Seu dinheiro e seu nome são importantes? Ótimo! Então não empreste!

Janaina Chiaradia


In Loco: transmitindo informações e compartilhando experiências.

Da série: pare, olhe, invista!

Por Hildebrando Matheus Pinheiro…

Mais uma da série, que vem causando impacto na sociedade, e que, veio da troca de conversas com o profissional na área financeira, Hildebrando Matheus e seus convidados… cada qual na sua área de atuação e com seus estudos… auxiliando a sociedade na arte de saber investir, mesmo em meio a pandemia instaurada.

Vamos aos diálogos da semana, afinal, você já pensou em:

Seu dinheiro e seu nome são importantes? Ótimo! Então não empreste!

Hildebrando Matheus[i]

Não acredites nem nos que pedem emprestado, nem nos que emprestam; porque muitas vezes, perde-se o dinheiro e o amigo… e o empréstimo. Para se ter ideia de quão antigo que é o tema, a frase acima foi escrita por William Shakespeare que viveu entre (1564 – 1616).

Quando você está bem financeiramente pode se tornar um alvo fácil. Algumas pessoas podem vê-lo com uma fonte inesgotável de empréstimos a juros baixos ou doações. Então para o tomador fica bem mais fácil se dirigir a você do que fazer um bom planejamento e procurar um banco.

Empréstimos a familiares e amigos tendem a ser uma negociação aberta. As partes não chegam a um acordo sobre um cronograma de pagamento e não incluem os juros do empréstimo. Os credores não sabem quando seu dinheiro será devolvido e os tomadores de empréstimos não sabem quando pagar os empréstimos.

Isso deixa ambas as partes no limbo e não cria expectativas. A incerteza pode levar ao estresse, pois quem solicitou o empréstimo pode se preocupar com o fato de que o credor espera o pagamento e o credor se preocupa sobre quando será reembolsado.

A dica é a seguinte: Se você precisar emprestar dinheiro a um parente ou amigo, forneça a eles um cronograma para quitar o empréstimo e seja o mais claro possível estipulando uma data que precisará ser cumprida para o pagamento. Sem um prazo, reembolsar o empréstimo torna-se a última prioridade do solicitante. Antes de emprestar o valor, tente ter uma conversa bem franca com o solicitante sobre o motivo do empréstimo, e ofereça ajuda para montar um planejamento financeiro de modo que ele não precise mais pedir dinheiro emprestado.

É importante lembrar que quem solicita o empréstimo, não enfrentará quaisquer repercussões por não devolver o dinheiro, como pagamentos atrasados, taxas de juros mais altas ou um impacto negativo em uma pontuação de score de crédito.

Em uma pesquisa da LendingTree de 2019, 24% das pessoas que emprestaram dinheiro a alguém conhecido disseram que se arrependeram de fazê-lo. Esteja ciente que essa pode ser uma transação delicada por envolver pessoas próximas e que muitas vezes poderão ocorrer sérios problemas com esse empréstimo, então não conte com esse valor para possíveis emergências, resumindo: se não tem para dar, não empreste!

Caso os termos do empréstimo não sejam redigidos, é possível que relacionamentos sejam arruinados se a pessoa não retribuir. Antes de fazer esse tipo de empréstimo, é altamente recomendável que você trate esse “investimento” como qualquer outro que você fizer. Você vai querer realizar a devida diligência habitual, ao mesmo tempo que se certifica de que os termos do negócio estão por escrito. Sem colocar esses termos por escrito, você deve apenas considerar seu empréstimo como um presente que não será reembolsado.

Existem certas situações em que um amigo ou membro da família pode abordá-lo para pedir dinheiro emprestado. Por exemplo, você pode ser solicitado a realizar um empréstimo se eles:

  1. Precisa de dinheiro rapidamente para cobrir despesas de emergência
  2. Falecimento de um familiar.
  3. Não atenda aos requisitos de renda para um empréstimo tradicional devido a doença ou perda de emprego.

 

Antes de emprestar qualquer contia pergunte o destino do dinheiro. Uma coisa é emprestar R$ 50,00 a um amigo. Outra coisa é emprestar R$ 5.000. Seja qual for o valor, como credor você tem o direito de saber para onde está indo o dinheiro, especialmente para quantias maiores .

Depois de você ter emprestado o dinheiro a um amigo ou parente, essa pessoa pode voltar quando precisar de mais dinheiro. Além disso, outros amigos e familiares também podem pedir-lhe um empréstimo. Não se torne o credor preferido em seu círculo de família e amigos. Você nunca deve estar em um estado de empréstimo constante. Tenha o seguinte em mente ao realizar o empréstimo:

 

  1. Trate os empréstimos a amigos e familiares como um negócio e mantenha todas as suas emoções fora disso.
  2. Não espere ser pago de volta, mas se o fizer, espere que seja em um cronograma lento.
  3. Faça uma lista de verificação das perguntas que você precisa responder antes de abrir os cofres.
  4. Considere presentear o dinheiro em vez de emprestá-lo.
  5. Não esconda o empréstimo de seu cônjuge.

 

Mesmo sendo uma prática comum no Brasil, emprestar o nome para terceiros é uma prática arriscada e perigosa para a educação financeira de uma pessoa. Emprestar seu nome em alguns casos pode até ser até mesmo ilegal. Um estudo do SPC Brasil mostrou que ficar com o nome sujo por emprestar o nome para terceiros é relativamente comum: 16,6% dos inadimplentes ou ex-inadimplentes entrevistados na pesquisa tiveram seus CPFs incluídos nas listas de devedores inadimplentes por conta dessa prática.

A maioria dos entrevistados alega que emprestou o nome com o intuito de ajudar (51,4%) e 13,0% ficaram com vergonha de dizer não. Outros 11,5% disseram que ficaram com receio de magoar a pessoa que pediu o nome emprestado, caso tivessem que negar a ajuda. Segundo os próprios entrevistados, a principal forma de empréstimo de nome foi por meio do cartão de crédito (51,8%) ― percentual que aumenta para 71,5% entre consumidores das classes A e B. Outros 22,8% emprestaram o cartão de loja ― percentual que aumenta para 30,5% entre as mulheres e para 28,0% entre consumidores das classes C, D e E ― e 20,1% fizeram um financiamento para terceiros. Lembrando que nesse caso de empréstimo de cartão de crédito caso a fatura não seja paga os juros cobrados pelas operadoras de cartão podem chegar a 300% ao ano em média no caso do juros rotativo.

O estudo mostra que, em quase um terço dos casos (30,1%), sobrou para a pessoa que emprestou o nome pagar a dívida sozinha. A pesquisa encerra mostrando que a maioria (70,9%) não recebeu o valor integral gasto para quitar a dívida ― principalmente os entrevistados com mais de 50 anos (93,5%). A maioria dos entrevistados que emprestou o nome e pagou sozinho a pendência (84,5%).

Em mais da metade dos casos (57,3%), aqueles que emprestaram o nome disseram que o relacionamento ficou abalado, principalmente entrevistados das classes A e B (79,7%). A maioria dos entrevistados (61,8%) disse que não voltaria a emprestar o nome para os outros realizarem compras a prazo. Vale lembrar que quem empresta o nome para terceiros ― seja por uma simples gentileza ou ingenuidade ―, passa a responder por todas as consequências financeiras e até mesmo jurídicas da situação.

Emprestar dinheiro é um negócio sério e deve ser avaliado cuidadosamente antes de uma decisão ser tomada, especialmente quando melhores amigos e parentes próximos estão envolvidos. Ao tomar certas precauções e saber o que esperar desse processo, você estará mais bem equipado para lidar com quaisquer frustrações que ocorram ao longo do caminho. Como disse Mark Twain: “Se um amigo te pede dinheiro, pensa bem qual dos dois preferes perder: o dinheiro ou o amigo?” Fica a dica!

[i] Administrador; possui MBA em Mercado Financeiro (FESP-PR), MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV), Pós-graduação Internacional em Administração de Empresas (FGV) com extensão na University of Califórnia, San Diego-USA, formação em Specialist: Financial Advisory (Proseek), e especialização em Mercado Financeiro pela University Yale.

 

Fontes:

 

EMPRESTIMO DE NOME A TERCEIROS – SPC BRASIL. https://www.spcbrasil.org.br. Acesso em 28 de março de 2021.

LendingTree.com. ” Empréstimos entre familiares ou amigos resultam em culpa, mágoa e arrependimento, revela pesquisa. https://www.lendingtree.com/personal/study-lending-between-family-friends/.” Acesso em 23 de novembro de 2020.

Templar, Richard. As regras da riqueza – Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

 

 

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Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.
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