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Ser rico ajuda a ser feliz?

In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.Da série: pare, olhe, invista! Do escritor do ins..

Janaina Chiaradia - 19 de abril de 2020, 13:04

In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

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Da série: pare, olhe, invista!

Do escritor do instituto PMIF Hildebrando Matheus...

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados... cada qual na sua área de atuação e com seus estudos... auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

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Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

Ser Rico Ajuda a Ser Feliz?

Dinheiro.

Poucas palavras têm o poder de provocar emoções humanas tão extremas. Muitos de nós nos recusamos até a falar de dinheiro! Da mesma forma que a religião, o sexo ou a política, o tema é tabu na mesa de jantar e muitas vezes, fora dos limites do local de trabalho. O dinheiro é o meio pelo qual se avalia o sucesso terreno, torna possível o gozo das melhores coisas que a terra pode oferecer. Diante de tais afirmações, a questão a ser respondida é: Ser rico ajuda a ser feliz?

Precisamos entender, desde o primeiro momento, que dinheiro e felicidade não são necessariamente, a mesma coisa. O dinheiro não compra a felicidade. Esse é um erro comum que a maioria das pessoas comete. Espero que você não caia nele. É perfeitamente possível ser pobre e feliz. Ser rico e feliz. E também ser infeliz sendo rico ou pobre.

Pesquisa baseada na lista dos 400 mais ricos dos Estados Unidos, elaborada pela revista de economia Forbes, constatou que, em geral, os milionários não são mais felizes do que as pessoas de classe média americana. Isso ocorre porque, nesse grau, a riqueza tem correlação surpreendentemente baixa com o nível de felicidade. Ainda assim, a maioria das pessoas deseja ser rica porque acredita que enriquecer é encontrar a felicidade.

Mas o que isso realmente significa? Para alguns de nós, o dinheiro é vital e crucial, mas não primordial. É simplesmente uma ferramenta, uma fonte de poder usada a serviço dos outros e em uma vida bem vivida. Outros se deixam consumir por uma fome tão grande de dinheiro que isso destrói não apenas a si mesmos como todos os que estão ao seu redor. No fundo, dinheiro é poder. Ele pode nos derrubar ou nos erguer.

Na verdade, se refletirmos a fundo a questão do início do artigo, veremos que a relação entre felicidade e riqueza é falsa questão. Essa relação ocupa filósofos e economistas há séculos. Os pensadores iluministas, por exemplo, acreditavam na existência de uma equação harmônica entre progresso (que seria a riqueza) e a felicidade. Dessa relação surgiu a ideia de que, com o aumento da riqueza material, as pessoas podem aumentar seu grau de felicidade. Desde o início da história de que se tem registro, a humanidade vem constantemente buscando a felicidade. Creio ser justo afirmar que muitos de nós somos grandemente influenciados, todos os dias, pelo que percebemos resultar em felicidade ou alegria para nós ou para outros.

O que é a felicidade? Onde encontra-la? Como obtê-la?

Lembro-me de uma palestra proferida por David O. McKay em que ele se referiu a uma afirmação de John D. Rockfeller — um dos homens mais ricos do mundo na época, que aparentemente sofria do estômago e deu a entender que: “Preferiria poder aproveitar uma boa refeição a ter um milhão de dólares”. Então, dando uma piscadela, McKay comentou: “Naturalmente, ele tinha um milhão de dólares quando disse isso” Concordo que é importante ter dinheiro para nossas necessidades, mas, além disso, o dinheiro tem pouco a ver com a verdadeira felicidade. Geralmente são o trabalho e o sacrifício feitos com um propósito digno que trazem a satisfação maior.

As palavras do escritor William George Jordan são instrutivas:

“A felicidade nem sempre requer sucesso, prosperidade ou realização. Muitas vezes é a alegria da luta esperançosa, da dedicação e energia em prol de uma boa causa. A verdadeira felicidade tem suas raízes no altruísmo — sua florescência em algum tipo de amor”.

Caso você pretenda enriquecer para se tornar uma pessoa mais feliz, ficará desapontado. Se você espera que o dinheiro o deixe mais poderoso, jovem, sexy, cheio de vida, interessante, bonito ou qualquer outra coisa, também se sentirá desapontado. Sinto muito, mas a riqueza não proporciona nada disso.. Em sua cabeça pode ser que sim. Talvez outras pessoas pensem assim também. Na realidade, porém não é isso que acontece. É claro que você pode ser todas essas coisas e ser rico também. Contudo, não é o dinheiro que causa essa transformação. A mudança ocorre primeiro na mente. O dinheiro é um placebo, não a cura.

Quer um teste? Pare um pouco, pegue um lápis e papel e escreva uma lista com as coisas que, para você, fazem a vida realmente valer a pena. Reflita por alguns minutos sobre cada item que colocou na lista. Será que você tem direcionado tempo e dedicação suficiente para eles? Será que precisa de muito dinheiro para realiza-los? Você percebeu que a maioria das coisas listadas requer pouco ou, em alguns casos, até mesmo nenhum gasto?

Todos nós já vimos como o dinheiro é capaz de ter o poder de criar ou o poder de destruir. Ele pode financiar um sonho ou iniciar uma guerra. Mas claro esse artigo não é um ataque sobre a busca de querer ter dinheiro, de modo algum, afinal é bom refletir que existem dúvidas acerca de o dinheiro trazer ou não felicidade. Mas é bastante certo que a falta de dinheiro traz, sim infelicidade. Preocupações com contas para pagar, dívidas e prestações são capazes de tirar o sono e a qualidade de vida de muita gente.

Ao fim, o dinheiro não é o que estamos procurando... É? O que estamos procurando realmente são os sentimentos e as emoções que acreditamos que o dinheiro possa criar:

O sentimento de capacitação,

de liberdade,

de segurança,

de ajudar a quem amamos e aos necessitados,

de ter uma escolha e

de sentir-se vivo...

Citando Tennessee Williams: "É possível ser jovem sem ter dinheiro, mas não se pode ser velho sem ele”.

O dinheiro, certamente, é uma das maneiras pelas quais podemos transformar os sonhos que temos na realidade que vivemos. Mas temos que ter bem claro em nossa mente, quais são realmente nossos valores como seres humanos, e definir o que é importante daquilo que não é. Como disse Carlos Drummond: O cofre do banco contém apenas dinheiro; frustra-se quem pensar que lá encontrará riqueza.

Enquanto cada um de nós segue seu próprio caminho a procura da felicidade, que possamos ter em mente que dinheiro não tem que ser uma palavra suja, podemos gostar disso também.

 

*Imagem: Adaptado de Simon & Schuster - Happy Money

Bibliografia: Money, Robbins Tony.