Se você não impedir os “monstros sagrados” vão se criar

Janaina Chiaradia


In loco: transmitindo informações e compartilhando experiências

Da série “A Bíblia e a Gestão de Pessoas”

A série de hoje, do In Loco, vai nos proporcionar mais uma das lições do mestre, Paulo de Araújo, portanto, aprecie a lição e aprimore seus conhecimentos:

SE VOCÊ NÃO IMPEDIR OS “MONSTROS SAGRADOS” VÃO SE CRIAR

Quando desejamos rotular as pessoas que conquistaram poder e influência em determinados contextos, as chamamos de “monstros sagrados”. Estes, devido a seu carisma, conquistam a atenção, o respeito e até o medo dos outros. A expertise de comando construída por eles é tão forte que mesmo seus líderes não tomam nenhuma decisão sem antes consultá-los, o que, sem dúvida, fortalece o poder deles.

Não se deve ignorar que estes ditos “monstros sagrados” são, na maioria das vezes, muito competentes em suas áreas de atuação; são, também, realizadores, exigentes, inteligentes, contundentes na hora de expressar suas opiniões. Pessoas que se tornam “monstros sagrados”, normalmente possuem um perfil dominante, ou seja, gostam e procuram o comando, são autoconfiantes em excesso, possuem uma autoimagem elevada a ponto de se perceberem, na maioria das vezes, mais fortes, mais certos e superiores aos demais.

Profissionais com este perfil são muito determinados, por isso podem produzir resultados de curto prazo para a empresa em que trabalham. Isto nos ajuda a entender o porquê de as organizações manterem em suas equipes de trabalho colaboradores dos quais os colegas reclamam tanto, haja vista o fato de serem a causa de muitos conflitos nas relações interpessoais.

Uma observação curiosa que se pode fazer sobre o surgimento dos “monstros sagrados” nas empresas é que eles nascem, crescem e se fortalecem de forma gradativa. A questão a ser considerada é o perigo destes profissionais fazerem de reféns sua liderança, colegas de trabalho, patrões, fornecedores e até mesmo clientes. Ainda que suas competências técnicas sejam inegavelmente eficazes, suas deficiências comportamentais podem gerar problemas de longo prazo, como por exemplo, piora do clima organizacional. A força de sua personalidade pode ser tão intensa que seus líderes preferem mantê-los em seus quadros funcionais pelo fato de não acreditarem que conseguirão contratar outra pessoa tão capaz quanto o “monstro sagrado”.

Outro problema a ser considerado é que pessoas com perfil de personalidade dominante, não costumam estar abertas à opinião dos outros; eles simplesmente se sentem contrariados. Em termos organizacionais ouvir as pessoas é premissa da boa gestão. Os resultados são mais satisfatoriamente alcançados, na medida em que todos os colaboradores se sentem parte do processo.

Entende-se que é melhor adotar medidas que evitem o surgimento dos “monstros sagrados”, porque se não for assim eles vão se criar. Evidentemente, deve-se ter cuidado para não sufocar os talentos da organização. Se a empresa possui líderes competentes, eles saberão o que fazer a fim de direcionar os potenciais humanos para a construção de uma cultura de competências (técnicas e comportamentais) e resultados.

Paulo Roberto de Araujo – www.gentecompetente.com.br

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Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.