Plano de Saúde: Despesa ou Investimento?

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus Pinheiro…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

 

Plano de Saúde: Despesa ou Investimento?

POR HILDEBRANDO MATHEUS PINHEIRO [1]

ANDRIELI DE OLIVEIRA [2]

YURI RIBEIRO BASSETO [3]

 

Caro leitor, responda a uma simples pergunta: Que dia você irá precisar de uma emergência médica? Consegue prever? Acredito que para a maioria de nós a resposta é não. No artigo de hoje iremos abordar as vantagens em ter um plano de saúde. Primeiramente é importante saber que o seguro nasceu da necessidade do homem em controlar o risco.

A constituição de 1988 traz a saúde como um direito do cidadão e um dever do Estado. Outra importante conquista foi que o sistema de saúde público deve ser gratuito, de qualidade e acessível a todos os brasileiros e/ou residentes no Brasil. A Lei Federal 8.080 de 1990 regulamenta o Sistema Único de Saúde. Desde sua criação em 1988,  o Sistema Único de Saúde (SUS) mostrou-se imprescindível na vida de todos os brasileiros, mesmo para aqueles que possuem convênios médicos, pois é o SUS que fiscaliza a qualidade da água e dos alimentos servidos em restaurantes, é o SUS que distribui vacinas gratuitas assim como medicamentos para o tratamento e prevenção de diversas doenças em escala nacional de forma irrestrita, em casos de acidentes ou incidentes o SUS é o primeiro a prestar atendimento as vítimas. Porém, os enormes desvios de dinheiro somado ao desafio territorial que o país representa tanto por seus diferentes povos e etnias quanto por sua extensão, desavenças políticas e conflitos de interesse, impedem que o SUS atenda de forma adequada toda a demanda que é requerida de seus serviços. Por isso muitos brasileiros acabam optando por contratar um plano de saúde, buscando maior agilidade e menos burocracia para agendar uma consulta ou fazer um exame necessário. Com um plano de saúde você tem as vantagens de ser mais rapidamente atendido, em boas clínicas e hospitais. Os médicos dão mais atenção e fazem um diagnóstico mais preciso e de qualidade. Você também tem a vantagem de conseguir fazer exames específicos em bons laboratórios em um curto prazo de tempo.

No entanto, apesar de que diversas modalidades tenham surgido ao longo dos anos e cada vez mais se tornem uma opção viável, para muitos os convênios médicos ainda são vistos com certa desconfiança, então surge a grande dúvida entre contratar ou não um plano de saúde? A resposta é depende. Tive uma experiência com uma colega de faculdade na qual ela me enviou fotos da análise de uma amostra de sangue de um familiar pedindo minha opinião enquanto profissional da saúde, e com as alterações que vi a aconselhei procurar um médico gastroenterologista. No dia seguinte ele havia se consultado com o especialista indicado por mim e dois dias após nossa conversa inicial seu tio já estava com o resultado da sua tomografia em mãos, se tratando de uma suspeita de câncer de cólon, esses procedimentos supracitados devem ser realizados com extrema agilidade, pois a demora no diagnóstico em casos como esse podem diminuir as chances de cura do paciente. No sistema público de saúde ele conseguiria a consulta e o exame, mas não com a velocidade que a situação exigia. E é exatamente nesses momentos em que um bom plano de saúde pode significar a vida ou a morte de uma pessoa.

Para verificarmos a realidade encontrada nos hospitais públicos do país, um estudo intitulado “Demografia Médica no Brasil-Volume 2”, o Conselho Federal de Medicina  e o CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) concluem que “há uma má gestão federal, na medida em que anuncia uma meta nacional de 2,5 médicos por mil habitantes mas não diz como irá diminuir as desigualdades de concentração de médicos entre regiões e municípios, entre serviços e entre os setores público e privado da saúde.” Em 1970 existiam no Brasil cerca de 60 mil médicos para uma população de 94,5 milhões de habitantes (um médico por cerca de 1,34 mil habitantes). Em 2011, eram cerca de 678 mil médicos para uma população de 207,5 milhões de habitantes (um médico por cerca de 399 habitantes). Em 2016, esta relação estava próxima de 3 médicos por mil habitantes (ou um médico por 375 habitantes).

Por outro lado se faz necessário antes de contratar um plano de saúde realizar uma busca minuciosa por convênios que melhor se adequam a sua realidade financeira e o momento vivido, saber qual sua área de abrangência, qual o tempo de carência, quais procedimentos estão inclusos e com quais profissionais poderá contar em momentos de incertezas e infortúnios, sempre se valer do respaldo ofertado por corporações já consolidadas no mercado e principalmente o melhor custo benefício para você e sua família. Hoje o Brasil conta com 750 operadoras de planos de assistência médica, sendo 726 ativos, que operam 16.972 planos abrangendo um total de 46.829.760 milhões de pessoas, representando um total de 22% da população com cobertura. Caso tenha ficado com a dúvida de onde começar a procurar, no site da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) é possível encontrar um simulador de planos de saúde (http://www.ans.gov.br/). A ferramenta passa a permitir a comparação entre planos e exibe informações importantes para orientar a decisão do consumidor, como a rede hospitalar credenciada de cada produto e o preço máximo que a operadora poderá cobrar pelo plano médico-hospitalar. A ferramenta auxiliará o consumidor que estiver interessado em contratar um plano de saúde e é voltada também ao já beneficiário do setor que deseje realizar portabilidade de carências. Cada consulta terá prazo de validade de 5 dias e passará a gerar um número de protocolo que poderá ser acessado pelo consumidor através do próprio Guia ANS, trazendo todas as informações do plano escolhido.

Saiba que fazer as contas do orçamento familiar, investigar as doenças de base que podem ou não estar presentes entre seus entes mais próximos, especialmente aquelas patologias de tratamento e acompanhamento contínuos, saber da sua capacidade de poupar e investir para tempos nebulosos são passos fundamentais antes de decidir se deve ou não contratar um plano de saúde.

Somente como um exemplo, destacamos as despesas mais comuns que uma pessoa sem o plano de saúde poderá arcar em uma média de preços:

  • Consulta com cardiologista: R$ 300,00
  • Consulta com eletrocardiograma, na urgência R$ 267,54
  • UTI (Unidade de Tratamento Intensivo): R$ 1.934,00 por dia para adulto
  • Ultrassonografia R$ 400,00
  • Radiografia (2 incidências) R$ 250,00
  • Exames de rotina (prevenção, sangue, ultrassons e urina): varia de R$ 35,00 a R$ 480,00 cada um.

 

Um plano completo de saúde para um adulto com cobertura municipal pode ser contratado por um valor a partir de R$90,00 mensais. Caso opte por uma cobertura nacional o valor pode ser contratado a partir de R$400,00 mensais. O conselho que fica é que caso o leitor seja daqueles que preferem contar com a sorte, ou pensa ser intocável, sugiro que reflita, pois assim como seguros de carro é melhor ter e não precisar, do que precisar e não ter, afinal, saúde não é despesa, é investimento!

[1] Hildebrando Matheus é administrador; possui MBA Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós Graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formado em Financial Advisory (Proseek), Especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

[2] Andrieli de Oliveira Tem experiência na área de Odontologia, com ênfase em Odontologia. sócia do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, membro efetivo da Liga Acadêmica de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial- FOA-UNESP.

[3] Yuri Ribeiro Basseto Acadêmico de medicina em Universidade de Marília. Participa do projeto de pesquisa AUMENTO DA TRANSMISSÃO DE AIDS ENTRE ADOLESCENTES. Participa do projeto de extensão em que palestra sobre ISTs para estudantes do ensino médio. Sócio da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Membro da Liga de Clínica Médica da FAMEMA. Monitor de Semiologia Médica da Universidade de Marília. Já foi monitor de Anatomia da Universidade de Marília.

 

 

 

 

 

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.