As mamatas das estatais em um país com 13 milhões de desempregados

Pedro Ribeiro


 

Há uma frase que circula pelas redes sociais atribuídas ao falecido empresário, Antônio Ermírio de Morais, dono do grupo Votorantin, em que ele afirma não ter criado seus filhos em ambiente de ar condicionado e calefação na sua casa, para que não se acostumassem à vida fácil e ao conforto. E para que soubessem dar valor ao trabalho. “Dinheiro fácil é bom para o bolso, mas péssimo para o caráter”, teria ensinado o empresário.
Se esta síntese de pensamento permeasse a estrutura pública brasileira, à exemplo do que fazem alguns países desenvolvidos, notadamente os nórdicos, cuja função pública se reveste de verdadeira vocação e renúncia á usurpação do bem comum, talvez fosse razoável e até justificável a grita que muitos agora fazem diante da possibilidade de o novo governo desencadear ampla política de privatização de estatais. O sentimento patrimonialista que domina a burocracia brasileira e casta de políticos, em grade parte descendente de oligarquias que controlam o cenário do país há décadas, é que move essa grita. Para isso, contam com a esquerda de fanfarra, essa mesma que bate bumbos para qualquer coisa, e a privatização para ela é símbolo de um demoníaco liberalismo.
No fundo, tantos esses descendentes das oligarquias políticas e essa esquerda lupanária, tem o mesmo interesse. A oligarquia, pelo controle do poder político e manutenção de um estado provedor de suas necessidades. A esquerda, em sua incapacidade histórica de empreender e gerar riquezas, porque vê no Estado do Bem Estar, gordo, pantagruélico, a possibilidade de benefícios para um ócio não produtivo, com denominação charmosa de políticas sociais. Ainda que se faça necessária a existência de programas sociais, como o Bolsa família, por exemplo, que consome pouco mais de 20 bilhões de reais por ano, menos de 0,5 % do PIB, importante ação humanitária para um país como Brasil de hoje, com 55 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza.
O Brasil tem mais de 400 estatais que a maioria das pessoas nem sabe que existem, ineficientes, perdulárias, obesas, consumidores de grande parte da riqueza e dos impostos pagos pelos brasileiros, sem contar que são focos de corrupção e desvio de dinheiro, para enriquecimento de alguns. A Lava Jato, os 51 milhões de reais de Gedel Vieira e outros tantos e profusos exemplos de escândalos revelados diuturnamente, estão aí, desnecessário cita-los.
No ano passado, o País gastou 9,3 bilhões a mais para manter estas empresas, em relação ao que todas elas arrecadaram juntas no período, de acordo com dados do Tesouro Nacional. Somente no governo federal, tem mais de 500 mil funcionários com altos salários nessas estatais, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
Se privatizasse, sobraria dinheiro para dobrar o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família, porque além de economizar nos salários pagos não gastaria dinheiro do Tesouro para manter essa empresas. Sem citar que muitas delas se constituem em ativos podres, ninguém deve se interessar por elas, surgiram para cabides de empregos, como a TV Estatal criada por Lula que só não tem traço de audiência porque e assistida por quem nela trabalha e pelos que dão entrevistas a seus repórteres.
Tem mais é que privatizar, mesmo!!!

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal