Lula e a ofensa pejorativa, fácil e preguiçosa

Jornalista e escritor Alceo Rizzi comenta sobre declarações pejorativas sobre o ex-presidente Lula devido à falta de um dedo. Critica a ação maldosa.

Pedro Ribeiro - 23 de maio de 2022, 19:30

Foto/Divulgação PP
Foto/Divulgação PP

 

Alceo Rizzi

A disposição ao ataque ofensivo e pejorativo valendo-se de limitações, deficiências físicas ou de outra natureza de quem é objeto da agressão, é a faceta mais sordidamente pobre e rasa da dignidade humana.

Atestado público de estupidez do agressor, ele sim a vítima de alguma patologia que resulta na indigência em se expressar de outra forma, incapacitado congenitamente, ou por ignorância cultuada em seu ambiente de convívio. Não se argumenta.

Na dificuldade e ausência de raciocínio organizado, o insulto fácil movido e aconselhado apenas pela repulsa e por raivoso instinto. Houve época, no governo de FHC, em que e um procurador da República, com córcova acentuada,  por denúncias que fazia,  muitas vezes era vil e debochadamente tratado como Quasímodo,  referência ao personagem central e corcunda de Notre Dame de Paris, romance de Victor Hugo.

Entre estúpidos pode-se achar graça, como à época deve ter quem achasse que havia. Como provável que também tentem achar graça agora na  estupidez ignorante e asquerosa  de se referir depreciativamente  ao ex-presidente Lula , com pretensão ofensiva de o "nove dedos", pelo fato de ter uma das mãos com um dedo decepado, sem que se faça julgamentos de outros méritos ou não.

Como  faz a presidência, esta sim inqualificável diante da dificuldade de encontrar uma palavra que expresse em sintese a plêiade de adjetivos ruins que consegue  reunir. Todos eles, porém, vistos como virtudes por devotos não tão  difíceis de serem adjetivados.. Poderia haver, pelo menos,  um pouco menos de mental preguiça, sem que se pretenda alguma redundância.

 

Alceo Rizzi é jornalista