Planejamento da aposentadoria: fundos de previdência!

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir.

Vamos aos diálogos da semana:

PLANEJAMENTO DA APOSENTADORIA: FUNDOS DE PREVIDÊNCIA

Hildebrando Matheus[i]

Como você se imagina aos 62 anos? E aos 70? quem sabe aos 80 e 90 anos? A questão é que a expectativa de vida está cada vez maior se comparada a 100 anos atrás que era de 33,4 anos, isso graças a tecnologia que ajudou a medicina a erradicar várias doenças no decorrer do século, aumentando a expectativa de vida do brasileiro para 75,46 anos, conforme estudo do Banco Mundial em 2017. A indagação acima, se faz presente diante da nova idade da aposentadoria no Brasil.

A reforma da previdência criou a idade mínima nas aposentadorias, de 62 anos (mulheres) com 15 anos de contribuição e de 65 anos (homens) com 20 anos de contribuição. A limitação, no entanto, vale para quem entrou no mercado de trabalho após a emenda. Quem já estava trabalhando pode conseguir se aposentar em uma das regras de transição. Você conseguiria continuar trabalhando até a idade mínima para conquistar o benefício previdenciário federal? E caso consiga, o valor que irá receber será suficiente para sanar todos os gastos com medicamentos e plano de saúde, visto que a população idosa é a que mais necessita de cuidados? Conseguiria desfrutar da tranquilidade que será necessária depois de tanto trabalho na mocidade? É importante começar a pensar bem sobre o assunto e tratar como prioridade, porque como diz o bom e velho ditado: “Um dia a velhice chega e te pega!”

O Art. 6º da Constituição Federal declara que: São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. O direito está assegurado pela Constituição Federal do Brasil de 1988, porém devemos deixar claro que o valor do recebimento do benefício não será igual ao salário demonstrado no holerite da empresa.

Cada aposentadoria tem uma regra de cálculo diferente. Para todas elas, porém, o INSS usa a média salarial do segurado. Essa média é calculada levando em conta os 80% maiores salários de contribuições desde julho de 1994. Ou seja, o INSS descarta 20% das menores contribuições – o que hoje equivale a quase cinco anos de pagamentos. A partir da média salarial, outros cálculos podem ser aplicados, dependendo do tipo de aposentadoria.

Diante dessa explicação acredito que há bons motivos pelos quais você deve começar a economizar para a velhice, posso citar alguns:

Não poder confiar no governo.

Caso não consiga continuar trabalhando até a idade do requerimento da aposentadoria federal, terá que contar com estranhos para ajudar no sustento do lar – ou contar com a família, o que pode ser até pior em alguns casos.

Sem um plano de aposentadoria, poderá perder seu padrão atual de vida em termos de luxo e conforto.

Com o passar da idade, os gastos com as despesas médicas aumentam, e na velhice todo mundo acaba desacelerando, e trabalhar duro começa a ser praticamente impossível.

Caso não consiga nenhum tipo de ajuda, terá que continuar trabalhando arduamente até o fim da vida, ao invés de descansar e aproveitar os netos, a praia e um bom pôr do sol.

Agora que já estamos com o pensamento no futuro, vamos entender um pouco melhor sobre os fundos de previdência que poderá ajudar em uma melhor qualidade de vida na denominada “melhor idade”.

Os fundos de previdência também são um tipo de fundo de investimento, com a diferença de que seus recursos são destinados para a renda da aposentadoria. Esses tipos de fundos podem ser patrocinados por empresas para seus funcionários (chamados fundos de pensão) ou podem ser comprados por qualquer pessoa interessada que procure seguradoras ou outras instituições que ofereçam essa modalidade de fundos denominado fundos abertos.

Antes de investir em um fundo de previdência aberto, é importante saber que essa é uma decisão muito importante com implicações de longo prazo e que pode afetar toda sua vida.

Os fundos de previdência têm seus rendimentos tirados a partir de aplicações em fundos de renda fixa, fundos de ações, fundos cambiais e multimercados. Assim como outros fundos, essa modalidade também cobra taxa de administração e nos planos de previdência complementar, a taxa de administração compreende ainda a taxa de gestão financeira, o que pode aumentar o valor que você paga – e diminuir seus ganhos.

Alguns fundos também cobram taxa de carregamento sobre a contribuição do segurado para cobrir as despesas administrativas, de corretagem e de colocação do plano. A cobrança máxima permitida pela lei é de 10% de carregamento para planos estruturados na modalidade de contribuição variável. O investidor deve saber escolher bem os fundos pois alguns não cobram a taxa de carregamento caso você permaneça aplicando em longos períodos nele.

Existem dois tipos principais de fundos de previdência:

PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) – Público-alvo: Pessoas físicas que declaram imposto de renda no formulário completo. Tem por objetivo a formação de fundo de investimento para garantir a aposentadoria complementar. O benefício fiscal é de 12% da renda bruta no ano sobre as contribuições pagas. O Imposto de Renda incide sobre o recebimento total do benefício. O resgate pode ser feito a cada 60 dias. Você também pode sacar de uma só vez ou transformar o montante em renda mensal.

VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) – O público-alvo são: Pessoas físicas isentas do Imposto de Renda ou que declaram no formulário simplificado; investidores que querem fazer aplicações em longo prazo; investidores que já tem um PGBL. É um plano de previdência privada que oferece cobertura para morte e invalidez. Permite resgate dos valores aplicados. Não oferece benefício fiscal, o Imposto de Renda incide apenas sobre rendimentos. O primeiro resgate pode ocorrer entre dois meses e em até dois anos. Depois, a retirada pode ser feita a cada 60 dias.

Os planos de previdência atuais nada mais são do que fundos de investimentos administrados por um gestor contratado visando formar uma poupança, que nesse caso, é chamado de pecúlio. O fundo visa permitir que, no futuro, os participantes consigam viver da renda dessa poupança.

Para algumas pessoas muito organizadas, melhor do que aderir a um fundo de previdência é criar um sistema próprio de acumulação, ou seja, mensalmente a pessoa pode aplicar uma quantia para criar uma reserva que lhe permita se aposentar no futuro. Mas tenha muita atenção: É muito difícil você ter esse perfil de aplicar uma parte de seu salário todos os meses, uma vez que seus sistemas infracorticais irão tentar sabotar seus planos de investir em um futuro tão longínquo. Então os fundos de previdência podem ajudá-lo, uma vez que podem fazer retiradas automáticas de sua conta e aplicar multas caso tente cair na tentação de retirar o valor antes do prazo definido.

O conselho que fica é que nunca é tarde demais para começar. Porém, quanto mais cedo você fizer isso, melhor. Reveja suas finanças e coloque em uma lista as coisas mais importantes de primeira e segunda necessidade, se uma aplicação para o seu futuro não aparece nessa lista, coloque em primeiro lugar, antes da compra do carro novo e da viagem à Europa. Quando envelhecer e suas necessidades diminuírem, troque sua casa por uma mais barata, isso o ajudará a investir a diferença no seu futuro.

Previdência é prever, planejar contra as adversidades da vida. Imprevidência é a concretização dos infortúnios sem estar preparado. Por isso, é importante você se planejar financeiramente para os imprevistos da vida, pois, desse modo, protegerá as pessoas que você mais ama, inclusive, você mesmo.

[i] Hildebrando Matheus Pinheiro é administrador; possui MBA Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós-graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formado em Financial Advisory (Proseek), Especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

Fontes:

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

Templar, Richard. As regras da riqueza – Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

Macedo Junior, Jurandir Sell. A árvore do dinheiro: guia para cultivar sua independência financeira. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

 

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Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.
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