O Uso de Robôs na Escolha dos Investimentos

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus Pinheiro…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

O Uso de Robôs na Escolha dos Investimentos

Hildebrando Matheus[1]

A tecnologia move o mundo. A frase não é minha, mas de Steve Jobs, considerado o pai da revolução tecnológica de nossa era. O fato é que a tecnologia resumiu a história, conectou pessoas, espantou a nostalgia, e trouxe o mundo todo para a palma de nossas mãos. Se olharmos ao nosso redor podemos constatar a chamada nova revolução industrial e suas consequências em nossa vida diária. Podemos dizer que praticamente tudo o que conhecemos está em constante evolução e o dinheiro e a forma de fazer investimentos não poderia ficar de fora da nova onda.

O mundo financeiro atual é resultado de quatro milênios de evolução econômica. Desde a antiga Mesopotâmia à China moderna, a ascensão do dinheiro tem sido um dos fatores chave no progresso humano, uma história extraordinária de inovação, intermediação e integração. A moeda considerada por muitos a maior invenção do homem foi exatamente o sistema que possibilitou que todas as outras invenções pudessem ser amplamente produzidas e adotadas em ampla escala. Mais do que qualquer outra coisa tem levado as pessoas a escaparem da trabalhosa agricultura de subsistência fazendo com que o padrão de vida de toda a humanidade pudesse crescer exponencialmente.

Na linha histórica da evolução econômica passamos pelo escambo, moeda, papel moeda, cartões de crédito, cheques, bitcoin e por que não pensar que chegaríamos aos robôs consultores?

Um robô de investimento é uma ferramenta que realiza a negociação de ativos financeiros de forma automática, técnica chamada, no inglês, de algorithmic trading ou algo trading. Esses algoritmos são projetados por consultores financeiros, gerentes de investimentos e cientistas de dados, e codificados em software por programadores. O software utiliza seus algoritmos para alocar, gerenciar e otimizar automaticamente os ativos dos clientes para investimentos de curto ou longo prazo e não requerem um consultor humano para dar conselhos financeiros a um cliente. Os primeiros robôs-consultores foram lançados em 2008 durante a crise financeira. Em 2010, Jon Stein, um empresário de 30 anos, lançou a Betterment, e os robôs-consultores aumentaram em popularidade fazendo com que em outubro de 2017, esse tipo de modalidade alcançasse US$ 224 bilhões em ativos sob gestão.

Um estudo recente mostra que o mercado de negociação algorítmica deve crescer a um CAGR[2] de 11,23% durante o período de previsão (2021-2026). Tradicionalmente, os traders acompanham suas atividades de negociação e portfólio de investimentos usando tecnologia de vigilância de mercado. Os aplicativos como o algorithmic trading, possuem inteligência embutida para buscar as oportunidades existentes no mercado, de acordo com o rendimento e outros critérios definidos pelo usuário.

Fatores como regulamentações governamentais favoráveis, demanda crescente por execução de pedidos rápida, confiável e eficaz, por vigilância de mercado e redução dos custos de transação devem impulsionar a necessidade do mercado de negociação algorítmica. Os investidores institucionais e as grandes corretoras usam a negociação algorítmica para reduzir os custos associados à negociação em massa. Além disso, espera-se que o surgimento da IA ​​no setor de serviços financeiros seja um fator importante no crescimento do mercado de negociação algorítmica.

No Brasil as empresas mais conhecidas que fazem o uso de robôs de investimentos são a Warren[3], Magnetis, Vérios e Monetus. A abertura da conta é feita de forma rápida como qualquer banco tecnológico. Durante seu preenchimento é realizado uma pesquisa para a verificação do perfil do investidor, o chamado suitability. A carteira de investimentos é criada com base no perfil identificado – conservador, moderado ou agressivo, e a partir daí, basta fazer os aportes para que a alocação seja realizada dentro dos ativos financeiros selecionados pelo robô, que variam entre renda fixa, fundos de investimento, e até ações no exterior. Ao personalizar sua carteira você pode estabelecer uma meta financeira, escolher o nome da carteira e em alguns casos personalizar o background escolhendo uma imagem que mais te identifique. Vale ressaltar que as empresas citadas são autorizadas, reguladas e fiscalizadas pelas três maiores autoridades do mercado financeiro brasileiro: o Banco Central, a CVM e a ANBIMA.

