Adeus às armas

Pedro Ribeiro


Alceo Rizzi

Atos de indisciplina de oficiais de baixa patente, mesmo de soldados, estimulados pela decisão de não se punir o general de Divisão da ativa e ex-ministro da Saúde, por transgressão ao código de conduta da instituição, pode ser o menor dos problemas do comandante do Exército daqui para a frente. Seja como oficial investido no cargo, ou no aspecto de respeito pessoal, o maior desafio agora talvez seja o de recuperar a credibilidade e dar demonstração de capacidade de comando à tropa. Incluindo nela generais da ativa e admiração dos da reserva, a começar pela Alta Cúpula, muitos deles favoráveis à uma punição do militar que transgrediu o código de disciplina ao participar de ato político junto com o presidente. Colocou o Exército de joelhos ao aceitar interferência e quebra da hierarquia em uma relação direta de um comando sobre seu subordinado, apenas por ceder à pressão do presidente, a pretexto dele ser o Chefe Supremo das Forças Armadas. Ao acatar interferência indevida, ainda que do presidente em um grau de relação de hierarquia no qual o infrator disciplinar não tem envolvimento e que, ainda assim se torna o maior beneficiário, a despeito da humilhação e do desgaste a que é submetida a instituição militar. Frágil a justificativa da decisão, para se evitar eventual crise na relação com a presidência. Ela estaria como sempre esteve assegurada na relação do respeito à hierarquia estabelecida constitucional e operacionalmente. Também ao presidente, a eventual sensação de vitória obtida na proteção à punição de um general e seu vassalo, pode ter sabor efêmero, diante do ressentimento que deixou na tropa mais graduada.

 

Alceo Rizzi é jornalista e colaborador do Paraná Portal

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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