A Covaxin, uma vacina com(n)turbante

Pedro Ribeiro

Bolsonaro pede para PF investigar deputado e irmão que apontaram suspeita na compra da Covaxin

Ainda vai dar muito o que falar essa compra superfaturada de vacinas Covaxin por parte do empresário Francisco Emerson Maximiano, dono da Farmacêutica Precisa. Ele era esperado nesta quarta-feira, 23, para depoimento na CPI da Covid mas não compareceu alegando que está em quarentena após retorno de uma viagem `China.

O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) disse nesta terça-feira, 22, que o chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Fernandes Miranda, chegou a ser demitido após denunciar um esquema de corrupção no processo de compra da vacina indiana.

“Situação esdrúxula. Absurdo o que estavam tentando fazer. Era gravíssima a situação ali dentro”, disse Miranda ao Estadão. Como mostrou reportagem do jornal, o governo Bolsonaro fechou contrato de compra por um preço 1.000% maior do que o anunciado pela própria fabricante seis meses antes.es.

Sobre essa transação, o jornalista Alceo Rizzi, colaborador do Paraná Portal, faz uma avaliação:

VACINA COM(N) TURBANTE

Um tanto cabeluda essa história da compra de vacina indiana Covaxin e um tanto curioso o enredo de outro caso anterior, com envolvimento e protagonismo, involuntários ou não,   em transação com a empresa Precisa Medicamentos, a que fez a intermediação na negociação com o Ministério da Saúde.

Com preço superfaturado de 1.000 por cento cada unidade, quatro vezes superior ao custo do imunizante da Astrazeneca, distribuído pela Fiocruz, a empresa da intermediação é sócia de outra que já  responde à  ação no Ministério Público de Brasília por suposto calote,  de 20 milhões de reais, pela venda de medicamentos ao Ministério da Saúde, sem que tenha entregado um comprimido sequer.

Na época, em 2017, o ministro da Saúde era o deputado paranaense Ricardo Barros,  hoje líder do governo na Câmara. Uma coincidência apenas, pelo rito correto e cauteloso de não presunção de juízo de valor que se faça. Agora, o Ministério tenta na Justiça recuperar a grana e ser ressarcido, como também nega ter feito qualquer pagamento pela compra da vacina indiana superfaturada na operação sob investigação da CPI da Covid no Senado.

Neste caso, com a suposta participação do presidente da República, em telefonema ao primeiro-ministro indiano  para agilizar a compra. Virou vacina com turbante. Ou, também e apenas conturbante!

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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