Auxílio-moradia, o “puxadinho” dos juízes

Pedro Ribeiro

 

A  greve dos juízes marcada para quinta-feira (15) é uma agressão contra o povo brasileiro. Onde já se viu fazer greve no judiciário, que já anda mal das pernas, para pressionar o Congresso Nacional por auxílio-moradia. Tenham dó. Um juiz ganha perto ou mais de R$ 30 mil por mês, ou, próximo do teto máximo estipulado pela Constituição brasileira.

Tem razão o deputado federal paranaense, Rubens Bueno (PPS), quando afirma que aqueles que deveriam dar exemplo de Justiça, garantindo direitos iguais para todos os cidadãos brasileiros, fazem um movimento em defesa apenas de seus próprios interesses.

Bueno, que é relator do projeto de lei que regulamenta o teto salarial dos servidores públicos foi além e disse que o que eles estão fazendo “é um escárnio com o trabalhador brasileiro e com os mais de 13 milhões de desempregados do país que, em muitos casos, não tem nem onde morar”.


Para Bueno, como para toda a sociedade brasileira que absorve diariamente escândalos de corrupção, o auxílio-moradia sem critério é um privilégio injustificável que tem que acabar. Restringir seu pagamento não é perseguição a essa ou aquela categoria, mas uma exigência da sociedade e um dever daqueles que têm compromisso com o bom uso do dinheiro público.

“É preciso aumentar o subsídio de juízes? Pois bem, vamos discutir isso. É preciso promover um aumento no número de vagas? Que se faça, de acordo com os limites do Orçamento da União. O que não podemos concordar é com a desfaçatez. Com a tática de chamar uma rubrica de “auxílio-moradia” e ela se tornar na verdade um “puxadinho” do salário”, observou o parlamentar que concedeu entrevista ao Diário do Poder.

Segundo ele, o Supremo Tribunal Federal (STF) prometeu dar um ponto final nessa história do auxílio-moradia no próximo dia 22 de março. Desde 2014, estava pendente de análise final pelo plenário da Casa uma liminar, concedida pelo ministro Luiz Fux, que estendeu o pagamento de auxílio moradia para juízes, promotores e procuradores de todo o país.

“Com a decisão provisória, que está em vigor a quase quatro anos, o valor despendido para esses gastos no Judiciário Federal saltou de R$ 3,1 milhões em 2009 para R$ 307,6 milhões em 2016, o que representa um aumento de indecentes 10 mil por cento. Já no Ministério Público da União os repasses para o auxílio moradia saltaram de R$ 2,9 milhões para R$ 105,4 milhões no mesmo período. Um crescimento de incríveis 3,6 mil por cento. Isso é justo?”, questiona Rubens Bueno.

 

 

Post anteriorPróximo post
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
Comentários de Facebook