A ladroagem do dinheiro público

Pedro Ribeiro


 

Acompanhando como jornalista e cidadão os acontecimentos políticos recentes no Brasil, observo que esta segunda década do século nos surpreende a cada dia. O povo voltou às ruas para pedir a saída da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente e líder da classe operária e intelectual, Luiz Inácio Lula da Silva é preso – e continua encarcerado – e o desmonte, pela Operação Lava Jato, dos crimes de lesa pátria e cofres públicos, são alguns dos exemplos que se somam à prisão de empreiteiros, ex-governadores e políticos.

Nunca antes na história deste País tivemos um ex-presidente, no caso Luiz Inácio Lula da Silva, e ex-governadores de Estados puxando cana por corrupção e lavagem de dinheiro. E o quadro poderá ficar ainda mais negro antes mesmo da virada para a próxima década com a inscrição de novos ex-governadores e de outras ex-autoridades no álbum mal afamado que a História deixará para a posteridade.

Nem se fala mais na quantidade de ex-deputados e empresários que se encontram enjaulados por práticas de corrupção ativa e passiva.

Coube ao Rio de Janeiro puxar a fila dos criminosos a começar pelo ex-governador Sérgio Cabral e mais recentemente pelo sucessor Pezão, cuja alcunha bem poderia ser outra, a de uma das extremidades dos membros superiores. Estão os dois encarcerados aguardando possivelmente a visita do colega  Antony Garotinho, que já esteve guardado e anda pendurado nas teias do judiciário, podendo regressar a qualquer momento.

Do Tocantins  à Goiás, com os ventos varrendo outros Estados e também chegar ao sul para bater diretamente às portas do ex-governador do Paraná, Beto Richa que levou de reboque  para a prisão  o irmão José Richa Filho, por um curto período de cárcere, até serem soltos por decisão monocrática pelo sempre probo ministro do STF, Gilmar Mendes.

Só restou encarcerado o ex-chefe de gabinete de seu governo, o jornalista Deonilson Roldo que teve pedido de habeas corpus negado. O suposto operador de Richa, Jorge Atherino (o Grego) acaba de sair da prisão depois de pagar R$ 8 milhões em fiança em imóveis da família.

Resta saber se o ex-governador do Paraná será o primeiro a voltar a impulsionar a fila na coleção de ex-governadores a viverem novo período um spa militar fechado e vigiado, ou se antes dele o ex-presidente Michel Temer não se fará anunciar e receber o coro de boas-vindas ao estabelecimento, levado por rebocadores do Porto de Santos. Tanto o ex-presidente Temer quanto o ex-governador Beto Richa vão consumir ainda muito tempo para elaborar argumentos de defesa e tentar evitar a ameaça de terem direito apenas a uma hora diária de sol.

No caso do Paraná, o quadro poderá ficar ainda mais negro se a depressão e o esgotamento do cárcere trouxer novas informações decorrentes de uma eventual delação premiada que se faça, expondo ainda mais o ex-governador, e tornando ainda maior o rolo em que é acusado de se envolver. De qualquer forma, a década que está por ser encerrada, graças a Operação Lava Jato e ao estimulo que deu ao Ministério Público, virou o País do avesso, com o início de um combate pelo fim da impunidade.

Ainda que tenham ficado pelo caminho outros personagens do pântano político –  expressão usada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes – gente como Aécio Neves, Fernando Pimentel, Zé Dirceu, e tantos outros que hoje gozam de uma liberdade amedrontada. Como deve estar se sentindo também o filho do presidente, senador eleito Flávio Bolsonaro, sobre quem recai fortes suspeitas ainda que nada se tenha provado e cujos ilícitos sejam de coroinhas. Mas nem por isso isento de punição.

O combate à impunidade atingiu em cheio duas esferas de poder do Estado.

Apesar dos avanços, resta a sensação que o serviço foi incompleto e que ainda falta um pedaço.

 

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="587667" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]