A  placa da “fome” e o cardápio com lagosta e vinho dos togados do STF

Pedro Ribeiro


 

 

Descendo a Avenida Mário Tourinho em direção ao Parque Barigui, em Curitiba, em um dos sinaleiros, um jovem aparentando entre 20 a 25 anos, chama a atenção dos motoristas: levantava um pequeno papelão escrito a palavra “fome”. No próximo sinaleiro, ouro jovem de idade semelhante colocava balas no retrovisor dos carros tentando manter seu sustento ou, quem sabe, da sua família.

 

O jovem com a plaquinha escrita “fome” pedia dinheiro para comprar pão. É o clichê. Este jovem, pelo visto, excluído, deveria ter o apoio do Estado ou para estudar ou mesmo para trabalhar. Pela aparência física, poderia estar no mercado de trabalho, assim como outros jovens de sua idade estão empregados na construção civil e levando o sustento a suas famílias.

 

Ilustro esta coluna, para lembrar aos leitores que o Supremo Tribunal Federal, o STF, onde estão instalados os poderosos ministros que mandam e desmandam no poder judiciário brasileiro em nome da constituição e dos “guardiões da justiça”, que divulgou nesta sexta-feira, 26, informações sobre um pregão eletrônico para “serviços de fornecimento de refeições institucionais”, com gasto estimado de R$ 1,134 milhão.

 

Pasmem! O serviço se refere à contratação de um fornecedor para as refeições servidas pela Corte. O menu inclui desde a oferta para café da manhã, passando pelo “brunch”, almoço, jantar e coquetel. Na lista, estão produtos para pratos como bobó de camarão, camarão à baiana e “medalhões de lagosta com molho de manteiga queimada”. Exige ainda que sejam colocados à mesa bacalhau à Gomes de Sá, frigideira de siri, moqueca (capixaba e baiana), arroz de pato. Tem ainda vitela assada; codornas assadas; carré de cordeiro, medalhões de filé e “tournedos de filé”, com molho de mostarda, pimenta, castanha de caju com gengibre.

 

Tem mais: Se for vinho tinto fino seco tem de ser Tannat ou Assemblage, contendo esse tipo de uva, de safra igual ou posterior a 2010 e que “tenha ganhado pelo menos 4 (quatro) premiações internacionais”. “O vinho, em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso, por período mínimo de 12 (doze) meses.”

Se a uva for tipo Merlot, só serão aceitas as garrafas de safra igual ou posterior a 2011 e que tenha ganho pelo menos quatro premiações internacionais. Nesse caso, o vinho, “em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho, de primeiro uso, por período mínimo de 8 (oito) meses”.

Para os vinhos brancos, “uva tipo Chardonnay, de safra igual ou posterior a 2013”, com no mínimo quatro premiações internacionais.

A caipirinha deve ser feita com “cachaça de alta qualidade”, leia-se: “cachaças envelhecidas em barris de madeira nobre por 1 (um) ou 3 (três) anos.”

Destilados, como uísques de malte, de grão ou sua mistura, têm que ser envelhecidos por doze, quinze ou dezoito anos. “As bebidas deverão ser perfeitamente harmonizadas com os alimentos”, descreve o edital.

O STF, por determinação do ministro Dias Toffoli, fez uma reforma no gabinete da presidência que incluiu a substituição de carpete por piso frio e até a instalação de um chuveiro. A obra custou 443.908,43 reais aos cofres públicos.

Bem, vou parando por aqui, com a cara rosada de vergonha. Bom domingo

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal