Bolsonaro chama Dória de bosta em reunião ministerial

Pedro Ribeiro


Enfim, o tão esperado vídeo da polêmica reunião do presidente Jair Bolsonaro com ministros no Palácio do Planalto, denunciada pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro e agora liberado pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal. O vídeo é peça chave no inquérito sobre suposta tentativa de interferência política do presidente na Polícia Federal.
Em um os trechos, o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, fala em aproveitar a atenção sobre o coronavírus para passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação. O presidente Jair Bolsonaro defende participação em ato antidemocrático e afirma: “Eu sou o chefe supremo das forças armadas”
O presidente Bolsonaro fala que vai interferir nos ministérios e cobra posicionamento dos ministros. “O nosso barco tá indo, mas não sabemos ainda, no momento dado o último caso, esse … vírus, pra onde tá indo nosso barco. Pode tá indo em direção a um iceberg. A gente vai pro fundo. Então vamos se ligar, vamos se preocupar. Quem de direito, se manifesta, com altivez com palavras polidas, tá? Mas coloca uma posição!”
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O presidente Jair Bolsonaro também defendeu um amplo armamento da população, para que ela possa defender sua liberdade. “O que esses filha de uma égua quer, ô Weintraub, é a nossa liberdade. Olha, eu tô, como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Como é fácil. O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui!” (sic), disse o presidente em fala direcionada ao ministro da Educação, Abraham Weintraub.
Na mesma reunião o presidente cobrou que em resposta a prefeitos e governadores que estavam decretando quarentena durante a pandemia de covid-19, os ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e da Justiça, Sergio Moro (que foi demitido dois dias depois do encontro), assinassem um decreto tratando do armamento da população. “Eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura!”
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), reagiu a ser chamado de “bosta” pelo presidente Jair Bolsonaro em reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril. No encontro, Bolsonaro se refere aos governadores João Doria e Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, como “bosta” e “estrume”, respectivamente.
“O Brasil está atônito com o nível da reunião ministerial. Palavrões, ofensas e ataques a governadores, prefeitos, parlamentares e ministros do Supremo, demonstram descaso com a democracia, desprezo pela nação e agressões à institucionalidade da Presidência da República”, disse Doria no Twitter. “Lamentável exemplo em meio a maior crise de saúde da história do país e diante de milhares de vítimas”, respondeu o governador de São Paulo, João Doria.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.