A fé medieval como propaganda política

Pedro Ribeiro


Alceo Rizzi

É cansativo. Virou mantra simplista o argumento de apoiadores do presidente a toda a crítica que se faça por seu comportamento de mente perturbada, responsável por milhares de mortes causadas pela pandemia por sua criminosa negligência e o deboche estúpido e agressivo com que se comporta também em outros assuntos.

Apelam sempre para a comparação com governos anteriores, a quem no fundo deveriam agradecer em parte pelo País estar hoje nas mãos de quem se demonstra desequilibrado para o cargo, pela mesma arrogância e soberba que hoje eles repetem e praticam, antes talvez com mais inteligência, apesar de também abjeta.

Febris devotos, parece síndrome de Fé medieval. De tanto usarem da comparação reducionista de que quem critica esteja com saudade dos governos petistas, mesmo a quem nunca o foi, o mantra vai acabar ainda se tornando bumerangue, espécie de propaganda para que se volte de fato ao passado recente, mesmo com todos os escândalos.

Como novo arauto, novo tempo, diante de tanta delinquência. Talvez haja até merecimento, o que alguns involuntariamente desejem. O fanatismo febril, servil e devotado, pode mudar apenas em relação a quem o protagoniza, nada mais e apesar de tudo. Nada muda de resto.

Alceo Rizzi é jornalista

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal