Bóia de socorro

Pedro Ribeiro


 

Por Alceo Rizzi

Pela segunda vez após esgotar seu estoque de impropérios, agressões e ameaças, recheadas de outras sandices de orgulhosa e prepotente ignorância, o presidente parece ter sido socorrido pelo representante de outro poder.

Foi assim com a desordem e a negligência do governo no combate à pandemia, quando presidentes e da Câmara e do Senado propuseram a criação de um Comitê de Coordenação Nacional para enfrentamento do vírus.

Que fim ele levou, ninguém sabe. A proposta apenas deu trégua ao presidente para, em questão de dias, ele voltar a sabotar e a transgredir, como ainda faz, todas as recomendações e protocolos sanitários.

Agora é o presidente do STF que o convida para conversar e propor reunião dos três poderes, para discutir e estabelecer limites de cada um, como se isso fosse necessário, que eles não estivessem estabelecidos na Constituição.

Uma nova trégua para que, em questão de dias após ela ser realizada, ele possivelmente volte à carga para fazer ameaças de agravamento institucional do País se não tiver seus desejos atendidos, dentre eles a eleição com voto impresso.

A diferença entre antes e agora é o apenas o acentuado derretimento, o que não é desprezível. Pode dar maior prazo de trégua.

Duvidoso é o resultado.

RECONHECER NÃO DESMERECE

O alvoroço nas Armas por causa de declaração do senador que preside a CPI da Covid, na nota conjunta assinada junto com o Ministério da Defesa, seguida da manifestação posterior, de ameaça quase explícita, do brigadeiro e comandante da Aeronáutica, suscita questionamento que pode ser contraditório, paradoxal e polêmico.

Que episódios como esses aconteçam justamente pela falta de politização das Armas na formação e graduação de seus militares. Com a ausência de uma sólida formação política sobre a natureza de suas instituições.

No conceito de que elas não são o poder central e concedente ao funcionamento da República, nem patronas da democracia estabelecida pela Constituição. Uma sólida formação política necessária para o entendimento do que são por natureza e ao que se destinam, instrumentos de Estado e não de governo, seja ele qual for.

A começar, por não emprestar apoio ou a se prestar a serem tentadas por manipulações em jogos de outros propósitos. E a não se atribuírem, pela natureza dos fins ao que foram criadas, a pretensão de superioridade em valores morais e éticos comparados ao mundo civil.

Ainda que eventualmente alguém, imerecida, despropositada ou injustamente pretenda não reconhecer o caráter nobre e a disciplina ao que determinam as funções que exercem. Mas não estão elas, como não estão os civis, imunes de fraquezas havidas pela condição humana, de desvios de caráter de alguns, dentro dos universos em que convivem. É disso que se trata e o que se revela na CPI, independentemente de arroubos ou declarações despropositadas que possam acontecer.

Reconhecer, não desmerece.

(Alceo Rizzi é jornalista e colaborador do Paraná Portal)

NR: Os artigos de opinião publicados no Paraná Portal não refletem, necessariamente, a opinião do jornal e é de inteira responsabilidade de seus autores.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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