Mesmo na crise pandêmica, Paraná cresce com Agronegócio e investe na infraestrutura

Pedro Ribeiro

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Mesmo enfrentando uma tragédia pandêmica, o Estado do Paraná vem mostrando significativos sinais de crescimento, puxados pela cadeia do agronegócio e indústria de transformação. Com a instalação de novos empreendimentos e um rigoroso controle entre receita e despesa, o Governo do Estado começa a canalizar recursos na área da infraestrutura com foco no setor viário, carro-chefe das exportações.

“A produção industrial estadual em abril avançou 55,1% em comparação ao mesmo mês do ano passado, reflexo da recuperação econômica. No País, o crescimento foi de 34,7%. Constantemente analisamos e propomos medidas para ajudar os pequenos empresários a transpor essa crise. Uma delas é o auxílio emergencial para microempreendedores individuais (MEIs) e microempresas de todo o Paraná afetados pela pandemia da Covid-19, no valor de R$ 80,28 milhões. Esse auxílio vai atender 124.960 empresas. Isso mostra, na prática, o que é prioridade para essa gestão. Nossa preocupação segue no tripé saúde, economia e social. Essas são as coordenadas que estamos seguindo nessa batalha diária de enfrentamento ao novo coronavírus”, explica o secretário chefe da Casa Civil, Guto Silva.

Guto Silva (Divulgação/Casa Civil)

O recente repasse de R$ 4,6 bilhões aos municípios paranaenses de janeiro e maio de 2021, valor que representa 19% em relação ao mesmo período do ano anterior (R$ 3,8 bilhões) e a licitação que o DER acaba de lançar no valor de R$ 79,6 milhões para execução de serviços de conservação e manutenção de 307,56 quilômetros de rodovias na região Noroeste, confirmam as ações do Governo do Estado que, mesmo na pandemia, não deixa de investir nos municípios e em infraestrutura. O Estado do Paraná sempre se pautou por um papel ativo na promoção do seu desenvolvimento econômico e social. A linha mestra que conduz o planejamento se perpetua em um tratamento especial em relação às desigualdades sociais. É histórico no Estado.

A tragédia sanitária exigiu transferências de recursos previamente destinados à infraestrutura, mas Governo do Estado vem conseguindo dar respostas à crise, com o aumento das exportações do agronegócio, por exemplo, equilibrando repasses de investimentos na pandemia do coronavírus, em infraestrutura e área social.

A condução, hoje, do desenvolvimento do Estado não foge à estratégia do equilíbrio entre arrecadação e despesas. É realizada em etapas diferenciadas que puxam o crescimento econômico a partir da industrialização, num modelo de pensamento que se perpetua ao longo de governos. Por isso, o Paraná sempre está a um passo a frente dos demais estados com olhar fixo no bem-estar social dos paranaenses.

PIB PARANAENSE

A participação paranaense no PIB nacional é de 6,2%, com a prestação de serviços puxando o carro com 41,6%, seguido da indústria, com 40% e pecuária 18,4%. O volume de exportações passam hoje dos US$ 10 bilhões.

Hoje, o Paraná é o Estado mais populoso da Região Sul e o quinto com mais habitantes do País, de acordo com estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, 11.08 milhões de pessoas residem no Estado, representando 5,4% da população total brasileira.

No primeiro trimestre deste ano o PIB do Paraná somou R$ 128,92 bilhões. O desempenho favorável ficou por conta do agronegócio que é responsável por cerca de um terço do PIB paranaense.

O PIB do Paraná apresentou crescimento de 2,3% no primeiro trimestre de 2020, na comparação com igual período do ano anterior, segundo cálculos divulgados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

Já em relação ao PIB brasileiro houve retração de 0,3% no primeiro trimestre de 2020. O resultado positivo do Paraná foi obtido principalmente pelo desempenho da agropecuária, que registrou aumento de 14,96%, alavancado por uma supersafra de grãos de verão.

INVESTIMENTOS NOS MUNICÍPIOS

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Jonathan Campos/AEN

Tão logo a pandemia do coronavírus influenciou o crescimento econômico, o governador Ratinho Junior foi à Assembleia Legislativa e anunciou a ampliação dos investimentos. A partir de então, o Estado passou a contar com mais R$ 600 milhões para promover melhorias nos municípios.

O governador também disse que aguarda o aval federal para acessar um financiamento de R$ 1,6 bilhão. O valor será aplicado em obras de infraestrutura. “A pandemia alterou as previsões e o desafio agora é preparar o Estado para voltar a crescer”, afirmou o secretário de Planejamento, Waldemar Bernardo Jorge.

Waldemar Bernardo Jorge (Divulgação)

O deputado estadual, Luiz Cláudio Romanelli, que acompanha com lupa as ações do governo, ponderou sobre os efeitos desastrosos da pandemia, mas disse que o saldo foi positivo no primeiro quadrimestre de 2021 na geração de empregos formais nos últimos 11 anos no Paraná. Segundo ele, entre janeiro e abril, foram abertos 87.804 novos postos de trabalho no Estado. Romanelli foi secretário do Trabalho.

AGRONEGÓCIO, O CARRO-CHEFE

O agronegócio paranaense dá mais um salto na balança comercial paranaense. Sua participação do setor no PIB do Paraná é de 33,9%, o que corresponde a R$ 142,2 bilhões.

Segundo a Federação da Agricultura do Estado (Faep), o último dado disponível de PIB foi divulgado em 12/2020 pelo IBGE e tratam das riquezas geradas em 2018. O valor adicionado bruto do PR foi de R$ 382,5 bilhões, já o VAB da agropecuária foi de R$ 36,3 bilhões, o que corresponde a 9,5% do total.

Os empregos no agronegócio incluem os empregos na agroindústria, no comércio atacadista de alimentos e transporte. A agropecuária paranaense gerou no primeiro quadrimestre 3.838 novos postos de trabalho. Os setores que mais geraram foram: Produção Florestal 923 novos postos; cultivo de cana-de-açúcar 837 e atividades de apoio a agricultura 948.

NOVOS POSTOS DE TRABALHO

No total, o Paraná gerou 87.804 novos postos de trabalho. Na indústria, a fabricação de produtos alimentícios gerou 3.624 novos empregos, atrás apenas da confecção de artigos do vestuário, este gerou 4.421 novos empregos.

Alicerçada na agricultura, pecuária, mineração, extrativismo vegetal, serviços e indústria e por contar com atividades econômicas diversificadas, o Paraná permeia Estados de melhores economias, os chamados mais ricos.

A safra de grãos do Paraná, segundo dados do Deral, deverá somar 42 milhões de toneladas. Este volume é 3% superior ao da safra passada e a área de 10,2 milhões de hectares também é 2% maior.

Recentemente, o Paraná conquistou a certificação de área livre de febre aftosa sem vacinação. Esta é uma luta de 50 anos do Governo do Estado e do setor agroindustrial, comemorou o governador Ratinho Junior.

DESEMPENHO DA INDÚSTRIA

A produção industrial paranaense teve crescimento de 9% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os primeiros três meses de 2020. O crescimento paranaense foi o dobro da média nacional, cuja produção aumentou 4,4% nos três primeiros meses do ano. O parque industrial paranaense reúne, hoje, perto de 24 mil empresas.

A JBS, uma das maiores empresas do agronegócio do Brasil vai investir R$ 1,8 bilhão na unidade fabril de Rolândia para a construção da maior fábrica de empanados e salsichas do mundo.

Mais três grandes empresas do Brasil – Klabin, Gerdau e BRF – anunciaram recentemente investimentos no Paraná num total de R$ 3 bilhões. São R$ 2,6 bilhões da Klabin para a instalação de uma máquina de papel cartão; R$ 292 milhões da BRF para modernizar seis plantas agroindustriais; e R$ 55 milhões da Gerdau para retomar a produção de aço em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.

O Governo do Estado também vai investir R$ 450 milhões extras em habitação nos próximos dois anos para viabilizar a aquisição da casa própria a cerca de 30 mil famílias paranaenses.

A indústria paranaense teve, em maio, seu maior crescimento dos últimos nove anos. O melhor resultado para o mês desde 2012 ficou 42% acima de maio de 2020. No ano, já acumula alta de 12%.

EXPORTAÇÕES, AGRICULTURA E BALANÇA COMERCIAL

Marcelo Alves, economista da Fiep (Divulgação/Fiep)

Maio foi um mês com bons resultados e de recuperação de alguns setores-chaves da indústria paranaense além do agronegócio. É assim que os especialistas avaliam os resultados da atividade de comércio exterior divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia. O Paraná exportou US$1,932 bilhão em maio. Importou US$ 1,54 bilhão. Assim, o saldo da balança comercial do estado ficou em US$ 384,6 milhões.

O setor automotivo, que sofreu um impacto forte da pandemia no ano passado, triplicou as exportações agora.

Apesar dos números, o Estado é apenas o sexto colocado no ranking das exportações brasileiras, representando 7,7% do total que é vendido para fora do país (US$ 27 bilhões em maio). Considerando os compradores, o Paraná tem uma participação maior, de 8,8%, e é o quarto estado que adquiriu produtos de fora.

Mesmo assim, este foi o melhor maio para as exportações paranaenses desde 2012, quando foram negociados US$ 2 bilhões, e o melhor resultado mensal desde novembro de 2018 (US$ 3,1 bilhões). Dois bons indicadores confirmam o bom momento. O crescimento acumulado de janeiro a maio deste ano, em 12,5% em relação a igual intervalo de 2020. E o de 42% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O principal produto da pauta exportadora paranaense é soja (US$ 811 milhões), ou seja, 42% de tudo que o estado vendeu para fora do país em maio. Depois vem as carnes (US$ 257,9 milhões ou 13%), seguido por madeira (US$ 175 milhões ou 9%) e material de transporte (US$ 152,7 milhões ou 8%).

