A capacidade de produzir alimento e a generosidade do campo

Pedro Ribeiro

ortigara

 

O secretário da Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado, Norbeto Ortigara, coloca o dedo direto na ferida quando observa que se não houver apoio financeiro para o campo, a situação não será fácil para o país que passa por uma crise econômica e política e tende a piorar. Questiona, por exemplo, o adiamento do anúncio do plano-safra por conta da incapacidade de definir R$ 10 bilhões para equalização do custo do dinheiro dos financiamentos.  Além do crédito, Ortigara manifesta preocupação em relação a medidas que possam vir a penalizar ainda mais o campo, como tributação das exportações de commodities e elevação do custo do dinheiro para os financiamentos rurais. Em artigo, o secretário explica que, no caso paranaense, 90% dos municípios dependem da dinâmica do agro. Veja o artigo:

“Daqui a 21 dias começa um novo ano agrícola (julho a junho), obedecendo as coisas da natureza. Temos pouco tempo para definir se queremos  manter em alta um dos poucos setores que impulsionam o Brasil.

Alguns defendem que medidas amargas atinjam o setor, como tributar as exportações de commodities  e elevar o custo do dinheiro para os financiamentos rurais. Tudo por conta da grave crise fiscal pela qual passam a União e boa partes dos Estados e Municípios.

Nada mais equivocado, porém. Significaria matar a galinha dos ovos de ouro! Não se deve exportar impostos e, eventual tributação, suprimiria a competitividade da agricultura. Esse filme já assistimos. A agricultura argentina quebrou por conta de medida semelhante.

Se temos alguma presença importante e chance de ampliar a participação no comércio mundial, ela passa pelo campo e pela agroindústria.

É inteligente manter um bom fluxo de crédito para o setor, com juros preferenciais. Isso não é privilégio. O mundo inteiro protege a sua capacidade de produzir alimentos.

Além do crédito, é necessária uma agressiva política de proteção dos cultivos e dos patrimônios, na forma de alargamento da base do seguro rural. Defendemos a destinação de R$ 1,0 bilhão para isso, na safra 2019/20.

O Paraná, na condição de grande produtor de grãos (vice-lider, com mais de 37 milhões de toneladas por ano) e de principal produtor de carnes ( mais de 5,0 milhões de toneladas de boi, frango, suínos e peixes), espera por isso. Afinal, mais de 70% do que exportamos sai do campo, que emprega diretamente mais de 840.000 pessoas, além dos efeitos indiretos que provoca na indústria, comércio e serviços. Cerca de 90% dos municípios dependem da dinâmica do agro.

O Governo Federal, quebrado, adiou o anúncio do plano-safra, por conta da incapacidade de definir R$ 10 bilhões para equalização do custo do dinheiro dos financiamentos”.

Vamos lá, Brasil. Inteligência, firmeza de propósitos. O campo devolve.

 

Norberto Ortigara é secretário da Agricultura e Abastecimento

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.