Que tal um pouco de startup?

Janaina Chiaradia


In loco: transmitindo informações e compartilhando experiências

Nas entrelinhas do Direito, por André Cesar de Mello

Amanhecendo o dia de sexta-feira, e uma matéria da série “nas entrelinhas do Direito”, se faz apresentar hoje, de maneira eficaz, afinal, precisamos refletir:

Falar, pensar e refletir, em prol de muito trabalho:

 

QUE TAL UM POUCO DE STARTUP?

POR ANDRÉ CESAR DE MELLO[1]

Estamos em outra sexta-feira da coluna “Nas Entrelinhas do Direito” e hoje iremos falar sobre um assunto do momento (deste momento e do futuro) que afeta muitos empresários, seja como oportunidade de crescimento, seja como concorrência possível. Já falamos sobre as startups anteriormente[2] e hoje iremos abordar sobre esse mundo de uma forma diferente. Prontos? Vamos lá!

DIFERENÇAS ENTRE STARTUP E EMPRESAS COMUNS

Já mencionamos essa diferença no artigo anterior, mas é importante relembrar que o mercado costuma definir uma startup como aquela empresa escalável e replicável que trabalha em um mercado incerto. Consideramos escalável uma empresa que consegue crescer sua operação muito rápido, aumentar sua oferta e seus clientes, por exemplo, sem necessitar aumentar suas despesas. Replicável, por sua vez, diz respeito à capacidade de entrega seus produtos em escala potencialmente ilimitada em diversos contextos. Além disso, estar em um mercado incerto também é importante; startups geralmente criam seu próprio mercado com uma solução totalmente inovadora ou entram em um mercado que está iniciando.

Perceba que no conceito mais aceito pelo mercado não há nenhuma referência de tecnologia, disrupção ou inovação. Isso porque a tecnologia é a ferramenta que permite uma empresa ser escalável e replicável; somente por ela é possível crescer exponencialmente com uma estrutura pequena. Contudo, ter tecnologia não significa que sua empresa é uma startup.

Portanto, a diferença de uma startup para uma empresa tradicional é a capacidade de crescimento, replicabilidade e a sustentação de uma estrutura enxuta para maximizar o lucro.

E COMO POSSO TIRAR A IDEIA DA CABEÇA E COMEÇAR UMA STARTUP?

Atualmente vemos várias startups conquistarem valores expressivos de investimento e valuation (valor de mercado da startup), o que faz com que várias pessoas tenham vontade de abrir a sua para aproveitar esse mar de oportunidades. Naturalmente a primeira pergunta a ser realizada para isso é: “Qual será minha solução?” Sempre começamos pensando no que vamos construir, quem serão nossos sócios e quanto precisaremos gastar. Será que esse pensamento está certo?

Infelizmente, esse é um caminho muito errado. A melhor maneira de começar uma empresa é olhando para quais serão os problemas que pretende resolver. Entender seu público, quais são suas ações diárias, quais são as dores que sentem em sua vida e quais são os ganhos que esperam receber no futuro é o primeiro e mais importante passo. Esse exercício serve para possibilitar a criação de uma solução valiosa; ninguém precisa de uma solução para um problema que não possui. Entendendo os problemas que seu público possui, a criação de soluções valiosas se torna natural e esperado. Esse exercício ainda fica mais fácil quando essa análise é sobre assuntos que o empreendedor domina. Mas se lembrem: a visão pessoal do empreendedor não é a necessidade do mercado; todas as conclusões sobre os problemas devem ser retiradas de perguntas e informações obtidas diretamente com seu público alvo. Para isso é importante fazer questionários e perceber o seu público.

Após esse exercício, o empreendedor estará capaz de construir soluções úteis e valiosas para seu público. Essas soluções geralmente são tecnológicas, pois conseguem ter um valor de operação baixo e atender inúmeros clientes ao mesmo tempo. Tendo o problema bem definido e uma solução lógica, o empreendedor possui uma ideia de negócio. Essa é a melhor maneira de tirar uma ideia do papel, na minha visão. Isso permitirá o empreendedor correr atrás de investimento para fazer sua ideia resultar em um negócio de sucesso, justamente porque está com a faca (problema) e o queijo (solução) na mão. A fome, meus queridos leitores, surge logo em seguida.

 

E O MERCADO FUTURO DAS STARTUPS?

 

Estamos vendo a chegada de grandes investidores mundiais no Brasil, como o Softbank por exemplo. A oferta expressiva de capital faz com que as empresas se valorizem e, por isso, estamos vendo o continuo aparecimento de startups unicórnio. Apesar disso ser muito benéfico para os empreendedores, pois conseguem mais opções baratas de aquisição de capital, tem um efeito de bolha. Na minha percepção, veremos várias startups que prometem muito agora quebrarem logo, caso não apresentem resultados concretos. O que eu vejo hoje é muito empresa prometer lucros gigantescos no futuro, mas o que vemos hoje é necessidade de obtenção de capital para sustentar seu modelo. Quando essas empresas não cumprirem repetidamente suas metas, o mercado ficará mais conservador no momento de entrega de capital. Será nesse momento que a bolha estourará e somente ficarão as empresas que possuem negócios realmente saudáveis.

Esperamos que esse texto tenha ajudado muito os nossos leitores.

Abraço caloroso a todos(as).

 

[1] ANDRÉ CESAR DE MELLO é advogado nas área tributária-empresarial, sócio da Cunha & Mello Law Firm, escritor de livros, artigos e professor nas referidas áreas.

[2] Disponível em: <https://paranaportal.uol.com.br/opiniao/in-loco-novas-tendencias-do-direito/as-inovacoes-advindas-com-as-startups/>.

Previous ArticleNext Article
Janaina Chiaradia
Jurista, Mestre em Direito, Professora, Palestrante e Escritora.