Paraná recebe menos vacinas e atrasa na imunização de idosos

Pedro Ribeiro

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O cronograma de distribuição de vacinas definido pelo Plano Nacional de Vacinação contra a Covid, do Ministério da Saúde, prejudica o Paraná. Ao receber menos doses, o Estado ainda não começou a imunizar pessoas com idades entre 60 e 70 anos.

O Rio Grande do Sul, com população menor do que a do Paraná, é privilegiado com mais doses do imunizante. São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, já estão vacinando pessoas com idade de 60 a 80 anos.

A diferença entre as quantidades de vacinas entregues ao Paraná e ao Rio Grande do Sul permitiria imunizar todos os moradores de uma cidade como Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba, que tem uma população de 120 mil habitantes, observa o deputado Luiz Claudio Romanelli.

Com o novo lote de CoronaVac, entregue nesta quarta-feira (3) pelo Ministério da Saúde, a diferença subiu para 245.400 doses. Foram 146,8 mil vacinas encaminhadas ao Paraná e 174,8 mil ao Rio Grande do Sul, questiona o parlamentar.

“É uma discriminação. Desde o início da vacinação, o Paraná recebeu 853 mil doses e o Rio Grande do Sul, 1.098.400. Essa diferença é de 245 mil”, pontuou.

O governo brasileiro oficializou, na noite desta quarta-feira (3), a intenção de compra de 138 milhões de doses das vacinas da Pfizer e da Janssen, para o combate à pandemia da covid-19.

VACINAS CHEGAM AO PARANÁ EM CONTA-GOTAS

Como as vacinas chegam ao Paraná em conta-gotas, Curitiba, por exemplo, optou em escalonar a campanha por idade, priorizando os mais velhos, e portanto mais vulneráveis aos quadros graves da covid-19.

Não há prazo definido para quando começará a imunização a pessoas a partir de 75 anos. Isso dependerá da velocidade do Ministério da Saúde em negociar e distribuir vacinas. As etapas de vacinação só avançam à medida que os grupos de maior prioridade são vacinados.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, os dias e horários de vacinação são planejados de forma a atender a demanda e evitar desperdícios.

Esse também era o argumento usado para defender a centralização da campanha de vacinação no Pavilhão do Parque Barigui.

O ex-secretário de Saúde e deputado Michele Caputo disse ao Paraná Portal que a ausência de vacinação nos finais de semana seja, talvez, por falta de vacinas.

Sobre a suspensão da campanha de vacinação no período noturno e aos domingos, a Secretaria Municipal da Saúde argumenta que as equipes estão exauridas após um ano intenso de combate à pandemia, e que mesmo com a contratação de novos técnicos e enfermeiros pelo regime PSS é preciso preservar os trabalhadores pensando na continuidade da campanha a longo prazo.

Segundo o Plano Municipal de Vacinação contra a Covid-19, a população com mais de 60 anos é estimada em 270 mil. Portanto, considerando que as vacinas disponíveis até o momento imunizam após duas aplicações, são necessárias 540 mil doses para vacinar todo o grupo.

MINISTÉRIO DA SAÚDE DIZ QUE RESPEITA CRITÉRIOS TÉCNICOS

Em nota, o Ministério da Saúde esclarece que a distribuição das doses da vacina contra a covid-19 adquiridas seguem critérios técnicos previamente estabelecidos no Plano Nacional para Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19: riscos de agravamento e óbito pela Covid-19, visando a redução da morbimortalidade causada pelo coronavírus, bem como a manutenção do funcionamento da força de trabalho dos serviços de saúde e a manutenção do funcionamento dos serviços essenciais.

Conforme ofício encaminhado no dia 8 de fevereiro de 2021 aos estados e municípios, o PNI alerta que não seguir a ordem priorizada pelo programa pode acarretar na falta de vacinas para os grupos de maior risco de adoecimento e óbito pela Covid-19.

Orientações referentes para cada etapa são realizadas por meio de informes técnicos, com as definições referentes aos grupos que deverão ser atendidos com o quantitativo de doses enviado por etapa. O Ministério da Saúde distribui as doses aos estados, que são responsáveis pelo envio aos municípios, de acordo com necessidades e planejamentos locais”.

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Sem doses suficientes para avançar a campanha de vacinação, Curitiba não tem previsão para imunizar a população entre 60 e 79 anos. (Foto: Daniel Castellano /SMCS)

CRM E OAB  COBRAM EMERGÊNCIA NA VACINAÇÃO

Instituições são defensoras das medidas preventivas recomendadas pelas autoridades sanitárias e a emergencial necessidade de ampliação da cobertura vacinal, como respaldado por decisão judicial que confere ao Estado e municípios priorizarem ações em prol da saúde da população

O Conselho Regional de Medicina no Estado do Paraná (CRM-PR) e a OAB Paraná publicaram nota conjunta nesta quinta-feira (4) em defesa da priorização da vacinação no país. As instituições se colocam à disposição para auxiliar neste momento crítico que exige máxima união entre a sociedade, governos, gestão pública e classe política. As instituições são defensoras das medidas preventivas recomendadas pelas autoridades sanitárias e da ampliação da cobertura vacinal.

“Cabe aos Municípios e aos Estados priorizarem de forma absoluta a realização de ações efetivas no sentido de adquirir diretamente dos fabricantes de imunizantes da Covid-19 doses que agilizem a vacinação no território paranaense”, diz trecho da manifestação, em referência à decisão emanada do STF. Confira a íntegra:

NOTA CONJUNTA CRM-PR E OAB-PR

O Conselho Regional de Medicina no Estado do Paraná (CRM-PR) e a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Paraná (OAB-PR), instituições que têm entre suas missões a proteção à vida e às garantias fundamentais, vêm a público, nesse momento extremamente delicado pelo qual passa a sociedade paranaense e brasileira, com a perda de vidas e crescimento de casos provocados pela Covid-19, reiterar sua confiança nos governantes municipais e do Estado na condução das ações capazes de reduzir o número de mortes e debelar a pandemia; colocar-se à disposição, mais uma vez, para auxiliar neste momento que exige máxima união entre a sociedade, governos, gestão pública e classe política e vêm, também, concitar todos, especialmente as autoridades competentes de cada esfera de governo municipal e estadual a adotarem, em caráter de urgência, as medidas necessárias para efetivar as soluções adequadas ao momento, considerando o seguinte:

I – com base na decisão do STF, proferida na ADPF n. 770, proposta pelo CFOAB, que permitiu a compra de vacinas por estados e municípios, e da aprovação da lei federal que reforçará esse entendimento, cabe aos Municípios e aos Estados priorizarem de forma absoluta a realização de ações efetivas no sentido de adquirir diretamente dos fabricantes de imunizantes da Covid-19 doses que agilizem a vacinação no território paranaense;

II – que os planos de vacinação sejam preparados em todos os seus detalhes desde já, para que, assim que as doses em maiores quantidades estejam disponíveis, sejam rapidamente ministradas;

III – que as medidas de isolamento social – especialmente nas atividades sujeitas a maiores aglomerações – o uso de máscaras, higienização e os protocolos sanitários já divulgados, continuem sendo adotados, até que o índice de ocupação de leitos hospitalares atinja patamares seguros, bem como o recuo dos índices de mortes e de novos casos também aconteça de forma significativa;

IV – o momento é de união da classe política brasileira, para que todos, independentemente de ideologia e partido, ajam no sentido da ampliação rápida da vacinação, adotando as medidas legislativas e executivas necessárias à rápida imunização da população;

V – é fundamental que a população paranaense continue colaborando no sentido de adotar o isolamento social como principal forma de redução do contágio da doença, a fim de preservar a vida de todos e reduzir a dramática pressão por atendimento hospitalar, especialmente em UTIs, que se verifica nesse momento.

Curitiba, 4 de março de 2021.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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