A Barreira do Inferno está de volta no Paraná

Pedro Ribeiro


 

A Assembleia Legislativa, a exemplo do Palácio Iguaçu, vem ampliando o número de lançamento de projetos, onde cada parlamentar puxa a sardinha para o seu prato, numa espécie de marketing pessoal para mostrar trabalho aos seus eleitores. O lamentável que estes “projetos”, em grande parte, já foram apresentados em outras épocas e que agora tomam uma roupagem nova dentro do factual.

Nos últimos dias, por exemplo, houve duas propostas que todo mundo está cansado de saber e que, efetivamente, não levará a nada. O Fundo Estadual de Combate à Corrupção e a proposta de se dedicar um mês à prevenção e ao enfrentamento contra a violência doméstica, cuja vítima é sempre a mulher. O Palácio do Planalto já “lançou”, este ano, três ou quatro programas de combate à corrupção, começando pelo sistema de compliance e até agora, de concreto  nada aconteceu.

Este projeto que cria um fundo especial de combate à corrupção é apenas mais um dos vários lançados para o mesmo fim. Combater a corrupção, como faz a Operação Lava Jato, é investir em investigação, em pessoal de campo, em dar uma chacoalhada no Tribunal de Contas e em todos – aliás são vários – órgãos de controle do dinheiro público. Fora isso, é papo furado, é discurso de enganação para tentar conquistar ou manter os eleitores ao lado.

Agora, depois de tantos projetos de combate à violência contra a mulher tendo, como carro-chefe a Lei Maria da Penha, os deputados inventam “um mês” dedicado ao tema, enquanto assistimos, diariamente, mulheres sofrendo ameaças, sendo espancadas pelos maridos ou companheiros. Então, a partir de sua aprovação, vamos fazer solenidades durante um mês sobre este crime quando, na realidade, o que precisa ser feito é combater com dureza tais agressores e também investir em pessoal para acompanhar as pessoas denunciadas por estas mulheres. O resto, é papo furado.

Como todos sabem, a Lei Maria da Penha é um importante instrumento contra a violência doméstica, mas o Brasil ainda ocupa o 5º lugar no ranking mundial de violência doméstica. O Paraná é o terceiro estado onde mais se mata mulheres por questão de gênero, ficando atrás apenas do Maranhão e do Rio de Janeiro, segundo levantamento doo Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA). O Estado tem uma média de 6,49 mortes para cada 100 mil habitantes, superando a média nacional de 5,82.

 

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal