A fúria de Janot. O bicho é mais feio do que pintam

Pedro Ribeiro


 

O caso Rodrigo Janot, que abalou os alicerces da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, acabou, também, literalmente, incendiando a pradaria do planalto central e tirando do foco midiático, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro. O estrago foi grande e o bicho parece ser mais feio do que pintam. O livro, que conta toda a façanha de tentativa de matar o ministro do STF, Gilmar Mendes, já está nas bancas e vendendo como água. O centro nervoso da fúria, a família. Mexeu com a família, sai da frente. Isto acontece com todo mundo.

Com agenda marcada para proferir palestra na sexta-feira, 27, em Curitiba, como parte do Encontro Paranaense da Saúde, que ocorreu no Expo Unimed, a filha do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Laura Schertel Ferreira Mendes, não compareceu. Cancelou a vinda declarando-se abalada com a notícia repercutida no país após a fala de Rodrigo Janot, sobre o episódio da trama de assassinar o ministro.

Professora da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) e diretora do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon), Laura falaria em Curitiba sobre a Lei de Proteção de Dados.

A tentativa da de Janot de supostamente assassinar Mendes envolve possível acusação do ministro sobre a filha do ex-procurador, Letícia Ladeira Monteiro de Barros, que, como advogada, tinha, como cliente, Eike Baptista e a OAS, envolvidos na Operação Lava Jato.

Bar nosso do dia a dia

Quando o bicho pegava, a salvação era a “farmacinha”, uma geladeira carregada de bebidas -vinho, cerveja, uísque, cachaça, rum, vodca e gim -que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mantinha em uma das salas anexa ao próprio gabinete, na PGR. Ele relata, em seu livro, que reunia sua equipe na “Farmacinha” e “todos voltavam ao trabalho” após “uma dose de qualquer bebida”. “Para tudo, moçada! Todo mundo para a Farmacinha, sô!”, dizia Janot. “Farmacinha”, disse Janot, foi o “nome carinhoso” que deu à geladeira com bebidas usada para “incrementar” sua sala de descanso.

A fúria de Janot é contada no livroNada Menos Que Tudo”, cuja primeira tiragem, de 12 mil exemplares, já foi toda enviada às livrarias. A editora Planeta diz que uma nova reimpressão, de 10 mil exemplares, já está sendo realizada.

“É muita porrada”. Ele sofreu operação de busca e apreensão na sexta-feira (27), depois de revelar que planejou matar o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal