Câmara Federal deverá sepultar voto impresso e impor nova derrota ao governo

Pedro Ribeiro

Não há evidência de fraude e urna eletrônica é segura, afirmam peritos da Polícia Federal

 

A Câmara Federal deverá colocar o último prego no caixão do voto impresso durante votação da matéria em plenário. Esta é mais uma investida do presidente Jair Bolsonaro no sentido de tumultuar o processo democrático no país, instigando discórdia entre poderes.

O presidente vai mais longe em seus desafios quando convoca as Forças Armadas a colocarem os tanques de guerra nas ruas, numa clara tentativa de intimidação do pacato povo brasileiro, como fez recentemente seu colega venezuelano.

Tentar fazer prevalecer o voto impresso, aos moldes do passado é retroceder no tempo. Não causa estranheza mais esta tentativa anacrônica em se tratando de um país como o Brasil, diante de um governo que nega a ciência, ao achar que vacinas contra epidemias não resolvem e coloca este tema como prioridade em sua gestão. É subjugar o País, numa espécie de retorno a tempos medievais.

Se o sistema eletrônico de votação não for eventualmente imune a tentativas de ocorrência de fraudes, ele é incomparavelmente superior ao do processo de votação por cédulas, uma espécie de volta ao voto de cabresto nos grotões do País ou em territórios dominados pelo crime organizado, do narcotráfico às milícias.

O sistema de votação eletrônico atual é mais seguro, mais eficiente, o que garante ao eleitor maior liberdade de escolher seu candidato na boca da urna, sem a pressão de quem quer usurpar sua cidadania.

O Brasil, com tantos problemas a serem resolvidos, diante de uma trágica realidade pandêmica agravada pela negligência do governo no combate ao vírus, agora com denúncias de fraudes e corrupção na compra de vacinas, cada vez mais é tentado a se submeter a caprichos e se tornar refém de um presidente que deveria estar ocupado com questões mais importantes.

Essa insistência sobre o retorno ao voto em cédulas apenas demonstra que o ocupante do Palácio do0 Planalto não tem uma pauta prioritária. Deveria estar tratando de assuntos urgentes como o respeito à Constituição, o combate à desigualdade social, o empenho em lutar pela defesa do meio ambiente, do esforço em por comida na mesa de milhões de brasileiros que estão abaixo da linha da pobreza e da miséria. Sobre isso, ele não fala.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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