Altos juros levaram 4 milhões de paranaenses à inadimplência

Pedro Ribeiro


 

No Paraná, a estimativa é a de que perto de 4 milhões de pessoas – um terço da população do Estado – estejam com restrição ao crédito junto ao Serviço de Proteção ao Crédito. No país, este número atinge mais de 51 milhões de brasileiros sendo que a maioria dos inadimplentes se deve ao uso de cartões de crédito, cheques especiais, compras de aparelhos celulares e serviços de televisores a cabo.

Para o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), empresário Gláucio Geara, a inadimplência vem desde os governos Lula e Dilma, onde houve um consumo maior “sem uma educação financeira e exageradas taxas de juros cobradas pelos bancos nos cheques especiais e cartão de crédito”.

Devido à esta falta de planejamento e mesmo de educação financeira,  a Associação Comercial do Paraná vem, nos últimos três anos, fazendo campanhas de orientação, explicando para as pessoas com restrição ao crédito que, ao receberem dinheiro extra, como o percentual do FGTS, que, primeiro renegociem suas dívidas.  “Após limpar o nome, as portas do comércio se abrem para a volta ao consumo”, observa Geara.

SATISFAÇÃO E CONFIANÇA

Geara, que deixará a presidência da ACP dia 31 de dezembro de 2019, disse que os empresários estão olhando com bons olhos os programas da equipe econômica do governo Bolsonaro no sentido de colocar a economia novamente nos trilhos do crescimento e desenvolvimento.  Há um clima de satisfação e confiança entre os empresários, o que reflete no consumidor, a outra ponta da indústria.

O empresário, do ramo de automóveis e que já foi secretário de Estado da Fazenda do Governo do Estado, acredita que a economia vai crescer e que o capital tanto externo quanto interno voltará a investir, gerando divisas ao país e emprego à população.

Embora há uma certa preocupação em relação à América Latina, onde quatro ou cinco países estão com sérios problemas políticos e econômicos, Geara disse que este clima é favorável ao Brasil devido ao seu potencial na área do agronegócio, onde nações ricas, como a China, começam a dar sinais de crédito e investimentos.

POLÍTICA MERCANTILISTA

Para o líder empresarial, o Brasil tem que resolver seu problema político, onde embora tenhamos experimentado uma pequena mudança de perfil, com renovação no Congresso Nacional, na eleição de Jair Bolsonaro, a “velha política ainda é nociva, o que leva o empresário a se distanciar da política partidária, não querendo se expor”. Hoje, pontua, “é preciso uma reforma política e eleitoral para que o empresário participe mais ativamente deste processo com sua experiência. A política é mercantilista e os empresários não aceitam este tipo de troca, do toma lá da Ca”.

Geara também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) para quem houve uma completa desmoralização e disse ser recomendável que um ministro, magistrado, seja eleito e não indicado por governos para não se transformarem como acontece hoje em “ministros funcionários de cartórios criados por quem os nomeou”.

A operação Lava Jato foi um grande fenômeno que aconteceu no Brasil para combater a corrupção. “A corrupção, que sangrou e ainda sangra os cofres públicos é o maior dos males da nação”, afirma o empresário. “Se houver a continuidade das ações de combate à corrupção e se o governo fizer a lição de casa, cuidando do orçamento e justiça salarial”, o país estará no rumo certo, acredita.

 

 

 

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal