Alep faz homenagem a Bernardo Ribas Carli

Pedro Ribeiro



No retorno do recesso parlamentar nesta quarta-feira (1º) a Assembleia Legislativa do Paraná prestou homenagens ao deputado Bernardo Ribas Carli (PSDB), que faleceu no dia 22 de julho em razão de um acidente aéreo.

O presidente Ademar Traiano (PSDB), ao abrir a sessão plenária especial, que contou com a presença dos pais do homenageado, Luiz Fernando Ribas Carli e Ana Rita Guimarães Carli, e do 1º secretário, deputado Plauto Miró (DEM), também tio do parlamentar falecido, ressaltou o brilhante trabalho de Bernardo em defesa de Guarapuava e da região durante os dois mandatos que exerceu como deputado estadual, destacando que o jovem político deixará saudades.

Emocionado, o chefe do Poder Legislativo ressaltou ainda o perfil alegre e conciliador de Bernardo, que embora jovem, sempre mostrava muita responsabilidade com o trato da coisa pública. “Sabia dialogar com todos, sem discriminar partido ou ideologia, sabia ouvir com respeito pensamentos diferentes ou contrários aos seus e não demorou a compreender que evitar conflitos políticos é o caminho mais rápido para melhorar a vida das pessoas”, afirmou Traiano.

Para Traiano, dentre as importantes ações do deputado, a saúde foi uma delas, com a construção do Hospital Regional de Guarapuava e criação do curso de Medicina na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), bem como da conciliação das forças política locais. “A construção do Hospital Regional de Guarapuava foi uma de suas principais lutas desde que entrou na política. Promoveu audiências públicas, defendeu a necessidade da obra, provocou reuniões com o governo e acompanhou cada passo da construção, acreditando ser a realização de um grande sonho de Guarapuava e região”.

Homenagem de Traiano

É hora de silenciarmos as vozes neste plenário. Esta primeira sessão, após o recesso, é marcada por um sentimento de vazio e tristeza pela morte do nosso amigo Bernardo Ribas Carli. 

Não voltaremos a compartilhar o dia a dia com o Bernardo, deputado com sorriso pronto e sincero e uma forma muito própria, leve e alegre, de lidar com esse nosso mundo político. 

Bernardo adquiriu aqui dentro uma maturidade precoce, que foi crescendo desde os seus 26 anos, quando passou a ocupar uma dessas cadeiras. 

Sabia dialogar com todos, sem discriminar partido ou ideologia, sabia ouvir com respeito pensamentos diferentes ou contrários aos seus e não demorou a compreender que evitar conflitos políticos é o caminho mais rápido para melhorar a vida das pessoas.

 Falar de Bernardo é falar de simplicidade, carisma, gentileza, otimismo. 

Partiu sem nenhum sinal de despedida. Esperávamos o Bernardo para uma reunião aqui em Curitiba. Ele confirmou que chegaria às 14 horas. 

Mas naquele domingo, o Bernardo não veio. Imagino como ele gostaria de ter vindo. Iríamos falar das estratégias para fortalecer o nosso partido nesse processo eleitoral, discussões que ele fazia questão de participar com opiniões inteligentes e ponderadas. 

Aproveitou da melhor forma o seu tempo como deputado. Fez parte das comissões mais importantes da Assembleia e criou leis de grande alcance social. 

Com perfil conciliador, Bernardo levou Guarapuava a viver um momento histórico. Ele foi o grande articulador da união das forças políticas da cidade, aproximando os grupos que caminhavam em lados opostos. 

A construção do Hospital Regional de Guarapuava foi uma de suas principais lutas desde que entrou na política. Promoveu audiências públicas, defendeu a necessidade da obra, provocou inúmeras reuniões com o Governo do Paraná e acompanhou cada passo da construção, acreditando ser a realização de um grande sonho de Guarapuava e região. 

Bernardo sempre teve certeza de que conseguiria levar aquela grandiosa obra. Nunca imaginou, porém, que pudesse, por ironia do destino, batizá-la com seu próprio nome. 

