Alvaro Dias promete criar 10 milhões de empregos e flexibilizar uso de armas

Pedro Ribeiro


 

“Diante de exageros, há que se responsabilizar. É preciso adotar normas que credenciem, que autorizem o cidadão a usar as armas.” (Alvaro Dias).

Ao contrário de Jair Bolsonaro, o senador do Podemos e candidato À Presidência da República, Alvaro Dias, disse, na manhã desta segunda-feira, ao Estadão que avalia flexibilizar acesso da população a armas de fogo e propôs maior patrulhamento das fronteiras e uma frente de combate às drogas.

Ele também defendeu o fim do “presidencialismo de coalização” e prometeu convocar apenas ministros com base em competência técnica em detrimento às indicações partidárias. O presidenciável reforçou a promessa de convocar ministros apenas com base em competência técnica. “Acredito que o Congresso vai dançar a música que toca a Presidência.”

“Teríamos que celebrar um pacto nacional de governabilidade. A mudança no sistema se desenha quando convoca os ministros. Que ministros? Indicados pelas siglas que se juntam numa Arca de Noé? Ou os ministros escolhidos pela capacidade técnica?”, questionou Dias.

Para o candidato, é necessária uma “refundação da República”, em que funcionaria um “governo suprapartidário” em vez de uma coalização com partidos aliados ao presidente. “A população aprova o modelo da qualificação técnica, do saneamento financeiro, das reformas para que recursos sejam aplicados em benefício da população”.

Com a promessa de criar 10 milhões de empregos em quatro anos, Dias desconversou sobre a formação de sua equipe econômica e não respondeu especificamente sobre quem seria escolhido para o ministério da Fazenda.

Sobre geração de empregos, o candidato diz que o ajuste fiscal e o aumento dos investimentos são fundamentais para isso, e defende a desburocratização do sistema econômico, dando como exemplo um maior dinamismo na obtenção do CNPJ para as empresas. “Com a reforma tributária, a roda da economia vai girar com mais força”, disse.

Há algumas semanas, o candidato fez um convite público ao juiz Sergio Moro o Ministério da Justiça de seu governo, que reiterou durante a sabatina. Ele citou ainda os nomes de Modesto Carvalhosa e Miguel Reale Junior, que também fariam parte de seu governo, se eleito.

Segundo Dias, “o convite foi feito e não será retirado. Eu anunciei porque posso fazer isso. Os outros candidatos, não”, disse após ser questionado sobre a indicação de Moro.

O senador Alvaro Dias abriu a sabatina dizendo que as eleições 2018 são a “campanha mais desonesta, injusta e antidemocrática da nossa história”. Segundo ele, a legislação eleitoral serve aos interesses “do status quo, do establishment”. Para o senador, a reforma política deve servir de “matriz” para outras reformas de um eventual governo seu.

“Há um grande sistema operando nas sombras. Quando digo que é desonesta, injusta e antidemocrática, me refiro a uma competição desigual entre tubarões do fundo eleitoral, do tempo do rádio e da TV. Tubarões de recursos próprios aplicados na campanha eleitoral por permissão legislativa contra lambaris sem tempo de rádio e TV, com escassos recursos do fundo eleitoral e evidentemente sem recursos próprios para aplicação no processo eleitoral.”

Segurança pública

Alvaro Dias defendeu ainda a criação de uma frente latino-americana de combate ao tráfico e à produção de drogas com a ampliação do patrulhamento de fronteiras como parte de seu programa de segurança pública. “Cabe ao Estado garantir segurança à população. É preciso de política de Estado de segurança pública”, disse o presidenciável.

“Temos 17 mil quilômetros de faixas de fronteira abertas. Em 10 anos, de 2006 a 2016, o Brasil sepultou 342 mil jovens assassinados, sete vezes mais do que o número de soldados que morreram na Guerra do Vietnã.”

“Eu adoto posição de muita cautela. Não posso desobedecer um plebiscito e pretendo trabalhar favoravelmente à flexibilização da legislação nesse campo, com imposição de rigor no que diz respeito à responsabilidade”, disse. “Diante de exageros, há que se responsabilizar. É preciso adotar normas que credenciem, que autorizem o cidadão a usar as armas.”

Dias é o primeiro candidato a participar da sabatina Estadão-Faap nas eleições presidenciais 2018, feita em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). A série de encontros com os presidenciáveis ocorre na sede da fundação, em São Paulo, entre os dias 27 de agosto e 6 de setembro.

 

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="548637" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]