A Semana do Brasil e os 13 milhões de desempregados

Pedro Ribeiro


 

O governo federal cria a “Semana do Brasil”, de 06 a 15 de setembro, com o objetivo de estimular as vendas no comércio, oferecendo aos consumidores ofertas e descontos nas maiores e melhores lojas Brasileiras. É uma forma de reanimar o varejo e a produção industrial. Bem, fica a pergunta: de onde sairá o dinheiro? Dos míseros R$ 500 do FGTS? O governo aposta na adesão de empresas dispostas a grandes promoções na semana especial.

Gláucio Geara, presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP) diz que a entidade está se mobilizando para a Semana Brasil e colocará cartazes em frente as lojas como estímulo à vendas. Observa que é uma iniciativa do Governo Federal, da Secretaria de Comunicação Social que fará uma campanha de marketing em todo o país. “O comércio está retraído e precisa ser feito alguma coisa para estimular o giro da economia e até a geração de empregos”, pontuou.

Para o empresário Camilo Turmina, vice-presidente da ACP, trata-se apenas de uma ideia do governo que ainda está muito vaga. Por exemplo: “quem vai tomar frente nisso, haverá campanha de marketing? Nos parece que há uma intenção, sem fato real. O governo tem que investir na redução dos juros e estímulo ao emprego. Só assim a economia gira pois, como está, estagnada, não há perspectiva de investimentos das empresas que estão se mantendo à duras penas”, disse.

 

Será que a equipe econômica do Governo Federal pensou nos 13 milhões de desempregados e mais outros 12 milhões que estão na informalidade – subempregados -ou ainda na inadimplência? Mais ainda: a equipe de Paulo Guedes também pensou nos juros cobrados pelos cartões de créditos que chegam a 300% ao ano e nos próprios juros dos cheques especiais?

A ideia do governo não deixa de ser boa, porém, arriscada, pois poderá empurrar um maior número de pessoas na lista negra do Serasa. A população não tem dinheiro, assim como o Governo Federal também não tem dinheiro, como relatou recentemente o presidente Jair Bolsonaro. A Semana do Brasil poderá ajudar o comércio a sair da crise mas, em contrapartida, empurrar o consumidor – diga-se, sem dinheiro – cada vez mais para o buraco.

É preciso, acima de tudo, criar empregos, oportunidades de trabalho, e isso só se faz com estímulo ao investimento privado interno e externo e obras de infraestrutura.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal