Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Os corruptos e Dom Corleone

 Depois de pedir ao ex-presidente Lula que ele prove que os bens confiscados pela justiça são de Marisa, sua..

Pedro Ribeiro - 21 de setembro de 2017, 14:09

 

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Depois de pedir ao ex-presidente Lula que ele prove que os bens confiscados pela justiça são de Marisa, sua esposa, o juiz federal, Sergio Moro, comparou, em Porto Alegre, a corrupção brasileira à família Corleone, da Itália. Nestre caso, o mafioso Dom Vito Corleone não aceitava dinheiro para mantar matar agressores de quem fosse lhe pedir ajuda, mas ficava defendo um favor.

Moro disse, durante conferência, que nem sempre é preciso identificar a vantagem recebida para caracterizar um crime de corrupção. A vantagem pode ser “simbólica”, como no caso de propinas pagas para manter “bom relacionamento” entre políticos e empresas, por exemplo. Segundo o juiz, já existe jurisprudência para condenação mesmo quando não se identifica o motivo da propina, uma vez que se caracteriza por abuso de poder.

O juiz ilustra sua palestra: “ Um pai desesperado entra no escritório de Dom Vito Corleone, chefe da máfia italiana em Nova York, e pede ajuda para vingar a filha com a morte de seus agressores. Corleone, afagando um gato no colo, responde que não pode matá-los porque ela ainda está viva e isso “não seria justiça”, mas promete que dará uma “lição” aos criminosos. Em troca da vingança, o pai oferece dinheiro a Corleone, que se sente ofendido e responde: “Um dia, e esse dia pode nunca chegar, eu vou pedir um favor a você. Até lá, aceita essa justiça como um presente”. A cena clássica de O Poderoso Chefão, filme de 1972 dirigido por Francis Ford Coppola baseado no livro de Mario Puzo,

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Em casos envolvendo corrupção sistêmica pode ser muito difícil identificar, porque talvez não exista, uma contrapartida específica que o agente público oferece ou realiza em troca de uma vantagem financeira. Normalmente, o que se vende é uma influência a ser usada quando as oportunidades surgirem”, disse Moro durante a palestra, após citar a clássica cena interpretada pelo ator Marlon Brando. (Veja).

 

pedro.ribeiro