uma loja…” ou “um homem nunca vai te amar ou te tratar tão bem quanto uma loja. Se homem não combina com você não dá pra trocar ele sete dias depois por um suéter de ‘cachemir’ maravilhoso.”

É bem provável que você compartilhe desses mesmos sentimentos da protagonista do longa “Os delírios de consumo de Beck Bloom” ao se deparar com ofertas tentadoras de até 70% de desconto, contudo aquele êxtase e sentimento de empoderamento ao passar  o cartão de crédito e segurar aquelas sacolas reluzentes duram apenas cinco minutos, ou mais tardar, até a próxima fatura do cartão; assim como nossa protagonista descreve esse sentimento: “Quando eu compro o mundo fica melhor; o mundo é melhor. E depois deixa de ser. Aí eu compro outra vez.”

Entretanto, isso vai muito além de consumir descontroladamente e ostentar roupas, sapatos, bolsas, viagens, entre outros. Nossa sociedade materialista tem “consumido”, ostentado e descartado pessoas; e fazem isso buscando prazeres que nunca são saciados.

Antes de gastar, pergunte-se se o item que você deseja consumir vale a quantidade de vida que você precisa despender para comprá-lo. Pegue seu salário e faça a conta. Divida o que ganha por mês por suas horas de trabalho. Depois calcule quanto o objeto que deseja custa em total de horas. Agora decida se está disposto a trabalhar a quantia de horas que a satisfação de ter o desejo exigirá de você. No final da conta não se esqueça que Tempo = Vida.

No livro Pai Rico Pai Pobre de Robert Kiyosaki e Sharon L. Lechter, o autor ensina que muitos dos grandes problemas financeiros são causados pelo desejo de se acompanhar a maioria e não querer ficar atrás do vizinho. Precisamos saber diferenciar o: VOCÊ QUER ou VOCÊ PRECISA? O consumismo estimula a descartar produtos sem motivo para comprar outros sem necessidade. Nem tudo o que você deseja, você realmente necessita. É necessário lembrar que consumismo e competitividade levam ao emagrecimento moral e intelectual da pessoa, à redução da personalidade e da visão do mundo, convidando, também, a esquecer a oposição fundamental entre a figura do consumidor e a figura do cidadão.

Como usamos o dinheiro em nossa vida, mostra-nos uma pequena porcentagem de como tratamos os que no cercam, ou seja, o uso externo reflete o nosso compromisso interior com o uso do dinheiro.

Sendo assim, caso haja uma preocupação em investir, valorizar e aplicar bem seu dinheiro, é bem provável que essa mesma preocupação e cuidado sejam transpassados para seus relacionamentos profissionais e pessoais, cujos estopins não sejam ativados pela impulsividade, frustração ou ansiedade. Por isso, o autocontrole deve se tornar um hábito diário, e por meio dele, fazermos bom uso do nosso dinheiro e tornarmos nossos relacionamentos menos descartáveis e mais rentáveis.

Na hora de adquirir um bem, fazer o planejamento para realizar um sonho, ou simplesmente poupar é necessário que tenhamos inteligência financeira, para saber claramente onde o dinheiro está sendo alocado e não fazer como a grande maioria das pessoas conforme citado por Robert e Sharon fazem “Os ricos compram ativos, os pobres só tem despesas e a classe média compra passivos pensando que são ativos” E seguem os conselhos:

“Comece a comprar ativos reais, não passivos ou objetos pessoais que não têm valor real (…). Um carro novo perde cerca de 25% do preço que você paga no momento em que sai da concessionária. Não é um ativo verdadeiro.”

“Casa é uma dívida e se sua casa for seu maior investimento, você terá problemas.”

“Gente demais se preocupa excessivamente com dinheiro e não com sua maior riqueza, a educação.”

Nunca é tarde para começar a investir – na bolsa, em ações, em imóveis, em estilo, em qualidade, em você, na sua vida. Uma sociedade consumista é formada de pessoas vazias e toda vez que você gasta dinheiro, você está dando um voto para o tipo de mundo que você quer ter.

 

[1] Andressa Bailão é professora de gramática, literatura, redação e escritora.

[2] Hildebrando Matheus é administrador; possui MBA Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós Graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formado em Financial Advisory (Proseek), Especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

 

 

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Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.
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