Besteiras do governo já começam a encher o saco

Pedro Ribeiro


 

 

É incrível!

Não passa um dia sequer em que o governo do presidente Jair Bolsonaro não ocupe as manchetes dos jornais, noticiários eletrônicos e mídias sociais com alguma sandice que se transforma no assunto principal do País. É evidente que a mídia, desconfortável e em guerra contra o governo ajuda. Qualquer deslize que venha a ser cometido no âmbito do governo ou pelo próprio presidente, é um prato feito para o banquete dos descontentes. Mas, convenhamos, nunca foi tão fácil. O próprio governo e mesmo o presidente parecem uma usina atômica na produção de factoides que desviam o foco ao que verdadeiramente interessa para o País.

Estamos no limiar de começarem a ser discutidas propostas importantes para tentar arrancar o País do atoleiro em que ainda se arrasta depois de tantos anos de desmandos e de desmontes irresponsáveis de governos anteriores, sem mencionar a oceânica roubalheira que se praticou durante todo esse período. Estão lá, no Congresso Nacional, as propostas da Previdência, o pacote anticrimes do Ministro Sérgio Moro, o País distraído ainda com a festa de Carnaval e suas escolas campeãs, e isso sequer passa a ser merecedor de atenção. O que conta são as asneiras que se produz paralelamente.

Quando não é o presidente da República e seus filhos que provocam as crises para o próprio governo, são ministros aparvalhados e inacreditavelmente escolhidos para seus cargos, que falam mais besteiras que coisas sensatas, racionais, de interesse ao País.  Estão lá, empoleirados em seus cargos sem qualquer qualificação pessoas como o caricato Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, já desautorizado publicamente a tratar de assuntos internacionais pelos militares, além de Dalmares Alves e o colombiano mal educado ministro da Educação, Ricardo Velez Rodrigues, discípulos do astrólogo que se diz filósofo, Olavo de Carvalho.

Quando não são eles, é o próprio presidente movido por sua impulsão em tuitar, em passar parte de seu tempo se preocupando e se dedicando às mídias sociais quando, cá entre nós, poderia se ocupar de assuntos pertinentes ao cargo e de interesse de todos nós. Está na hora desse governo governar, ou no mínimo deixar que ministros que estejam empenhados nesta tarefa façam seus trabalhos sem serem atrapalhados por factóides de qualquer natureza e alheiros aos interesses do País. Se o presidente ficar se preocupando com o que acontece nas ruas em época de carnaval, vai estar adotando a mesma prática do sindicalismo populista que se atreveu a mexer na área dos costumes, a ponto de introduzir discussões de ideologias de gênero nas escolas.

Do jeito que a coisa anda até mesmo os bolsonaristas mais empertigados e empolgados já devem estar desconfiados e um tanto frustrados em suas expectativas porque não era bem assim que estariam imaginando o novo governo. Se, passados menos de três meses de governo já se produziram besteiras e tolices nessa quantidade, é de se imaginar o que será daqui para a frente. Nesse ritmo, não há como deixar de ficar de saco cheio.

 

 

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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