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Soja lidera exportações do Paraná (Rodolfo Bührer/La Imagem)

Os principais parceiros para os produtos do Paraná são a China, que ficou com 33% de tudo que o estado exportou em maio (US$ 638,83 milhões). Estados Unidos (8%), Argentina (5%) e Coreia do Sul (4%) são outros compradores importantes. Além de ser o maior cliente de complexo soja (64%), a China também comprou 20% de toda a carne vendida pelo Paraná em maio, seguida por Hong Kong (6%). Já a madeira, 62% tiveram como destino os Estados Unidos (US$ 108,6 milhões).

Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná, Marcelo Alves, o bom desempenho de alguns segmentos-chave da indústria justifica o resultado. Um exemplo é material de transportes. “O setor automotivo, que sofreu um impacto forte da pandemia no ano passado, triplicou as vendas agora. Saiu de US$ 49 milhões, em maio de 2020, para US$ para 152 milhões agora”, destaca.

“No agronegócio, as vendas de soja, carnes e madeira também cresceram substancialmente na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Com estes produtos aumentando sua participação na pauta de exportações, com retomada de posição em patamares mais elevados em relação ao ano passado, e outros revertendo um cenário ruim, a recuperação se mostra bem consistente do ponto de vista econômico”, completa.

Em maio, os principais produtos comprados pelo estado no exterior foram produtos químicos (US$ 453 milhões), petróleo (US$ 217 milhões), material de transporte (US$ 203 milhões), produtos mecânicos

CONCESSÃO DE RODOVIAS: NOVO PEDÁGIO TAMBÉM BENEFICIA O AGRONEGÓCIO

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Luiz Claudio Romanelli (Divulgação/Alep)

Uma grande vitória paranaense neste ano, segundo pontua o deputado Luiz Claúdio Romanelli, foi a da concessão das rodovias, com um pedágio que terá tarifas baixas e a realização de mais obras. Esta nova concessão prevê R$ 42 bilhões em investimentos em contratos de 30 anos de duração. Estão previstos 1,8 mil km de duplicações.

O Transporte Rodoviário de Carga do Paraná participa com 7% do PIB paranaense e gera 360 mil empregos diretos com uma frota de 126 mil caminhões. 65% do que se produz no Estado é transportado pelo TRC. “Não podemos deixar este importante segmento da nossa economia ser penalizado por um pedágio nocivo, também, aos usuários comuns”, defende o presidente da Federação das Empresas de Transportes (Fetranspar), Coronel Sergio Malucelli.

Coronel Malucelli: pedágio justo beneficia setor de transportes e agronegócio (Divulgação/FETRANSPAR)
Coronel Malucelli: pedágio justo beneficia setor de transportes e agronegócio (Divulgação/FETRANSPAR)

O QUE O ESTADO ARRECADA E O QUE INVESTE

No primeiro quadrimestre deste ano, a Receita Corrente chegou a R% 15,9 bilhões, 7% a mais que em 2020 em termos reais. As despesas correntes do Governo do Paraná foram de R$ 13,1 bilhões entre janeiro e abril, ante os R$ 12,8 bilhões do mesmo período do ano passado (-4% em valores corrigidos). Os números foram apresentados pelo secretário da Fazenda, Renê Garcia Junior, durante prestação de contas, dia 25 de maio, na Assembleia Legislativa.

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Secretário da Fazenda, Renê Garcia Junior (Divulgação/Sefa)

O impacto da crise pandêmica sobre a arrecadação do Estado no início do ano corrente foi minimizado em relação ao observado em 2020. Segundo Garcia Junior, a receita de impostos (ICMS, IPVA e ITCMD) apresentou um aumento real de 5%, chegando a R$ 9,6 bilhões. Mas alertou que a base de comparação, porém, não permite comemorações – pois no 2º bimestre do ano passado a arrecadação foi muito aquém do esperado em decorrência da forte retração causada pelas medidas de distanciamento social.

“É um resultado positivo significativo, que reduz a pressão no orçamento mas não elimina a necessidade de suplementação de despesas obrigatórias, atualmente estimadas em R$ 6,5 bilhões”, observou Garcia Junior. “Não sabemos como a economia se comportará nos próximos quadrimestres. A variante indiana do vírus chegou ao Brasil e autoridades municipais de saúde já acenam com bandeira vermelha, com novas paralisações na atividade econômica”, completou.

De acordo com números apresentados pela Secretário da Fazenda, entre janeiro e abril, com apoio do faturamento do agronegócio, os investimentos do Estado chegaram a R$ 729 milhões, pouco abaixo dos R$ 746 bilhões registrados no primeiro quadrimestre de 2020 – um dos anos com maior nível de investimento público da história.

Neste primeiro quadrimestre, o Paraná reduziu seu estoque de dívida em R$138 milhões, resultado do retorno dos pagamentos da dívida com a União, pagamento integral da operação de crédito Rotas Paraná e praticamente da dívida do Pasep da administração indireta.

O maior pagamento de dívidas no início de 2021 foi de precatórios (R$ 282 milhões), dando continuidade ao plano de pagamentos. Do total, 32% dos restos a pagar foram pagos nos 4 primeiros meses de 2021 e 18% foi cancelado. Com isso, o estoque foi reduzido em 50% ao final do período.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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