Aposentadoria de Beto Richa como ex-governador é uma afronta a todos os paranaenses

Pedro Ribeiro

E o ex-governador Beto Richa acaba de se tornar réu na Operação Integração que apura denúncias de propina no pedágio. A cada dia nova surpresa. E deve vir mais por aí.

Não tem cabimento, é deboche e escárnio de uma justiça cínica essa de conceder aposentadoria a ex-governadores do Paraná no valor mensal de R$ 30 mil, que serve para beneficiar suspeitos de desvios do dinheiro público, como Beto Richa, enrolado até o pescoço nas denúncias de improbidade com dinheiro do Tesouro do Estado. Não é possível que pessoas com todas essas cargas de denúncias se apossem dos cofres públicos e ainda sejam beneficiados com a leniência da Justiça que deveria estar atenta a este descaso. Ainda que a aposentadoria esteja prevista em lei, ela não deveria contemplar réus e rufiões, e Beto Richa já foi duas vezes preso vergonhosamente por suspeitas de vício de mão grande.

No mínimo, esta aposentadoria escandalosa para quem já arrombou por diversas vezes os cofres públicos deveria ser estancada, suspensa, ficar su-judice, represada até que a Justiça dê seu parecer nos processos em que Beto Richa está envolvido e que pode resultar em sua condenação. Quem vai ressarcir o Estado pelos rombos que teriam sido praticados por ele e sua equipe enquanto ocupavam o Palácio Iguaçu? E mesmo os recursos pagos de uma aposentadoria que ele jamais mereceria neste momento, diante de eventual condenação?

Onde estão as autoridades para fazer valer o bom senso e acabar de vez com essa farra de desonestidade que tem caracterizado a vida pública paranaense desde a eleição desse moço, pobre moço??!!


É uma excrescência fazer com que o povo paranaense seja duplamente prejudicado e sacrificado com a concessão dessa aposentadoria. Quando estava no governo, cinicamente e com fingimento que descobriríamos somente mais tarde em seu propósito, fez de conta que pretendia acabar com essa vergonha. Pura jogada para provocar outros ex-governadores que não abrem mão dessa prebenda paga à custa dos contribuintes. Foi só cair em desgraça para se socorrer nessa lei vergonhosa e pilhar ainda mais o Estado. Deveríamos ter desconfiado quando Ezequias Moreira, seu braço direito teve que devolver dinheiro para a Assembleia por empregar e se apropriar do dinheiro da sogra, viva, mas fantasma, no gabinete do então deputado Beto Richa. Como fomos ingênuos!

Esse escandaloso e imoral provento a que tem direito ex-governadores precisa acabar de uma vez por todas, para que pessoas que surgiram com mentalidade do pântano político não sejam agraciadas às custas do sofrimento dos contribuintes com o pagamento de suas pesadas cargas tributárias. Pelo menos os outros ex-governadores, como Cida Borgheti, que também se valeu desse indecente pedido, não é ré em nenhum processo por roubo de dinheiro público e isso também vale para o ex-senador hoje de pijamas Roberto Requião, além de Jaime Lerner, João Elísio Ferraz de Campos, Mario Pereira e mais alguém, por lapso de memória.

O Paraná tem que ser passado à limpo e esperamos que essa indecência tenha um ponto final, com a aprovação pela Assembleia Legislativa do projeto de lei do governador Ratinho Junior, extinguindo essa aposentadoria abjeta. O pior disso tudo, é que os beneficiados por estes proventos, alguns deles jamais tendo Carteira de Trabalho assinada na sua vida por vínculo de emprego, ainda arrotam discursos de moralidade, de probidade, sobre seus grandes feitos e como deve ser a boa política.

Beto Richa, réu salvo somente por intrigantes mistérios que rondam a Suprema Corte da Justiça Brasileira, que o impede de estar atrás das grades para aguardar julgamento definitivo, anda solto protegido apenas pela existência de salvo conduto, vergonha suprema de qualquer cidadão de bem que tenha um pouco de decoro e dignidade. Não é mais possível viver esse faz-de-conta que se já envergonha muito os paranaenses, deveria no mínimo fazer corar os que, na análise de suas consciências sabem, que puseram a mão no jarro sem qualquer pudor.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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