Estamos apresentando hoje um projeto de lei nesta Casa que denomina o Hospital Regional de Guarapuava como “Deputado Bernardo Guimarães Ribas Carli”.  O próprio Bernardo havia criado uma lei para que o hospital levasse o nome do ex-governador José Richa, mas a família Richa, gentilmente, concordou em abrir mão para que a homenagem seja feita ao deputado. 

Essa e muitas outras obras foram conquistadas com diálogo e humildade. Bernardo dispensava formalidades e não gostava de ostentar o cargo que ocupava. “O Senhor está no céu”, respondia a todos que o cumprimentavam em tom oficial. 

Mesmo com agenda cheia, não tinha pressa em ouvir quem dele se aproximava, correspondia com um aperto de mão, um abraço ou uma palavra carinhosa. Fazia isso com prazer e atenção. Era gente boa, um menino do bem. 

A morte apagou o futuro do Bernardo, os planos, as boas intenções, o desejo de formar uma família, o sonho de ter filhos. A morte impediu Bernardo de ir para lugares que ele gostaria de conhecer. Viajar era uma de suas paixões. A morte não deu chance para Bernardo comemorar a eleição de outubro, que certamente confirmaria que o povo entendeu e aprovou o seu trabalho, confiando a ele mais 4 anos de mandato. 

Temos dificuldade em aceitar a morte porque esquecemos com facilidade que nossa vida na terra é apenas uma passagem. E naquele dia, tive a dolorosa missão de dar a notícia à família de que realmente ele havia partido. 

Sua despedida levou às ruas de Guarapuava amigos de escola, da política, da faculdade, da família, da vida. E o mais emocionante: pessoas que nunca sequer tiveram contato pessoalmente com ele. Vimos lágrimas de gente humilde que ele, de alguma forma, ajudou com seu trabalho. Talvez nem o próprio Bernardo tivesse a dimensão de como era querido por todos. 

A imagem que quero guardar na memória é a do Bernardo chegando todo dia na minha sala na Presidência com aquele bom-humor de sempre, fazendo alguma brincadeira, se esparramando no sofá para escolher suas balas preferidas no pote que tenho sobre a mesa. Eu acompanhava atento à movimentação dele, como um pai, achando graça no jeito criança do filho já crescido. 

Não é fácil aceitarmos a inversão da ordem natural do ciclo da vida. Jamais estaremos prontos para enterrar um filho. Dor terrível, que assombra.  Assim estão os pais Fernando e Ana Rita, o irmão Fernando, o tio Plauto, família que enfrentou muitas provações nos últimos anos, mas que há de conseguir as forças necessárias para a difícil superação desse momento. 

Mas se faltam palavras para tentar amenizar o sofrimento nesta hora, traz um certo alento saber que Bernardo deixou só admiração e bem querer. Foi embora fazendo o que todos nós deputados mais gostamos: estar perto das pessoas. 

Naquele fim de semana, abriu mão do lazer e do convívio com a família para participar de uma Festa na paróquia de União da Vitória. Antes passou na padaria tomar um café com leite e misto quente, como de costume. Um roteiro parecido com o de todos nós, deputados. Poderia ser um de nós. Mas o destino escolheu o Bernardo, mesmo tendo apenas 32 anos de idade.

Por aqui, estaremos sempre prontos para manter viva a bela história do Bernardo, construída na curta permanência entre nós. Tanto que vamos criar um espaço nesta Casa com o nome dele. 

Bernardo cumpriu sua missão, que infelizmente, foi breve.  Quem dera, todos nós aqui, ao deixarmos esse mundo, possamos receber tantas manifestações de carinho como ele. Que as nossas palavras, nossos gestos e nossas ações também façam a diferença na vida das pessoas. 

Em algum lugar, de alguma forma, o Bernardo continua sua trajetória.  E repetindo a frase que ele tanto gostava: “Vamos achar o caminho”. Siga teu caminho em paz, Bernardo.”

 

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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