Brasil ainda amargará taxa de desemprego alta mesmo após a pandemia

Pedro Ribeiro

desemprego bate recorde

 

Por mais que exista um sopro de esperança, sempre vem uma bomba para jogar tudo por terra. A pandemia, que já levou à morte mais de 550 mil brasileiros, tem dado uma pequena trégua em alguns estados, o que anima a população encarceradas nas quatro paredes de casa. Mas, diante da perspectiva de volta à normalidade, espera-se que a taxa de desemprego – que se manteve no trimestre encerrado em abril no nível recorde de 14,7% – possa voltar a cair, e parte dos 14,8 milhões de desempregados e 6 milhões de desalentados (pessoas que desistiram de procurar emprego) consigam se recolocar no mercado de trabalho.

Mas, mesmo quando a crise passar e a economia voltar à normalidade, o Brasil não deve registrar uma taxa de desemprego inferior a cerca de 10%, avaliam analistas, o que significa que aproximadamente 10 milhões de pessoas seguirão desocupadas. A informação foi publicada no site BBC Brasil. Segundo os economistas, isso porque essa seria a chamada taxa de desemprego de equilíbrio do país, pelas contas dos economistas.

Nosso desemprego “natural” é mais alto do que o de países desenvolvidos, em grande medida devido ao baixo nível de formação da mão de obra, alto índice de rotatividade e informalidade, e elevado custo de contratação dos trabalhadores, dizem os especialistas.

“Nossa infeliz realidade é de um pleno emprego em que quase 10% da população tem que estar desempregada para que a situação seja considerada estável ao longo do tempo”, observa Braulio Borges, economista sênior da LCA Consultores e pesquisador do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), em entrevista à BBC

“E essa taxa de equilíbrio não quer dizer que a economia vai naturalmente, quase que por inércia, convergir para lá. Pode demorar muito tempo, se a gente deixar os mercados agirem. É preciso política econômica ativa [para reduzir o desemprego]”, defende.

A taxa de desemprego de equilíbrio de um país é aquela em que o nível de emprego não contribui para acelerar a inflação, segundo definição usada pelos economistas

Os economistas consideram que a taxa de desemprego de equilíbrio de um país é aquela em que o nível de emprego não contribui para acelerar a inflação. Ela é chamada no jargão econômico de Nairu (non-accelerating inflation rate of unemployment, em inglês).

“Quando a taxa de desemprego está acima do nível de equilíbrio, isso significa que o mercado de trabalho está num momento ruim e há menor pressão no custo de trabalho”, explica Victor Kayo, economista da MCM Consultores.

“Num mercado de trabalho deteriorado, os trabalhadores têm menor poder de barganha e menos capacidade para exigir salários melhores. Com essa menor pressão de custos para as empresas, é menor a pressão inflacionária”, acrescenta.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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