A grande vantagem é que na maioria dos casos as empresas podem oferecer a plataforma de robôs a valores bem baixos, porém conseguem manter aproximadamente o retorno sobre o investimento se você escolhesse investir da forma tradicional. Vale destacar que os robôs verificam dentro de prazos previamente estabelecidos a rentabilidade dos ativos investidos fazendo sempre uma melhor realocação dos recursos da carteira. Os robôs-consultores cobram taxas que variam de 0,2% a 0,7% dos ativos sob gestão enquanto os planejadores financeiros tradicionais cobraram taxas médias que custam cerca de 1% ou até mais para sugerir os investimentos. Além disso, os consultores robôs normalmente automatizam a parte de “manutenção” do processo de investimento, como o processamento de aplicativos. Isso remove alguns atritos para os consumidores e ajuda as empresas a reduzir seus custos de mão de obra, o que por sua vez se traduz em economia para os clientes.

Vantagens:

Reduzir erros emocionais: Uma das maiores vantagens da utilização do Robô-Advisory é a capacidade de remover emoções humanas dos mercados, já que as negociações são restritas a um conjunto de critérios predefinidos. Isso é uma vantagem porque os humanos que negociam são suscetíveis a emoções que levam a decisões irracionais. As duas emoções que levam a decisões erradas às quais os comerciantes de algo são suscetíveis é o medo e a ganância.

Capacidade de testar e simular mais rapidamente: A redução drástica do tempo de negociação diminui os custos de transação, devido ao custo de oportunidade economizado de monitorar constantemente os mercados.

Disciplina aprimorada: Se um computador está executando uma negociação automaticamente, você evita as armadilhas de colocar acidentalmente a negociação errada associada a negociações humanas.

Maior velocidade de entrada de pedidos: A velocidade com que essas transações são feitas é medida em frações de segundo, mais rápida do que os humanos podem perceber.

Mais tempo livre: Com a negociação de algoritmos, os traders não precisam gastar tanto tempo monitorando os mercados, pois as negociações podem ser executadas sem supervisão contínua.

 

Desvantagens:

Falhas mecânicas: Só porque os melhores algoritmos são baseados puramente na lógica, não significa que ele seja perfeito. Todo software de negociação de algo faz suas apostas com base em um conjunto predefinido de instruções.

Como a história nem sempre se repete, existe a chance de um algoritmo gerar um sinal falso e fazer uma aposta com base nele, causando prejuízo ao trader.

Necessidade de um amplo portfólio: Um tamanho “não serve” para todos: Outra limitação da negociação de algoritmo é que não é universal. Um algoritmo não pode ser aplicado a todas as condições de mercado, por isso requer alguma supervisão humana ou é necessário ter vários algoritmos adequados para diferentes tipos de condições de mercado.

 

A conclusão que podemos chegar é que vai depender do perfil do investidor a contratação de um humano ou um robô para ajudar nos investimentos, seria uma questão de afinidade. O presente artigo não tem a intenção de causar discórdias entre os consultores tradicionais e os robôs de investimento, até porque, cada um tem seus prós e contras, e o objetivo de ambos deve ser sempre garantir o melhor retorno ao investidor, mas que possamos nos lembrar da celebre frase de Arthur Mendes: “No século XVIII, Thomas Edison irritou acendedores de lampião. Em 1900, Ford irritou cocheiros. Em 1920, Marconi irritou gravadoras. Nos anos 30 a TV irritou o rádio. Hoje Uber irrita taxistas, WhatsApp irrita teles, Netflix irrita TVs e Tesla irrita petroleiros. Enfim, o sol nasceu para todos, porém, o progresso é a esperança dos povos e o desespero dos acomodados.”

Fontes:

What is Algo Trading and How it works? Advantages and Disadvantages, Disponível em: https://www.infimoney.com. Acesso em:03 fev.2021.

FERGUSON, Niall. A ascensão do dinheiro: a história financeira do mundo. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2009

 

Robo Advisor, Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Robo-advisor. Acesso em: 03 fev.2021.

 

Advantages of Algorithmic Trading,2019 Disponível em: https://www.nasdaq.com. Acesso em:05 fev.2021

 

“India’s Catching up with Asian Peers in Algorithm Trade” The Economic Times, October 26, 2010.

 

AlgorithmicTrading, 2020 Disponível em: https://www.mordorintelligence.com/industry-reports/algorithmic-trading-market. Acesso em: 05 fev.2021

[1] Hildebrando Matheus é administrador; possui MBA Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós Graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formado em Financial Advisory (Proseek), Especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

 

[2] O CAGR refere-se à taxa de crescimento anual composta. Isso quer dizer que ele diz respeito à taxa de retorno necessária para um investimento crescer do seu saldo inicial para o final. Essa ferramenta é importantíssima para análise de investimentos, sendo muito usado por analistas e fundos.

 

[3] A Warren não se posiciona mais como um robô-advisor no mercado. A operação começou, sim, muito nessa linha, mas hoje se posicionam como uma corretora e gestora de patrimônio. Isso porque o cliente passou a ter toda a autonomia para editar as suas carteiras e fazer suas transações de trade, por exemplo.

 

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.
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