Cida mexe em vespeiro e pode perder a Polícia Militar

Pedro Ribeiro


 

No tumulto em Castro, onde a Polícia Militar acabou usando a força, a governadora afastou o comandante, afirmando que não compactua com violência

 

Depois de seguir todos os passos do manual que orienta as ações da Polícia Militar em casos de manifestações, seguidas de tumulto, o que aconteceu na noite de quarta-feira, em Castro, na greve dos caminhoneiros, o Tenente Coronel Edmauro de Oliveira Assunção foi punido com afastamento de suas funções. O major Jonatas Boaventura Schulli responderá interinamente pelo comando do Batalhão.

A decisão foi tomada pela governadora Cida Borghetti, ao afirmar “que não determinou o uso da força policial contra os manifestantes e que não compactua com nenhum tipo de violência”. A medida causou mau estar junto aos oficiais da Polícia Militar que repudiaram a postura da chefe do Executivo estadual, através de nota oficial.

“A Classe dos Oficiais recebe como uma punição antecipada, injusta e descabida, que desconsidera os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, gerando instabilidade e afetando o moral destes profissionais que se dedicam continuamente em defesa do povo paranaense e que esperam minimamente a consideração das autoridades constituídas, especialmente da Senhora governadora”, diz a nota oficial.

A governadora reafirmou que as Forças de Segurança do Paraná estão nas ruas para garantir aos caminhoneiros que deixaram a paralisação o retorno com segurança às suas atividades e a retomada do abastecimento para toda a população.

Segundo os oficiais da PM, o militar foi afastado depois  que cumpriu de forma bem sucedida a ordem de desobstruir a via de acesso às cooperativas e isto está causando indignação entre a PM é a população.

De acordo com a Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná – ASSOFEPAR – na via bloqueada no município de Castro, o Capitão, comandante da Operação, estabeleceu contato com os manifestantes, com todo respeito e polidez, buscando uma solução pacífica por aproximadamente 2 horas, esgotando assim, todas as possibilidades de diálogo com os manifestantes, a maioria dos quais não tinha qualquer relação com os caminhoneiros e suas causas. Somente como último recurso o efetivo de choque foi empregado, agindo em consonância com as normas e técnicas vigentes no plano nacional e internacional, observando rigorosamente o uso seletivo e gradual da força.

É muito importante destacar que nesta ocorrência dois Militares Estaduais foram feridos por manifestantes, mas não há registro de que um civil sequer tenha sido lesionado.

Os oficiais lembram que, na tarde de ontem (29), houve determinação clara do Governo no sentido de que todas as rodovias do Estado que se encontravam bloqueadas fossem desobstruídas na manhã desta quarta-feira. Assim como ocorreu nas demais regiões do Paraná, também na área circunscricional do 1º Batalhão de Polícia Militar, sob o Comando do Ten.-Cel. Edmauro, em quase a totalidade dos pontos de bloqueio os manifestantes atenderam a solicitação das autoridades policiais militares.

No entanto, especificamente na via bloqueada no município de Castro, o Capitão, comandante da Operação, estabeleceu contato com os manifestantes, com todo respeito e polidez, buscando uma solução pacífica por aproximadamente 2 horas, esgotando assim, todas as possibilidades de diálogo com os manifestantes, a maioria dos quais não tinha qualquer relação com os caminhoneiros e suas causas. Somente como último recurso o efetivo de choque foi empregado, agindo em consonância com as normas e técnicas vigentes no plano nacional e internacional, observando rigorosamente o uso seletivo e gradual da força, diz a nota.

O presidente da Fetranspar, Coronel Sergio Malucelli, também enviou nota à governadora . Eis o texto: “Foi com muita consternação que recebemos a notícia em que o Ten Cel Edmauro Assunção, comandante do Batalhão dos Campos Gerais foi afastado de suas funções, face a sua ação frente a pessoas que ainda desejavam a paralisação do nosso Estado . Pelo que conheço o TC Edmauro, pessoa de caráter ilibado, com uma formação exemplar, cuja família dedica-se a nossa Corporação por muitos anos; não tomaria nenhuma medida inconsequente ,e sim, dentro do que preconiza mundialmente a técnica de controle e distúrbios civis. Respeitamos Vossa decisão, mas, nunca é tarde para rever um ato administrativo, em especial em se tratando de um agente público muito respeitado pelos seus pares e pela comunidade”

 

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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