Bolsonaro volta a cutucar Mourão e sinaliza que ele está fora de 2022

Pedro Ribeiro


 

O presidente Jair Bolsonaro já não esconde mais o desejo de encontrar um substituto para o general Hamilton Mourão em sua candidatura à reeleição em 2022. Nesta semana, em Brasília, Bolsonaro admitiu que o vice-presidente por vezes “atrapalha um pouco”, mas tem de aturar.

Mourão parece ser, no momento, a voz de equilíbrio no governo Bolsonaro. Frequentemente convidado para proferir palestras, principalmente a empresários e lideranças classistas, tem conquistado a atenção de todos pelas suas ponderações em relação à economia e à política.

O vice-presidente não chega a atacar explicitamente o presidente Bolsonaro mas dá a entender que em algumas situações o presidente extrapola e sai da curva. Parece também não estar preocupado se será convidado ou não a disputar as próximas eleições ao lado de Bolsonaro.

Não são, no entanto, poucas as vezes em que Mourão critica ações à gestão do governo federal. Continua na geladeira, ou seja, Bolsonaro não o convida para participar das reuniões no Palácio do Planalto e prefere lhe dar missões em grandes importâncias.

Segundo disse o presidente, “o Mourão faz o teu trabalho. Ele tem uma independência muito grande, por vezes atrapalha um pouco a gente, mas o vice é igual cunhado: você casa e tem que aturar o cunhado do teu lado. Você não pode mandar o cunhado ir embora. Então, estamos com o Mourão sem grandes problemas, mas o cargo dele é muito importante para agregar. Dele, não, o cargo de vice é muito importante para agregar simpatias”.

Em entrevista a uma rádio da Paraíba, o presidente afirmou que a escolha do seu vice nas eleições de 2018 foi feita “muito em cima da hora” e que, se for candidato, poderá optar por outro perfil na disputa do próximo ano com o objetivo de agregar mais.

A escolha do meu vice na última foi muito em cima da hora, assim como a composição das bancadas, principalmente para deputado federal. Muitos parlamentares, depois de ganharem com o nosso nome, transformaram-se em verdadeiros inimigos. O vice é uma pessoa importantíssima para agregar simpatia. Alguns falam que um bom vice poderia ser de Minas Gerais, de um Estado do Nordeste, de uma mulher ou de um perfil mais agregador pelo Brasil”, disse, segundo a Reuters.

 

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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