Alto Paraná, mais um aniversário esquecido

Pedro Ribeiro


 

Peço licença aos leitores de Curitiba e outras regiões do Estado para escrever algumas linhas sobre uma cidade que, infelizmente, pelas informações que tenho e também pelo que presenciei em minha última passagem por ela, está literalmente abandonada. Falo da minha eterna e querida Alto Paraná que, hoje, dia cinco de maio, comemora mais um aniversário.

 

Não julgo esse ou aquele gestor municipal porque sei que muitas cidades no país sofrem com a falta de recursos financeiros, quer do Fundo de Participação dos Municípios ou dos próprios governos estaduais que dão às costas – talvez não se interessem pelo reduzido número de eleitores – mantendo apenas alguns serviços básicos, como saúde e educação, mesmo que precariamente. Por isso, estão largadas e, como disse, abandonadas.

 

Perder população ativa, pela migração, principalmente de jovens que buscam em cidades maiores novas oportunidades de trabalho, é natural em qualquer cidade que sofreu, como Alto Paraná, problemas com geada (1975) que levou muitas famílias a abandonar a lavoura em busca de outras terras. A vida se renova e quem entra na política, seja vereadores ou prefeitos, têm a obrigação de manter sua cidade viva.

 

Ao ver manifestações nesta manhã de cinco de maio nas redes sociais pelo aniversário da cidade, não pude deixar de, como filho da terra, fazer apenas uma pergunta. E fiz para meu próprio parente (primo), o vereador Flávio Tosti: tem alguma programação para lembrar a data?

 

Fiz esta pergunta porque passei grande parte da minha vida – até os 16 anos e pouco – curtindo a data, desfilando na fanfarra do Ginásio Agostinho Stefanello, participando de competições esportivas e até de missa. Pelo que vejo, não existe mais nada disso. Ai, sim, chamo a atenção para os vereadores, contra ou não o prefeito, para que se mobilizem e proporcionem um pouco de alegria a tão importante e antes festiva data.

 

Acredito que, com a ajuda da sociedade civil organizada, e se houvesse vontade política, alguma coisa poderia ser feita. Qual o cidadão, o empresário local, que não gostaria passar uma manhã de domingo participando de algum evento, por mais simples que seja, no dia do aniversário da sua cidade?

 

Alto Paraná não merece isso. A cidade precisa de oxigênio, de pessoas que possam reativar a chama da alegria.

 

Obtive do vereador Flávio Tosti a informação de que este ano não teria nenhum evento comemorativo ao aniversário da cidade (apenas uma cavalgada) por determinação do prefeito que alegou falta de recursos financeiros.

 

Esperamos, no entanto, que para o próximo ano, a Câmara de Vereadores se mobilize – com ou sem dinheiro – para trazer um pouco de alegria a essa gente, a essa cidade, que embora venha sofrendo problemas de infraestrutura e manutenção, jamais pode deixar de ser a linda e querida Alto Paraná de sempre.

 

Uma cidade bem cuidada traz alegria aos seus moradores e consequentemente chama a atenção de investidores. Vamos salvar Alto Paraná. Que os representantes políticos e as lideranças classistas contem com este altoparanaense.

Como nos ensina a fábula do beija-flor e o incêndio na floresta. Se cada um fizer sua parte…

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.