Barros quer enfrentar inquisidores do corredor polonês. Tem cartas na manga

Pedro Ribeiro

Ricardo Barros foi ministro da Saúde

A surpresa e, quem sabe, o diferencial dessa maratona de CPI do Senado que mais parece um corredor polonês, deverá ser o depoimento do deputado federal e líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP).

Acusado, sem prova, de ser um dos articuladores da compra da vacina indiana Covaxin, com suposto superfaturamento, Barros bateu firme na mesa e protocolou, nesta sexta-feira (2), um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando o agendamento do seu depoimento na CPI da Covid do Senado.

Se tem um parlamentar dentro do Congresso Nacional que possa enfrentar os integrantes desta CPI, principalmente o senador Renan Calheiros, é Ricardo Barros. Conhece todos os cantos da casa, tanto na Câmara como no Senado e, nos últimos 20 anos, vem negociando com partidos e líderes políticos. Sabe tudo o que acontece nas entranhas do Congresso Nacional.

Barros estava convocado para ser ouvido na próxima quinta-feira (8), porém a audiência foi desmarcada pela presidência da CPI sem justificativa e sem a definição de nova data.

“Quero prestar o meu depoimento o quanto antes. Já me coloquei diversas vezes à disposição da CPI para esclarecer todos os fatos atribuídos a mim. Vou provar a lisura de todas as minhas ações”, disse o deputado Ricardo Barros.

No pedido, Barros argumenta que, sem explicação, o adiamento de seu depoimento por tempo indeterminado pelo presidente da CPI é abuso de poder, ao impedir a apuração e os esclarecimentos dos fatos perante a Comissão. O único objetivo seria continuar a prejudicar sua imagem.

Além de contestar a participação na compra da vacina Covaxin, o Ricardo Barros informa que os autores de indicação do profissional envolvido no processo já se manifestaram ou em outra situação trata-se de servidora que ingressou no serviço público em 1995. Essas e demais acusações não possuem, portanto, embasamento.

“O adiamento indefinido e imotivado do depoimento do impetrante viola seu direito fundamental à ampla defesa, constitui abuso de poder da CPI e é viciado, ainda, pela absoluta falta de fundamentação.”, traz o recurso protocolado no STF. Ainda, segundo o texto, não pode se utilizar da “autonomia na condução dos trabalhos para simplesmente inviabilizar a defesa de alguém”.

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="773537" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]