A entrevista de Lula e a paciência do brasileiro com governo Bolsonaro

Pedro Ribeiro

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Nesta sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede sua primeira entrevista à imprensa – apenas dois jornais – depois que foi preso há quase um ano. Embora não tenhamos o teor a fala, acreditamos que Lula voltará a sustentar que foi julgado e que não existem provas sobre suposta, portanto, é inocente e preso político. É esperado também, nesta entrevista, que o líder petista convoque a militância para uma reorganização do partido visando a continuidade da luta pelas causas sociais, já que houve um esvaziamento em todo o país depois das eleições. É bom lembrar que apesar das denúncias e condenações, Lula é um grande líder político nacional.

Pela avaliação da última pesquisa do Ibope, onde cresceu de 21% para 40%, entre janeiro e abril, o percentual de brasileiros que desaprovam o modo como o presidente Jair Bolsonaro governa o Brasil, é um sinal de alerta ao Palácio do Planalto, onde também há um desconforto entre o chefe da nação e seu vice, o general Hamilton Mourão, provocado por interferência dos filhos com a ajuda do polêmico e encrenqueiro Olavo de Carvalho. Segundo editorial do Estadão, a pesquisa mostra que, aparentemente, a paciência dos brasileiros com Bolsonaro está acabando e mais rapidamente do que aconteceu com os antecessores.

A mesma pesquisa do Ibope indica que a aprovação do modo de Bolsonaro governar caiu de 67% em janeiro para 51% em abril. Já a confiança no presidente recuou de 62% para 51%, enquanto a desconfiança subiu de 30% para 45% nesse curto lapso de tempo. O porcentual dos que aprovam a maneira como Bolsonaro administra o País agora está bem próximo do porcentual de votos válidos que ele recebeu no segundo turno da eleição do ano passado (55%). Ou seja, pode-se especular que sua aprovação hoje está restrita a seu eleitorado.

Na avaliação do presidente do Ibope Inteligência, Carlos Augusto Montenegro, Bolsonaro “perdeu gordura”, especialmente em razão das confusões desnecessárias que protagonizou ao longo desses quatro meses de mandato – como a divulgação de um vídeo pornográfico, a título de denunciar a promiscuidade no carnaval, e a recorrente bagunça criada pelos filhos do presidente especialmente nas redes sociais, sem falar na queda de dois ministros de Estado em menos de quatro meses de governo. Esses ruídos ajudam a piorar um cenário muito mais feio, em que o governo aparenta inação em diversos setores e acumula números negativos na economia, em especial os do desemprego e do crescimento.

No geral, o governo Bolsonaro é avaliado como “ótimo” ou “bom” por 35% dos entrevistados, contra 34% em março, o que indica estabilidade após queda acentuada – em janeiro, eram 49% os que tinham opinião positiva. Já a fatia dos que consideram o governo “ruim” ou “péssimo” saltou de 11% para 27% no mesmo período. O crescimento da faixa dos mais críticos ao governo tem sido constante. Em março, eram 24%. (veja editorial do Estadão).

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.