Alvaro Dias propõe corte nas verbas indenizatórias e auxílio moradia

Pedro Ribeiro


 

Em meio ao incêndio nas pradarias do Planalto Central, onde o protagonista jogou mais gasolina na fogueira das vaidades e acabou saindo chamuscado, temos, felizmente, políticos interessados e compromissados com a causa brasileira que, neste momento, está focada na saúde e em salvar vidas. O senador paranaense, Alvaro Dias (Podemos), mostra a congressistas sua proposta para contribuição, com a redução nos gastos públicos e repasse de recursos para setores mais necessitados, neste caso, a saúde e à sociedade mais vulnerável.

Enquanto o governo federal propõe a redução de salário dos servidores em 50%, o senador Alvaro Dias defende a redução das verbas complementares e auxílio moradia dos senadores e deputados. “O salário de um senador é de R$ 23 mil que, somados às verbas complementares e auxílio moradia este valor aumenta. Em três meses, eu economizei aos cofres públicos perto de R$ 100 mil (R$ 96. 890,30) com essas verbas”, disse. “Se os 594 congressistas (513 deputados e 81 senadores) fizessem o mesmo, teríamos uma economia mensal de R$ 14,8 milhões”, observou.

SENADOR FAZ AS CONTAS

Janeiro 2020:

Verba Indenizatória: 15.000,00

Verba de transporte Aéreo: 17.586,60

Auxílio moradia. 5.500,00

Total disponível: 38.086,60

Total utilizado: 0

Economia : 38.086,60

Fevereiro 2020:

Verba indenizatória: 15.000,00

Verba de transporte aéreo: 17.586,60

Auxílio Moradia.  5,500,00

Total disponível: 38.086,60

Total utilizado: 9.450,36

Economia. : 28.636,24

Marco 2020:

Verba indenizatória: 15.000,00

Verba de transporte aéreo: 17.586,60

 Auxílio Moradia. : 5.500,00

Total disponível: 38.086,60

Total utilizado: 7.929,14

Economia  30.157,46

Economia de 3 meses : 96. 890,30

“Se multiplicarmos por mais 513 deputados e 80 senadores  teremos economia significativa. As Assembleias poderiam fazer o mesmo”, defende o senador. Alvaro Dias disse ainda que, com a desistência da aposentadoria de governador e os auxílios ( foi governador do Estado) economizou um R$ 1 milhão por mês.

AUXÍLIO TRANSPORTE

PARA PROFESSORES

No momento em que os brasileiros dobram os joelhos e se isolam em suas casas, cumprindo não apenas determinações de organizações científicas que estudam o coronavírus há muito tempo e sob os apelos da Organização Mundial da Saúde OMS), preocupados com a saúde de seus ente queridos e suas próprias vidas, a nação é surpreendida com discussões políticas rasteiras, visando as próximas eleições, sem um cuidado especial com a saúde e vida das pessoas.

Nesse fervor doentio, onde também ampliamos nossos conhecimentos sobre democracia, economia e principalmente saúde, observamos o avançado estágio de nossos cientistas, médicos e a coragem das pessoas que estão na linha de frente, no combate mortal ao vírus, como enfermeiros, estudantes de medicina e gentes públicos da área da saúde, de segurança pública e econômica. Também vemos industriais, empresários, pequenos e médios empreendedores engajados nesta guerra, numa lição de cidadania.

O que não podemos aceitar é a omissão de alguns segmentos.  Ouvindo comentário do jornalista Marc Souza, da RIC, sobre o decreto de calamidade pública assinado pelo governador Ratinho Junior, chama a atenção quando ele cobra posição e contribuição, por exemplo, dos funcionários públicos, devidamente amparados pela lei, que simplesmente cruzaram os braços e foram para casa sabendo, que, no final do mês, seu dinheiro estará depositado no banco.

Tomei conhecimento que esta semana, o secretário de Fazenda do Governo do Estado, Rene Garcia Junior  , colocou uma extensa papelada em sua pasta e se dirigiu à Casa Civil para discutir a possibilidade de suspender, temporariamente, o benefício – auxílio transporte – que o Estado concede a funcionários públicos (professores) neste momento em que as escolas estão fechadas e eles não precisam de transporte público, para repassar esses recursos à área de saúde ou ao front de combate da doença Covid-19. Teria sido aconselhado a não mexer em vespeiro.

É este mesmo secretário, o estrangeiro, como falam nos corredores da Assembleia Legislativa do Estado, que vem se esforçando para equilibrar financeiramente o Estado. Recentemente criticou seu colega vizinho, de Santa Catarina, por prática nada republicana na questão da cobrança de ICMS, tirando fonte de recursos do Paraná.

Renê Garcia Junior propõe a redução de salário dos servidores. É claro que não vai conseguir e sequer terá a oportunidade de levar sua proposta à discussão na Assembleia Legislativa. O corporativismo fala mais alto.

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.